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Imprensa

Sangue & sangue

O tabloide de polícia da edição de hoje do Diário do Pará, com 10 páginas nesse formato menor, publica oito fotos de cadáveres. Não é o recorde, que bateu em 12 “presuntos”. Mas registra um feito, embora negativo: a foto de um dos assassinados ocupa página inteira do caderno.

Na página dupla dedicada ao tema, o texto é minúsculo. As duas fotos de cadáveres ensanguentados se espalham por três quartos da página dobrada central. Sensacionalismo de primeiro. Jornalismo de última.

O Jornal da Tarde, o vespertino de O Estado de S. Paulo, demonstrou que é possível fazer reportagem policial decente, que pode ser lida com vivo interesse pelo leitor mais exigente e pelo público mais sádico. Basta que o jornal selecione repórteres capazes de escrever bem e claro, contando uma história fluente a partir da maior riqueza de dados possível de apurar. Nada de reproduzir apenas o boletim policial ou inventar informações.

Duvido que o jornal perca leitor. Em compensação, faria uma campanha contra a espantosa violência dos nossos dias em Belém e no Pará muito mais competente, com maior repercussão? Uma olhada na coleção de A Província do Pará dos anos 1960 a 1970 mostraria que o bom modelo foi aplicado por aqui também. Nesse particular, o que houve de lá para cá foi involução.

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