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Imprensa, Política

Jornais do Pinóquio

O Diário do Pará informou na capa da sua edição de ontem que circulou com 376 páginas e 27 cadernos. Seu concorrente direto, O Liberal, comunicou que no mesmo domingo sua edição foi de 222 páginas em 12 cadernos e quatro revistas. A enorme vantagem foi conseguida pelo jornal dos Barbalho por se tratar de edição especial comemorativa dos seus 32 anos de existência, que atrai muito mais anúncios. Mas ambas as publicações não disseram rigorosamente a verdade aos seus leitores.
O Diário teve 334 páginas porque 112 delas foram impressas em formato tabloide, que equivale a metade da página standard, normal. Logo, para ser rigoroso, o jornal devia ter feito esse esclarecimento e dividido ao meio a contagem das páginas dos seus sete tabloides de domingo.
Já o número real de páginas da folha dos Maiorana é 172 e não 222, já que suas quatro revistas (com 86 páginas) são igualmente tabloides, em menos número do que o concorrente, porém mais encorpadas. Como exigir, entretanto, que o jornal seja correto se frauda a própria numeração da sua edição, no alto da primeira página?
Em novembro O Liberal completará mais do que o dobro da idade do rival, ou 68 anos. A edição de ontem, conforme o registro feito na capa, seria a de número 34.401 (enquanto a do Diário, com 32 anos, foi a 11.004ª). Essa simples comparação é reveladora: para ter realmente essa quantidade de edições, O Liberal precisaria ter o triplo e não apenas o dobro da duração do Diário. Sem considerar as interrupções de circulação na fase (1945/66) em que foi o órgão oficial do PSD (o Partido Social Democrático de Magalhães Barata, dono de um, de outro, e dos “baratistas” em geral) e o período em que só foi às ruas seis vezes por semana, não a semana inteira.
É intrigante que, já alertada várias vezes para esse erro, grave e primário, a direção do jornal nada tenha feito para recolocar a numeração da sua circulação no âmbito das coisas verdadeiras, o que daria menos de 25 mil edições.
E por que essa mentira óbvia foi adotada?
Esse é um mistério, agravado pela circunstância de não se saber a data desse ardil. Teria sido para exibir uma longevidade superdimensionada, que colocasse O Liberal no topo das publicações periódicas brasileiras? Se foi, é uma história tão convincente quanto as que o jornal conta todos os dias. Talvez por isso, simbolicamente, a edição cresceu – como o nariz do boneco de madeira imortalizado por Carlo Collodi – por sinal, um italiano, como os ancestrais do fundador do império de comunicação, Romulo Maiorana.

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