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Imprensa, Justiça, Política

O Liberal: ato inédito e grave

O Diário do Pará diz hoje: O Liberal antecipou a sua edição de domingo, que circulou ontem, junto com a de sábado, para não cumprir decisão do juiz eleitoral. Marco Antonio Lobo Castelo Branco determinou, na noite de sexta-feira, a suspensão da publicação de mais uma pesquisa do Ibope encomendada pela TV Liberal. A coligação partidária que apoia a candidatura de Helder Barbalho ao governo do Estado alegou que a pesquisa foi fraudada, como a anterior, divulgada no dia 14, que está pendente de deliberação final da justiça.
O juiz concedeu de imediato a liminar pedida. Reconheceu como caracterizada na petição “a relevância do direito invocado e a possibilidade de prejuízo de difícil reparação” pela divulgação da pesquisa. A coligação liderada pelo PMDB suscitou dúvidas consistentes de induzimento ao resultado, em favor do candidato oposto, o governador Simão Jatene, do PSDB. Pelos resultados apresentados pelo Ibope, ele venceria já no 1º turno, mas também seria o vencedor na simulação do 2º turno. Sua vantagem sobre Helder Barbalho foi ampliada. Agora seria de 6%.
Como nesta fase final da campanha eleitoral o plantão judicial permite decisões rápidas, a sentença provisória foi imediatamente publicada no site do Tribunal Regional Eleitoral e a TV Liberal, que encomendou o serviço ao Ibope, comunicada.
Nesse momento os Maiorana teriam decidido antecipar a circulação da edição dominical do jornal, que ainda estava sendo elaborada na madrugada de sexta-feira para sábado, e fazê-la circular incorporada à edição de sábado, segundo a versão apresentada hoje pelo Diário do Pará. Se a manobra for provada, o jornal pode ser multado em um milhão de reais, valor arbitrado pelo juiz para o descumprimento da sua decisão.
Castelo Branco decidiu suspender logo a divulgação da pesquisa, assim que recebeu o pedido da coligação pró-Helder. Considerou que, passível de reparação pela via civil e criminal, mas a posteriori, o dano jamais poderá ser ressarcido na esfera eleitoral, como fato já consumado, “o que traz prejuízos ao eleitor”.
Com os recursos normais do processo, mesmo que caracterizada a fraude na pesquisa, ela seria divulgada enquanto o juiz examinasse o mérito e, mesmo que suspensa, já teria exercido o poder de influir sobre a decisão do eleitor.
Segundo a petição, o Ibope não fez o detalhamento da pesquisa por bairros e municípios, “dados que fazem toda a diferença nos resultados finais”. O instituto admitiu a infração. A ponderação dos questionários não seguiu a importância demográfica dos municípios pesquisados. Em Salinas, com menos de 40 mil habitantes, foram aplicados 112 questionários, enquanto em Santarém, com quase 300 mil habitantes, foram ouvidas apenas 56 questionários. O primeiro município é reduto de Jatene. O segundo lhe é desfavorável. Já Marabá e Altamira, também contrários à reeleição do governador, embora relacionados entre os 44 municípios da pesquisa, dela foram excluídos, sem qualquer justificativa.
Se realmente O Liberal saiu antes para não cumprir a decisão judicial, o Diário tem razão em classificar a manobra como “inédita e desesperada”. Ela, de fato, representaria mais um golpe que o jornal aplica “na democracia, no eleitorado paraense e na justiça eleitoral”.
Reincidente na prática de publicar pesquisas eleitorais com indícios ou evidências de fraude, desta vez o jornal dos Maiorana cometeu “o maior crime de que se tem notícia no Pará em termos de estelionato eleitoral porque as circunstâncias desmoralizaram e a própria instituição do Poder Judiciário”, diz o Diário, acrescentando, em tom dramático: “Para que serve uma sentença judicial se a intenção condenatória vaza e o condenado se antecipa para escapar impunemente dos efeitos pretendidos pela Justiça?”.
Há fortes indícios em favor dessa hipótese. Ficou evidente que a decisão de colocar dois jornais sucessivos no mesmo dia foi tomada à última hora. Não houve condição de preparar os gráficos nas páginas internas, como de hábito. A ilustração se restringiu à primeira página.
Conforme assinalei no comentário de ontem, essa parada para “manutenção industrial”, conforme a explicação dada na capa da edição híbrida de O Liberal, é inusitada, inédita e estranha. Por que fazer a manutenção, que pode ser programada (e é em si mesma duvidosa) justamente no dia em que entrou em vigor a suspensão da divulgação da pesquisa?
Na nota “aos leitores”, o jornal dos Maiorana anuncia que a edição de ontem estava circulando “com duas datas”. Não é exatamente a verdade e a diferença não é apenas formal. A edição de domingo é que invadiu, como intrusa, o jornal que circulou normalmente no sábado. A segunda data é espúria. Nada semelhante foi registrado nos anais da imprensa mundial, exceto quando se trata de prática usual ou rotineira.
Antecipando a edição de domingo, O Liberal descaracterizou a desobediência a decisão judicial? Os Maiorana devem estar certos que sim. No entanto, se demonstrada a mentira divulgada pelo jornal, ele agiu com fraude. E nesse caso o seu desejo de não cumprir a ordem do juiz eleitoral o incriminará e sujeitará às penas da lei. Finalmente?

Discussão

4 comentários sobre “O Liberal: ato inédito e grave

  1. Lúcio Flávio Pinto, eu fiz um análise dessa situação. Pela primeira na minha vida que eu vejo na história do jornalismo paraense acontecer isso: um jornal circular com duas datas, a de sábado e domingo, simultaneamente. Mas o fato, não é inédito para o domingo e segunda-feira.

    Eu me lembro que na década de 90, quando “A Província do Pará” ainda circulava, ela vinha com duas datas no cabeçalho de cada página: a data de domingo e de segunda. Isso era feito pra dá folga aos funcionários no “plantão” de domingo. Vc sabe disso, pois foi funcionário da casa. Aqui mesmo, em Piracicaba (SP), onde moro atualmente, os três diários (Jornal de Piracicaba, Gazeta de Piracicaba e A Tribuna Piracicabana) circulam no domingo (com a data desse dia), mas não nas segundas.

    Mas esse feito praticado pelo “O Liberal” só tem uma explicação plausível: divulgar o mais rápido possível uma pesquisa eivada de erros de coleta de dados e que o juiz eleitoral concedeu, na sexta-feira, dia 266, uma LIMINAR SUSPENDENDO A DIVULGAÇÃO desta pesquisa. Mas como, eles tinham que publicar de qualquer forma, jogando para a população paraense, um embuste, visando confundir a cabeça do eleitor, eles adiantaram e foram rápidos de fazer isso no sábado pela manhã.

    Com isso, o grupo alegaria, como vai alegar, no futuro, que eles não foram notificados pelo oficial de justiça de plantão, dessa liminar que suspendia a divulgação dessa pesquisa fraudada! E que a notificação só chegou na sede do jornal, pela manhã, quando o “tabloide” já estava na rua, na tela do computador e na casa do assinante enganado.

    A prova maior que essa pesquisa é factoide, é que em nenhum telejornal da emissora do grupo (JL 1 e JL 2), nas edições de ontem, eles mostraram a dita pesquisa como reportagem. “Nós, como telespectadores, ficamos a ver navios”.

    E outra alegação que a família dos “Maiorgrana” podem fazer é que a pesquisa foi realizada exclusivamente para a emissora (uma vez que a suspensão foi direcionada para a TV, a contratante — como pode ser lido no primeiro fac-símile da liminar: ), mas que poderia ser divulgada no jornal impresso (????). Isso é querer brincar com a inteligência do eleitor mediano!

    Mas o que dele está guardado, como diz o adágio popular e a música da Maria Bethânia. Se for feito a justiça de fato: a multa pelo descumprimento da decisão judicial é de R$ 1 milhão!!!

    Abraços desde Piracicaba.

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    Publicado por Paulo C. Santos | 28 de setembro de 2014, 20:40
  2. Como dizia um velho mestre ” só a arte salva” !

    Nada mais verdadeiro neste momento diante dos fatos aqui analisados sobre o “ato inédito e grave” do jornal das ORM . . Os artistas que participam de suas exposições nesta edição do ARTE PARÁ deveriam reagir diante de tanto abuso politico-eleitoral do grupo contra a sociedade e promover um movimento “ocupe as ORM” ou ” desocupe as ORM” ou um “desocupaço artístico das ORM ” ! em protesto , em repúdio a esta situação . Como queiram …

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    Publicado por Marly Silva | 29 de setembro de 2014, 19:43
  3. Se pesquisas eleitoras fosem proibidas séria de grande valia para o povo tão instruído que o Pará tem, pôs passariam a se ligar em estatísticas e povo de primeiro mundo prioriza a filosofia, matemática, física e ciências biológicas por isso tem seu padrão de vida já nos do fim do mundo e último a se emancipar de Portugal ainda vivemos um quadro político vergonhoso onde o disse me disse e pessoas mau informadas ou mal intensionadas se aproveitam já lei só funciona para ladrão de galinha e pensão alimentícia.

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    Publicado por Albino Lopes | 30 de setembro de 2014, 22:21
    • É impossível banir ou evitar as pesquisas. Na democracia, nem é desejável. O problema está na atitude da justiça eleitoral e do Ministério Público. Eles deviam checar as pesquisas antes de autorizar o seu registro e não a posteriori. Uma vez registradas, as pesquisas têm oito dias para serem impugnadas. Mas aí Inês pode estar morta e o leite, derramado.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 1 de outubro de 2014, 10:49

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