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Cidades, Economia

Belém: ainda a capital?

Parece que a redivisão territorial do Pará será mesmo uma fatalidade, uma tendência inevitável. Belém continua a se esvaziar economicamente e demograficamente, perdendo posição no conjunto nacional e internamente. É o que mostram as Estimativas da População para Estados e Municípios, publicação do IBGE divulgada ontem.

O Pará se mantém como o 9º Estado em população do Brasil, mas Belém caiu para a 11ª posição. O crescimento da sua população entre 2014 e julho deste ano foi de 0,47%, enquanto o crescimento nacional foi quase o dobro, 0,86%, e o estadual atingiu 1,25%.

A população de Ananindeua, de 505 mil habitantes, já superou um terço da população da capital, que não chegou a 1,5 milhão (1.439.561, segundo os cálculos do IBGE). O que impressiona, porém, é o deslocamento de população internamente e a migração para o interior do Pará. Marabá, na 4ª posição, com 292.500 habitantes, está encostando em Santarém, a 3ª, com262.050. Impressionante é o crescimento de Parauapebas, de 3,58%, que a fez subir para o 5ª maior município paraense, com 189.921, já à frente do seguinte, Castanhal (189.784).

Proporcionalmente ainda mais expressivos são os incrementos demográficos de São Félix do Xingu, de 4,3%, fazendo-o subir para 11º lugar (116.181 habitantes) e Canaã dos Carajás, de 3,9% (32.632). Todos eles em áreas pioneiras, por onde há a expansão da fronteira econômica em dinâmicas que independem de Belém e, por isso, rejeitam o seu controle e jurisdição.

É a configuração de uma espacialidade nova, que desafia Belém. Se a cidade quiser manter sua condição de capital desse território em uma dinâmica nova, vai precisar responder ao desafio que a história atual lhe impõe. Ou será atropelada pelos fatos.

Discussão

4 comentários sobre “Belém: ainda a capital?

  1. Lúcio, corrija aí o atropelo populacional entre Marabá e Santarém. A população de ambos foi trocada no texto.

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    Publicado por André Santos | 30 de agosto de 2015, 12:18
  2. Belém:

    -Falta Água
    -Não Tem prefeito
    -Trânsito Caótico
    -Violência
    -Moradias Caras
    -Sem Empregos
    -Sem conforto
    …………..

    Quem que aguenta? Quem tem oportunidade não pensa duas vezes em deixar a capital paraense que se tornou um dos piores locais de se viver. Entre as capitais, provavelmente só deve perder para as companheiras do norte (exceto Manaus) em termos de ausência de infra-estrutura ou qualidade de vida aos seus habitantes.

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    Publicado por everaldo | 2 de setembro de 2015, 00:08
  3. Caro Lúcio, a estabilização demográfica na capital teria, ao menos, uma vantagem: frear o crescimento desordenado num território já saturado por uma infra-estrutura pífia. A própria configuração territorial de Belém desaconselha a continuidade do crescimento populacional. Quase uma península, a capital é “estrangulada” pelos rios e pelo chamado “cinturão institucional” que a cerca da UFPa até os conjuntos da Aeronáutica. Isso não é ruim em si, pois pode ter detido um crescimento ainda mais selvagem, que arrasaria o que restava de matas nos arrabaldes da cidade. A verticalização de Belém parece ser um sintoma de outra ordem, o da tentativa de manter em Belém a população que quer continuar nos bairros nobres, já sem espaço para um crescimento mais ordenado. Ficaria mais feliz se essa mudança nos valores de crescimento estivessem condicionadas a políticas mais sensatas de redistribuição de riquezas e bom planejamento territorial. Ao que parece, entretanto, é ela mais um resultado de dinâmicas econômicas muito além da capacidade estatal de ordenação territorial.

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    Publicado por Allan Araujo | 29 de novembro de 2015, 11:46

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