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Sem categoria, Violência

Os desaparecidos

O maior serviço prestado pelos dois jornais da família Maiorana ao interesse público é de responsabilidade do irmão menor e mais novo, o Amazônia. Aos domingos, esse jornal publica uma página com as fotos de pessoas desaparecidas. É um trabalho simples: a iniciativa é toda dos parentes dessas pessoas. O próprio jornal não dá a tais informações o desdobramento possível – e necessário. Mas já é uma iniciativa de valor.

Na página de ontem, 14 das 15 pessoas desaparecidas eram mulheres, das quais 12 com idades entre 13 e 17 anos; quatro com 16 anos. Uma era uma criança de 3 anos – ou terá mais, se a foto é antiga? Todas as outras também não podem ser antigas, aquelas disponíveis no momento pelas famílias, não as do momento do desaparecimento?

Como o jornal se limita a publicar os nomes e as idades das desaparecidas, sem qualquer acréscimo, essa página é apenas um ponto de partida para a investigação que a gravidade do problema exige. Mas algumas constatações se tornam evidentes, mesmo com poucos dados disponíveis.

A primeira é a predominância ou mesmo  a total prevalência de jovens do sexo feminino, o que sugere que os casos são mais de rapto, sequestro ou fuga induzida do que de deliberada opção pela saída da casa da família.

Se o jornal não trabalhar sua base de dados, convinha que algum pesquisador (sem falar na polícia, que deve ter um cadastro muito maior, sem que disso resultem necessariamente resultados positivos) levantasse pistas a partir das páginas do Amazônia para reconstituir o caminho dessas pessoas e chegar ao seu destino e a quem as encaminhou – ou desencaminhou. Um destino, na maioria das vezes, cruel.

Vidas humanas estão em jogo, não apenas notícias.

Discussão

2 comentários sobre “Os desaparecidos

  1. tráfico humano… Belém é rota, principalmente, para os garimpos e fazendas….

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    Publicado por JOAO DE BARROS | 23 de novembro de 2015, 09:43
    • Infelizmente a atenção da imprensa por essa questão é episódica e espasmódica. As entidades dos direitos humanos podiam aproveitar os dias que faltam para o fim de 2015 e transformar 2016 no ano dedicado a conhecer, combater e tentar acabar com o tráfico humano na Amazônia, como complemento à ofensiva desencadeada contra o trabalho escravo. Ajudaria a nos livrar dessa canga de atraso e degradação humana.

      Curtir

      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 23 de novembro de 2015, 10:51

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