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Imprensa, Justiça, Política

O silêncio e a mentira

A decisão de ontem do TRE, cancelando a multa de um milhão de reais que fora aplicada à TV Liberal na véspera da eleição do 2º turno para o governo do Estado, não mereceu uma linha sequer da edição de hoje do Diário do Pará. Se a deliberação do tribunal fosse pela manutenção da decisão do juiz Marco Antonio Castelo Branco, o jornal da família Barbalho teria feito um carnaval na primeira página – contra o concorrente comercial e o inimigo político.

O jornal da família Barbalho perdeu o rumo profissional. Voltou a se incorporar sem reservas à campanha eleitoral de outubro em defesa dos interesses políticos de um dos seus donos, o ex-prefeito de Ananindeua, Helder Barbalho, que disputou o governo pelo PMDB contra Simão Jatene, do PSDB. Foi o mais grave retrocesso do jornal na busca pela profissionalização, que sempre empacou na muralha de interesses dos seus proprietários, a começar – e, principalmente – pelo senador Jader Barbalho.

Desta vez, tendo ido mais longe na sua parcialidade e passionalismo, o jornal não conseguiu retomar um padrão minimamente decente de jornalismo. Foi essa obtusidade que o fez ignorar a sessão de ontem do Tribunal Regional Eleitoral, que teve significado histórico.

Se confirmasse a decisão do juiz singular, aplicaria a maior multa eleitoral do Estado e do país em cima do maior grupo de comunicação do norte do Brasil. A reforma da decisão podia ser cogitada, mas as razões apresentadas ofendem a verdade dos fatos. A volta atrás do próprio juiz coloca em questão a seriedade da apreciação pelo colegiado.

Beneficiado pela nova decisão, O Liberal a anunciou em manchete de primeira página. Na matéria interna, defendeu a revisão dizendo que a ordem judicial foi cumprida pela TV Liberal na noite da sexta-feira, 26 de outubro. A emissora já fizera três chamadas que antecipavam a divulgação da pesquisa do Ibope, quando recebeu a intimação judicial e suspendeu o que estava programado.

Só que na tarde dessa sexta-feira encaminhou a pesquisa ao jornal do grupo. “Tanto o impresso como o [portal] ORM News não foram notificados da decisão da liminar. Como o jornal da e sábado fecha na noite de sexta-feira o resultado da pesquisa acabou sendo publicado no dia seguinte”, diz a notícia de hoje de O Liberal.

O texto é uma confissão de culpa. Na verdade, a impressão da edição de sábado foi suspensa logo depois da ciência da ordem judicial pela TV Liberal. Com a paralisação das máquinas, os jornaleiros não encontraram a edição de sábado quando foram buscá-la na oficina do jornal.

Foram então informados que o jornal de sábado iria circular mais tarde, junto com a edição de domingo. O ardil foi montado para justificar o que o texto da matéria de hoje diz com todas as letras: como a edição de sábado já estava sendo impressa, não foi mais possível impedir que a pesquisa fosse publicada.

Ou seja: O Liberal dá uma banana para a justiça, enquanto o Diário do Pará faz de conta que nada existe.

Pobre opinião pública paraense.

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