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Grandes Projetos, Minério

Carajás derrubará Austrália?

Em menos de um ano, o minério de ferro de Serra Sul, em Carajás, no Pará, entrará no mercado. Toda a sua produção, que chegará a 90 milhões de toneladas, praticamente dobrando o que Carajás já fornece, estará garantida por um contrato bilionário que a Vale assinou, nesta semana, com bancos da China. Em troca de uma compra quase integral do que sairá da jazida de S11D, o maior projeto de mineração em curso no mundo, os chineses receberão o minério mais rico que existe, com teor de 67% de hematita contida na rocha.

Para se ter uma ideia da qualidade do produto, a mineradora brasileira está lançando o Brazilian Blend Fines, um novo produto, superior ao minério padrão do mercado, com teor de 63% de ferro, em condições de competir com os melhores minérios da Austrália, que é a líder mundial em volume físico.

O problema é que o melhor produto australiano, como o Brockman Premium, deverá acabar em menos de 14 anos. Ele é usado principalmente para elevar o teor e viabilizar outros minérios australianos de mais baixa qualidade, que são os predominantes. Se a situação já se tornará difícil para os australianos com esse produto, ficará pior quando o S11D entrar em operação.

As maiores mineradoras australianas, a Rio Tinto e a BHP, com a queda do preço da commodity, pareciam não ter mais competidores com os quais dividir a liderança. Com os custos operacionais abaixo de 20 dólares a tonelada, a RTZ assumia o alto da pirâmide das mineradoras, tendo atrás de si a BHP.

O problema agora é que a mais nova mina de Carajás, com previsão de entrar em funcionamento no início de 2016, terá um custo de US$ 11 a tonelada, graças ao seu excepcional teor de pureza, sem igual no mundo. Bom para a Vale, ótimo para os chineses. E para o Brasil?

Discussão

2 comentários sobre “Carajás derrubará Austrália?

  1. Caro Lúcio,
    Em recente curso ministrado por vários professores mestres da UFPa., em Parauapebas, focando as idiossincrasias existentes nos municípios mineradores, a questão que tu deixas para a reflexão dos seus leitores, na última frase do artigo, foi exaustivamente debatida durante o curso. A agonia reinante em Parauapebas e municípios no entorno das jazidas da Vale, é vista no movimento do comércio de secos e molhados, podemos dizer assim. Há uma sufocante paradeira. Por outro lado, nos segmentos voltados para a mecânica pesada, pneus, peças para todo tipo de veículos. Aluguél de carros, de equipamentos motorizados para apoio às minas, abertura do ramal ferroviário S11D linha mestra da ferrovia, que se duplifica, o movimento é bem maior. O que seria ótimo para o Brasil? Essa é questão mais levantada. E respondida com os investimentos feitos pela Vale nas atividades que gravitam em torno da exploração mineral. E fica, ainda, o maior temor: e quando tudo se acabar. O que será de nós?
    Abraços,
    Agenor Garcia
    jornalista.

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    Publicado por agenor garcia | 2 de junho de 2015, 09:28

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