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Política

O quase secretário

Como era previsto, o Conselho Nacional de Justiça não autorizou o juiz Antônio Carlos de Almeida Campelo se licenciar da 4ª vara criminal da justiça federal em Belém, da qual é titular, para ser secretário de segurança pública no novo mandato do governador Simão Jatene. Parece que o magistrado, tornando-se desatento para o inconveniente, se deixou levar pelo canto de sereia de O Liberal. O jornal patrocinou ostensivamente a sua candidatura até a véspera do anúncio de outro nome para o cargo, o do general Jeannot Jansen da Silva Filho, feito hoje.

Seria um inédito e mau exemplo, caso o CNJ permitisse que um juiz, ao qual a constituição confere prerrogativas excepcionais no serviço público para exercer sua função com independência e autonomia, se tornasse um subordinado do chefe de outro poder, o executivo,, demissível a qualquer momento, por exercer cargo de confiança. Assumir um cargo desses impediria o juiz de retornar ao judiciário, pela perda da sua condição de imparcialidade, mesmo que apenas em tese.

Ao publicar várias vezes, como balão de ensaio, que o juiz fora convidado por Jatene, aceitara o convite e apenas esperava pela liberação do CNJ, O Liberal se credenciava a tratamento especial por parte do  quase-secretário. Tratamento, aliás, que ele já dispensara a Romulo Maiorana Júnior, o principal executivo do grupo Liberal, quando, em 2011, ele foi depor, como réu, na 4ª vara federal, acusado de fraude para obter recursos dos incentivos fiscais da Sudam.

Se o patrocínio tivesse vingado, havia ainda outro inconveniente: Campelo passaria a ser chefe da sua atual esposa. Ela acabou de concluir o curso de formação de delegada de polícia. Pela praxe, devia ser designada para um posto no interior do Estado, onde o policial inicia a sua carreira, como outros servidores públicos.

Discussão

2 comentários sobre “O quase secretário

  1. Concordo Lúcio. Infelizmente, a Polícia Civil do Pará ainda não dispõe de um plano de carreira, o que legitima a praxe como critério de remoção de policiais no Estado.

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    Publicado por Marilene Pantoja | 1 de janeiro de 2015, 11:08

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