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Energia

A linha que parou

O dia 25 de janeiro devia ter sido uma data importante para Roraima, o mais setentrional do Brasil. Era o dia previsto para a interligação do Estado ao Sistema Integrado Nacional, completando toda a cobertura do território nacional pelo SIN. Mas a linha de transmissão de energia, que devia ter sido construída durante três anos, ainda não foi nem iniciada.

A partir de agora, cada ano de atraso custará à concessionária um bilhão de reais. A obra toda devia sair por 1.2 bilhão. O prejuízo por atraso é grande porque a Alupar Investimento, que tem 51% das ações da concessionária (os outros 49% são da Eletronorte) já imobilizou 260 milhões de reais com a aquisição antecipada de máquinas e equipamentos, além de pagamento de indenização e outras despesas pré-operacionais.

A linha entre Manaus e Boa Vista tem 750 quilômetros de extensão e está entalada num trecho pequeno, mas com um complicador por ser área da reserva dos índios Waimiri-Atroari. O impacto da obra será quase nenhum porque o linhão aproveitará a faixa de domínio da BR-174, que faz o mesmo percurso. Todos os órgãos envolvidos no licenciamento ambiental já foram consultados e aprovaram a construção. Menos a Funai.

A Fundação Nacional dos Índios condiciona a liberação à consulta aos Waimiri-Atroari, a ser seguida por um período de consolidação da audiência, que ainda não foi marcada. Linhas de transmissão como essa são levantadas em áreas urbanas de densa ocupação, como em Belém, sem provocar tantos cuidados (ou mesmo nenhum). Mas a Funai alega uma convenção da OIT (ainda não regulamentada no Brasil) para exigir a prévia audiência dos índios.

O problema é que esse impasse demora a ser resolvido e a sua persistência tem custos que afetarão uma obra de importância vital para a população de Roraima. Atualmente o Estado recebe a precária energia que vem da Venezuela e a produzida por caras e poluentes usinas térmicas. O consumo de energia na região é de 160 megawatts, dos quais a Venezuela só pode atender 95 MW.

A linha que leva a energia da hidrelétrica de Tucuruí a Manaus já foi concluída sem esse tipo de problema. Ele não decorre de um excesso de cuidados de um lado e falta de acuidade com o outro lado?
A controladora da Transnorte Energia é uma empresa com tradição de 50 anos na construção de linhas de transmissão. Levantou mais de 5,7 mil quilômetros de linhas pelo país, em 21 sistemas operacionais. É a única empresa 100% privada do setor. No ano passado colocou para funcionar a segunda das três turbinas (cada uma com potência de 84 megawatts) de uma hidrelétrica em Ferreira Gomes, no Amapá, que já está gerando 115 MW médios (para uma capacidade nominal de 178 MW, que chegarão a 270 MW no final). O cronograma está adiantado 73 dias em relação aos prazos do contrato de concessão. È de se presumir, por esses dados, que seja uma empresa competente no que faz.

A situação, no conjunto das obras do sistema nacional de energia, é estranha – ou insólita.

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