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Justiça, Política

BNDES amigo

Entre 2008 e 2009 o BNDES emprestou diretamente ao grupo empresarial de João Carlos Bumlai, que atua no Mato Grosso do Sul, 395,2 milhões de reais, destinados a uma usina de açúcar e álcool. Em 2012, por dificuldades em pagar suas dívidas, o grupo enfrentou na justiça o primeiro pedido de falência.

Nesse mesmo ano o BNDES fez mais dois financiamentos, agora recorrendo à intermediação do Banco do Brasil e do BTG Pactual, no valor de R$ 101,5 milhões, para outra usina, que produz energia a partir de bagaço de cana.

A justificativa para essa nova aplicação era tentar salvar o grupo, o que não aconteceu: em abril de 2013 suas empresas entraram em processo de recuperação judicial. No total, o BNDES repassou-lhes quase R$ 500 milhões.

A questão que essa história suscita é: se Bumlai não fosse amigo do ex-presidente Lula, que o acolheu algumas vezes na residência oficial de campo da presidência, em Brasília, o BNDES teria tratado da mesma maneira o empresário, que está preso por corrupção em Curitiba, alcançado pela Operação Lava-Jato?

No segundo pedido de falência, feito no mês passado, o banco admite que “o processo de recuperação judicial, neste momento, visa tão somente a procrastinar providência inevitável, qual seja, a decretação de falência”.

Para um saldo da dívida, de R$ 300 milhões (de um total de R$ 1,2 bilhão ainda não pagos), as garantias reais oferecidas somam R$ 250 milhões. Mas o passivo a descoberto pode ser maior porque no seu cálculo o BNDES não inclui acréscimos por correção monetária e juros num período de seis a três anos.

Além de Bumlai, que continua preso, passou pela cadeia – mas dela já saiu – o banqueiro André Esteves, o controlador do BTG Pactual até ser obrigado a deixar o cargo para salvar o banco, que repassou parte do último empréstimo do BNDES. Foi solto por ordem do Supremo Tribunal Federal. As teias e conexões dessas transações com dinheiro público, apesar de tudo, continuam a ser identificadas.

Discussão

5 comentários sobre “BNDES amigo

  1. Lúcio, o dia que fizerem uma investigação séria no BNDES e no setor elétrico, vai faltar Juiz para acolher as investigações.Quanto ao Supremo ” guardião da Constituição” não tenho mais ilusões. Em um gesto másculo, um de seus Ministros, após receber pedidos de apreensão nas casa e gabinetes de parlamentares com foro privilegiado, atendeu de pronto o solicitado. Talvez , por falha de sua assessoria, excluiu, ou esqueceu que o Pres. do Senado também estava no rol de indiciados.
    Como profundo conhecedor dos eventos da Cabanagem, deves ter lido, no R-70 de segunda feira, dia 21, ” que o Presidente da OAB, Jarbas Vasconcelos, propôs aos deputados paraenses, durante a chamada Caravana da Anistia, semana passada em Belém, a criação de uma nova Comissão da Verdade. O novo colegiado teria a incumbência de investigar o “genocídio” promovido durante a Cabanagem…” Pergunto se vão apurar a morte de Eduardo Angelim, anos depois do término da luta? Quantos serão indenizados? o pai do Domingos Raiol, vereador na Vigia, morto pelos Cabanos,dará ensejo que seus descendentes sejam indenízados? E por aí vai.
    O meu receio é que Vasconcelos foi eleito Conselheiro Federal da OAB, e proponha Comissões similares, para apurar excessos da Farroupilha, da Inconfidência Mineira, etc etc etc.
    Mesmo tendo feito no teu e-mail, renovo os votos de um Feliz Natal, e um excelente 20…20.

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    Publicado por ronaldo passarinho | 24 de dezembro de 2015, 15:18
  2. Lúcio,

    Não é uma tradição nacional dos bancos públicos fazerem empréstimos ruins ao setor privado protegido por grupos políticos? Não é assim que acontecia no BASA e outros bancos regionais? Porque seria diferente nop BNDES? No passado, o BNDES tinha uma equipe tecnica muito boa que bloqueava de alguma forma os impulsos dos políticos. Entretanto, com o aparelhamento do BNDES pelo PT, esta equipe técnica não tinha mais voz.

    Eu tinha te falado que o o Senador Amaral tinha usado o nome do Esteves para influenciar a família Cerveró. No final das contas, o Senador Amaral confessou que este foi o caso. Até agora não encontraram nada contra o Esteves. Se o mesmo peso usado contra o Esteves tivesse sido usado em toda a investigação, tanto o Lula como a Dilma já teriam sido presos, pois eles estavam no comando do país quando as corrupções aconteceram. Vamos ver o que acontecerá…

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    Publicado por Jose Silva | 25 de dezembro de 2015, 18:41

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  1. Pingback: BNDES amigo | Política contraditória - 24 de dezembro de 2015

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