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Justiça, Política

Corrupção: desvios de rota

A justiça federal do Paraná concedeu indulto a Nestor Cerveró e Alberto Yousseff para que eles pudessem passar o natal em suas casas. O ex-diretor internacional da Petrobrás aceitou e foi para o Rio de Janeiro, onde mora a sua família. O doleiro Yousseff, que deu início ao fio da meada de corrupção traçado em torno da estatal do Petróleo, não aceitou o acordo.

Como Cerveró, ele teria que colocar tornozeleira eletrônica e ser acompanhada por escolta da Polícia Federal. Mas ao contrário dele, teria que alugar uma casa em Curitiba e receber a visita dos seus familiares em horário restrito. Preferiu recebê-los na cela mesmo, como os outros presos.

Por que o tratamento desigual? Yousseff foi o primeiro acusado pela Operação Lava-Jato a aceitar a delação premiada e contar o que sabia, desencadeando a série de acordos que permitiu à investigação chegar a alguns dos homens mais ricos e poderosos do Brasil, indiciá-los e prendê-los, além de forçá-los ao ressarcimento (mesmo que parcial) dos seus roubos, como jamais aconteceu no Brasil (superlativo que, desta vez, Lula não endossaria).

Mas Cerveró ocupava cargo de cúpula na maior empresa do Brasil e (ainda) das maiores do mundo. Apesar de suas revelações, algumas bombásticas, é quase certo que ele não disse tudo que sabe e embaralhou algumas informações. É um jogo perigoso. Além de acarretar o cancelamento de benefícios, pode onerar a sua punição. Será que ele tem carta escondida na manga do seu paletó para esse jogo?

Os pesos desiguais atribuídos a dois dos principais personagens da Lava-Jato é casual ou é mais um marco na mudança de rota do processo de apuração, indiciamento e condenação dos que já estão arrolados e de novos personagens da trama, em posição ainda mais poderosa do que os já identificados?

Pelas posições assumidas em instâncias superiores dos três poderes institucionais, a tendência de exaurir o poder e a abrangência da ação dos integrantes da operação montada em torno do juiz Sérgio Moro começa a se tornar mais explícita.

Talvez decorra da percepção de que ninguém, na cúpula do poder no país, está a salvo de ser alcançado por algum respingo do lamaçal que se formou em torno dos bilhões de reais movimentados pela Petrobrás. Mancha que já não poderia ser retirada com um simples passar de mata-borrão, como de regra anteriormente.

Esse clima de apreensão e desconfiança se reflete em atitudes mais agressivas de cidadãos isoladamente ou de grupos de pessoas, num clima de crescente intolerância e violência que precisa ser desestimulado e desfeito.

A forma certa de conseguir esses objetivos numa democracia é fortalecer a ação dos órgãos de representação e arbitramento da sociedade. Só assim ela renovará a confiança e a credibilidade: avalizando, até suas últi9mas consequências, doa a quem doer, esse novo capítulo da história da (anti)corrupção e do poder no Brasil. Do contrário, assistiremos a espetáculos cada vez mais perigosos de violência civil nas ruas das cidades brasileiras.

Discussão

Um comentário sobre “Corrupção: desvios de rota

  1. Cerveró deve ter contado somente uma pequena parte que interessava a alguns poucos. Como compensação recebeu um presente de Natal. Infelizmente, nenhuma das revelações que ele fez mudou o que já se sabia. É muito dificil acreditar que alguém que foi colocado na posição que ele ocupava para facilitar o fluxo de dinheiro da Petrobras para os partidos políticos adicionasse tão pouco à investigação.

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    Publicado por Jose Silva | 25 de dezembro de 2015, 18:23

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