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Política, Violência

A violência política

O governador Simão Jatene rompeu o inquietante silêncio e se manifestou, afinal, sobre a mais recente onda de violências em Belém. Não por uma cadeia de emissoras de rádio e televisão, mas por seu facebook, no fim da manhã de quinta-feira, 29, quatro dias depois da morte do soldado Vítor Pedroso e dois dias após a execução do seu suposto assassino, por um grupo de homens encapuzados, dentro de um hospital da Unimed, e o ferimento do sargento Alberto.

Como atesta o próprio facebook, falou, acima do governador, o cidadão Jatene. Formalmente, portanto, o governador ainda deve à sociedade paraense uma declaração oficial.

Na sua mensagem pela internet, Jatene lamentou as ocorrências. Informou ter tomado todas as providências, manifestando uma convicção: “Tenho acompanhado os trabalhos de investigação e estou certo que a nossa polícia identificará os culpados, que responderão pelos seus crimes na justiça”. Essa previsão ainda não se cumpriu.

A partir daí, prevaleceu a política sobre a segurança pública, a posição do governador sobre os interesses da sociedade. Jatene se julgou no dever (ou direito) de alertar “sobre certos comportamentos, aparentemente inexplicáveis, que tem [têm] usado os tristes episódios, para disseminar boatos e tecer inverdades, que, além de nada contribuírem para a resolução dos casos, parecem querer acirrar ânimos e tirar o equilíbrio necessário nessas horas, inclusive daqueles que têm a missão de fazer valer a estabilidade social e a justiça”.

A quem se dirigiu a mensagem, que não identificou destinatário? A resposta vem através da exemplificação desse comportamento, na divulgação de informação “absolutamente infundada e despropositada, de que o governo remeteu “coroa de flores” para a família de um dos responsáveis pela morte do policial Pedroso. Mesmo sem saber o que pretende o autor ou autores de tal ideia, duvido que qualquer bom motivo enseje semelhante atitude”.

Novamente o recado não aponta o destinatário, mas é óbvio que Jatene se dirige aos seus inimigos políticos. Qual o maior deles? O senador Jader Barbalho e seu grupo de comunicações, à frente Diário do Pará.

De fato, o jornal faz campanha sistemática contra o governo tucano. A recíproca é verdadeira: a administração Jatene e seu principal aliado, o grupo Liberal, da família Maiorana, fizeram uma declaração de guerra ao grupo Barbalho. Travam batalhas em todos os frontes: jornalístico, comercial e político.

O que é o interesse público diante dessa radical e obsessiva disputa pelo poder absoluto? Os dois lados perderam o senso de equilíbrio, as medidas da realidade e a diretriz do interesse público. A violência das ruas tem seu equivalente na violência dos gabinetes privilegiados.

Diante da gravidade da situação, seria de esperar que os dois lados declarassem uma trégua, sem deixar de exercer suas funções, mas realizando-as pelos parâmetros da verdade, e procurassem combinar esforços para favorecer a sociedade.

Mas isso já virou utopia no Pará? É impossível, mesmo sob trégua, aproximar necessidades gerais de pontos em comum para que a política não seja, para o ignorado cidadão, algo equivalente à criminalidade?

Discussão

2 comentários sobre “A violência política

  1. Eu fiz o seguinte comentário na página dele no Facebook: “Estes esclarecimentos tem que ser feitos na mídia televisiva e impressa para que o cidadão, morador de Belém, não tenha a impressão de omissão do Governador do Estado, como de resto vem acontecendo em outros episódios de violência ocorridos no Pará.”

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    Publicado por mvpsantos | 3 de novembro de 2015, 09:49

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