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Política, Violência

Cadê o governador?

Onde está o governador do Estado, Simão Robison Jatene?

Eu podia pegar o telefone, ligar para uma meia dúzia de fontes e saber do paradeiro de sua excelência. Preferi neste momento proceder como um cidadão comum. Se tem que aparecer para mim, o governador tem que aparecer para qualquer um dos 2 milhões de habitantes da Grande Belém ou dos 8 milhões de paraenses espalhados por este território de continente.

Os belenenses estão muito assustados. O cidadão comum anda receoso pela rua. A família que pode evitar circular. Todos se comportam como se estivesse para cair uma tempestade. Pode ser uma nova chacina. Pode ser um novo ataque a policial, do qual logo derivará uma chacina. Pode ser um desses assaltos e assassinatos cotidianos sem conexão entre si. Pode não surgir nada. Mas a população está assustada, indefesa, com medo, revoltada e indignada.

A maior autoridade pública do Estado devia já ter feito, pelo menos, o seguinte:

1 – Reunido todo o sistema de segurança pública e determinado o início de uma operação reforçada de segurança, colocando, em turnos alternados, todo efetivo policial na rua, com um plano de ação ordenado e entrosado, para apresentar resultados, dentro da lei.

2 – Ido pessoalmente dar meus pêsames ou seu conforto pessoal às famílias do PM assassinado e do outro PM gravemente baleado.

3 – Feito o elogio dos oficiais que deram proteção ao hospital da Unimed, para impedir um novo atentado à vida de um cidadão e ao grau de civilização de um povo, seja lá de quem for.

4 – Convocado um pronunciamento público pelos meios de comunicação para prestar contas do que fez, do que vai fazer e do que espera de cada um para que a normalidade e a paz voltem a se estabelecer na comunidade.

5 – Demitir todos os servidores públicos, especialmente os detentores de cargos de confiança, que não se portaram com competência, dignidade e coerência no exercício das suas funções.

Mas o governador sumiu. E o seu desaparecimento causa uma grave lesão à sua autoridade. O pai do militar assassinado se investiu do direito, conferido por sua dor, de chamar à ordem o governador, criticá-lo e quase ofendê-lo. O excesso da mensagem pela internet de Ílson Pedroso tem que ser relevado pela circunstância de que nem ele, sua família e o cadáver do seu filho receberam o apoio do governador. E a presença do secretário de segurança pública, um homem de gabinete, foi tardia.

Quando o Estado renuncia à sua função na sociedade, que é o de arbitrar, dirimir conflitos, orientar e dar uma diretriz civilizatória, reina a barbária, o caos, a desordem. É a vez de Behemoth ou Leviatã. Da próxima vez, o fogo.

Discussão

3 comentários sobre “Cadê o governador?

  1. Lúcio,

    Faço acordo com todos os pontos levantados, mas acho importante problematizar que a estrutura militarizada da segurança pública também precisa ser revista, de modo que os policiais (ou os responsáveis pela segurança da cidade) tenham um treinamento humanizado e uma conduta ética. De nada adianta inflar as ruas de policiais se eles mesmos alimentam ciclos de violência social, se eles mesmos muitas vezes são canais responsáveis pelo tráfico de drogas e armas, se eles mesmos não se percebem como integrantes de um sistema urbano “civilizado”, não moldado por hábitos medievais de tortura, humilhação e assujeitamento. É um crime grave o que o governador tem feito, e o alimento dessa máquina de violência chamada Polícia Militar, para controle da população de todos os cantos de Belém e do estado, também.

    Abs,

    Paloma

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    Publicado por pal0 | 30 de outubro de 2015, 13:47
  2. Eu não tive nenhuma surpresa com o fato de o Governador do Estado, mais uma vez, ter sumido de cena depois da ocorrência de mais uma fato gravíssimo ocorrido na grande Belém. É mais um sinal da omissão de um dos piores governadores que o Estado do Pará já teve!!!

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    Publicado por mvpsantos | 4 de novembro de 2015, 10:06

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