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Imprensa, Violência

Violência rotineira

Na seccional da Marambaia, o pai de Rafael Costa dos Santos admitiu: o filho, de 23 anos, já estivera preso, acusado de homicídio. Cumpriu parte da pena e saiu da penitenciária com liberdade condicional. No sábado passado circulava de motocicleta no bairro da Guanabara, onde morava, na Guanabara, na periferia de Belém. Fazia assaltos com um amigo, Laércio Lopes Martins Neto, da mesma idade. Quando fugiam com o produto do roubo, próximo ao shopping Castanheira, depararam com um homem, até agora não reconhecido, que puxou um revólver e matou os dois.

Já o avô de Erick Mateus Nogueira, de 16 anos, teve que prestar informações na delegacia do Outeiro. Menor, o neto fora apreendido “diversas vezes” por roubo, cumprindo medidas socioeducativas. Tentou praticar mais um na praia. Mas foi perseguido por várias pessoas que o viram em ação. Ainda tentou escapar pulando o muro de um condomínio. Foi agarrado e linchado até morrer.

São histórias de mais um fim de semana sangrento, com o enredo de sempre: a maioria dos crimes acontece na região metropolitana de Belém, tendo jovens como autores e vítimas; execuções sumárias, em geral a tiro, a muito tiro, às vezes com pistolas de maior potência; boa parte dos protagonistas tem antecedentes criminais; a família é envolvida cada vez mais na criminalidade, voluntariamente ou sem querer, também como vítima ou já na coautoria.

É espantoso que esse morticínio diário não revolte a população e não faça as autoridades da segurança pública e de outras estâncias do governo sair da pasmaceira de todos os dias, da rotina impotente, da convivência criminosa com esse descarte cotidiano de seres humanos – ainda que pobres, da periferia, com maus antecedentes, sem perspectiva de melhora, com contribuição negativa para a sociedade. Têm direito a oportunidade de vida melhor.

Parece que enquanto forem esses os envolvidos nessa brutalidade, é melhor deixar que eles fiquem a cargo dos policiais, legistas e repórteres, que desfrutam dessa matéria prima macabra. Sobretudo o Diário do Pará. Na sua edição de hoje, o jornal do senador Jader Barbalho estampou 11 cadáveres, em nove fotos. Duas delas abrangeram dois “presuntos” cada, os dois motoqueiros assaltantes. Felizmente, com a volta da tarja eletrônica, que vai se transformando num sinalizador das edições desbragadamente ou moderadamente sensacionalistas.

Discussão

2 comentários sobre “Violência rotineira

  1. Enquanto um bandido valer mais que um policial Enquanto a certeza de impunidade prevalecer Enquanto o direito humano só existir para bandido, Nada poderá ser feito ou conseguido No Chile as cadeia não estão lotadas nem tem menores infratores como aqui Lá a lei existe e é respeitada

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    Publicado por Eduardo Daher | 30 de março de 2015, 18:12
  2. O grande problema consiste na falta de cultura. O saber escolar deixou de ser atraente. Inexiste partes para adolescentes brincar. Os bandidos do colarinho alvo deveriam acabar como no Chile. Um policial federal foi executado em GO e nada foi apurado, estava visitando a tumba do pai, ele prendeu Carlinhos Cachoeira, o povo esqueceu que o policial era do bem; se fosse executado por um menor? Se o mandante fosse preto? Quem mandou? Por que continua… No chile as leis punem o rico e o pobre. No Chile existem jornais que contribuem para o conscientizar como o JP.

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    Publicado por Erick Matheus Vieira | 31 de março de 2015, 10:11

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