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Imprensa, Política

Imprensa marrom, povo amarelo

Manchete de primeira página de O Liberal de ontem, dia 28: “Helder deixou Ananindeua com pior saneamento básico do país”.
Título de capa do Diário do Pará do mesmo dia: “Água e Esgoto – Cosanpa põe três cidades entre as 10 piores do país”.
Raramente ficou tão claramente atestado que os dois maiores jornais do Pará só têm razão quando acusam. Nenhuma quando defendem os seus pares.
De fato, em seus oito anos de mandato, Helder Barbalho pouco fez para minorar o contraste entre a grandeza demográfica e econômica de Ananindeua, o segundo mais populoso município do Estado, e sua pobreza social, conforme tem mostrado o jornal da família Maiorana.
No caso, porém, a primeira responsabilidade sobre água e saneamento é do Estado, com órgão de competência específica para água e saneamento, que é a Cosanpa, e recursos federais mais expressivos do que as fontes locais. Logo, a responsabilidade pelo índice infamante cabe à Cosanpa, como proclama o jornal da família Barbalho.
Se, ao invés de caçar um Cristo para o sacrifício em proveito dos seus interesses corporativos e pessoais, os dois grupos procurassem as razões mais profundas para a dissociação entre as grandezas econômicas e sociais do Pará, fariam melhor por seus leitores e a sociedade que dizem defender. Mas o Liberal e o Diário renunciaram de vez a apurar fatos e revelar verdades. O que querem é conduzir o eleitor para as urnas com a opção por seus candidatos: a reeleição de Simão Jatene para que ele continua a irrigar os cofres da empresa com recursos do tesouro e a volta dos Barbalho ao controle da chave dos cofres do erário, a fim de retomar a mesma drenagem malsã.
O alarmante é constatar que dentre os 10 piores municípios do Brasil em água e saneamento, três são paraenses. E são justamente os mais populosos: a capital, Belém (a 4ª pior cidade nesse item fundamental), Ananindeua (a vice-campeã em negatividade) e Santarém (na 10ª posição de trás para frente).
São 2,5 milhões dos oito milhões de cidadãos, um terço dos habitantes do Pará, pessimamente assistidos por esses dois serviços essenciais nas suas maiores cidades (e o que imaginar nos pequenos burgos e vilarejos perdidos na imensidão territorial desse paquiderme desgovernado?). Isso acontece justamente na região que tem a maior bacia hidrográfica do planeta, com 8% das águas superficiais doces da Terra.
Imprensa velhaca, liderança ruim e político corrupto contribuem para que seja mínima a renda de riquezas únicas e exuberantes, como o minério de ferro de Carajás, líder da pauta de exportações do Brasil, que sangra a reserva com uma sofreguidão de bárbaros. E que seja imensa a pobreza geral. Incluindo a pobreza mental, que se exibe à larga nos veículos de comunicação das duas famílias.
Inimigas, ao atirar uma contra a outra, motivadas por seus mesquinhos propósitos, acertam é no leitor de suas publicações e no povo, que, bestializado, como no nascimento da república, assiste a tudo impotente e desarvorado.
Quando ele reagirá?

Discussão

7 comentários sobre “Imprensa marrom, povo amarelo

  1. Oxalá nas urnas, caro Lúcio!

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    Publicado por Maria Christina | 30 de agosto de 2014, 01:12
  2. Essa é talvez a mazela crucial deste Estado, continua-se administrando e trabalhando para grupos. Secularmente reversam-se dois grupos que acham que desenvolver o Pará, é expor feridas de um, contrário ao outro. Política de coronéis, de capitanias hereditárias, de bem e do mau, jamais de uma coletividade, de uma sociedade, de um território que também se mantém unido a força dos interesses menores que não o da população. Lamento profundamente o descaso com o Estado, com a população, com seu desenvolvimento, que cresce desordenadamente pela raça do povo, ou pela conformação desse povo, a nenhuma ou meia obra a cada 04 anos de governo, seja estadual ou municipal. O slogan mais apropriado que encontro para esse estado: PARÁ, TERRA DE POUCOS!

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    Publicado por Ana Maria Faria | 30 de agosto de 2014, 11:39
  3. Infelizmente o nosso Pará não passa de uma província.

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    Publicado por Wanderson Galucio de Queiroz | 2 de setembro de 2014, 03:46
  4. Nunca. Esse povo não é o da história de sempre. Antes, houve um povo que fez a cabanagem, era mais consciente do desrespeito que ocorria na capitania hereditária. Houve outro, que viveu sob a égide de Magalhães Barata. O povo é sempre um instantâneo de seu momento histórico. O ponto positivo é que isso garante renovação. E não é só de mortes e nascimentos, com o tempo, que se renova o povo, mas também de processos históricos que legam a herança cultural continuamente. O problema é que a herança cultural é dinâmica e transforma-se também continuamente, abandonando alguns de seus memes, e adotando novos memes contemporâneos. O que aconteceu com o paraense? Perdeu destaque político nacional. Fosse dado proporcionalmente o mesmo valor que se dá a quem mais produz e exporta, a quem produz e contribui decisivamente ao desenvolvimento nacional, o Pará deveria ter mais destaque e mais respeito. Somos os maiores produtores de minérios e de energia elétrica e não vemos resultados práticos para o povo dessa riqueza produzida. E, como há grande potencial para produzir ainda mais riqueza, é necessário que o povo desperte para que não seja mais assaltado nas suas riquezas e, finalmente, se desenvolva social e economicamente. Hoje, a mesma capitania hereditária, herança dos políticos corruptos da ditadura, continua a beneficiar seus herdeiros bastardos, dada a herança cultural transformada, deturpada. Pior, escamoteada, proibida. Vemos valores cabanos, assim como os republicanos, sendo levados ao esquecimento, ou transfigurados na gratidão do pobre àquele que frauda a eleição com subterfúgios e promessas corretas que nunca serão cumpridas. O feudo paraense tem vivido à míngua por causa da amarelidão dos governos sucessivos desde a ditadura militar, que privilegiou o discurso mentiroso, no vale tudo para manter a servidão aos interesses estrangeiros. O povo precisa despertar da dopagem eleitoral, e exigir rigorosamente as reformas políticas necessárias para que o processo de emburrecimento eleitoral tenha fim. Talvez a palavra de ordem não seja “mudança”, mas “reformas”.

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    Publicado por lopesjunior | 29 de setembro de 2014, 18:44
  5. O pior de tudo isso é que nossos governantes são daqui mesmo, não são ETs vindos para nos dominar. Todos arrotam o orgulho de serem paraenses, pedem votos em troca da defesa de nossa terra e de nosso bem-estar, e depois põem no Governo Federal e no Sul a culpa de nossas mazelas.
    O mote é que somos “periféricos dentro da periferia”. Em se tratando da grande massa sem recursos, até se entende e reconhece e aceita; mas gente de famílias ricas e sobrenomes importantes se considerando “excluídos” já é demais, mesmo aqui no Pará.
    Precisamos de mudança das mentalidades e de substituição de nossa classe dirigente. Mas isso é difícil, não vejo solução a curto ou médio prazo. Talvez a independência?

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    Publicado por Zé da Lamparina | 24 de junho de 2015, 11:21
  6. Geograficamente se estabeleceu um ponto no meio do nada que tudo o que ocorre de pior no Brasil é amplificado : Belém do Pará.

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    Publicado por Ana Silva | 19 de janeiro de 2016, 16:49

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