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Política

Lula, o isolado

No depoimento que deu à Polícia Federal, no dia 21, o pecuarista José Carlos Bumlai admitiu que intermediava “demandas” para o ex-presidente Lula, com quem passou a ter relações de amizade em 2002, justamente no ano da quarta e, afinal, vitoriosa campanha do candidato do PT à presidência da república.

Bumlai conversou pessoalmente com Lula várias vezes, inclusive na residência de campo da presidência, a granja do Torto, em Brasília, onde era recebido como hóspede, tal a intimidade entre ambos, apesar de relativamente recente. No entanto, quando precisavam de uma conversa direta “não presencial”, como se diz no jargão das universidades empresariais, Bumlai ligava para o celular da primeira-dama, Marisa Letícia. Lula nunca teve celular.

O detalhe revela, mais uma vez, a preocupação do ex-presidente de se isolar de qualquer ação de risco praticada por seus ministros, assessores, correligionários e amigos, mesmo os de maior confiança. Lula é um castelo medieval cercado por um fosso largo e profundo, frequentado por animais agressivos em sua defesa. Assim criou uma capa de teflon para usar, desse material no qual nada gruda.

Não seria de tanto estranhar se esse isolamento não fosse utilitário e não envolvesse tantos interesses de tantas pessoas. Seu efeito foi gerar intermediários como Bumlai e outros mais, que estão caindo nas malhas da investigação criminal. Com tal intensidade e frequência que já se espera, para qualquer momento, que as teias da Operação Lava-Jato cheguem, finalmente, ao ex-presidente, vértice de quase tudo – mas invisível ao olho da lei.

Não será fácil. A partir do momento em que se acercou do poder, Lula desenvolveu essa teia de elos e de exclusão, um mecanismo estrutural e organizacional, um objeto e uma mecânica. Foram assim as tratativas para lhe conquistar o apoio de partidos conservadores e fisiológicos, nitidamente hostis ao PT. Eram necessários para viabilizar a sua vitória, já então com a imagem do “Lulinha paz e amor”, criada pelo hoje proscrito Duda Cavalcante (livre da pena por transferir dólares para uma conta secreta no exterior, amealhados durante essa campanha de marketing).

O encontro foi no apartamento funcional do futuro vice-presidente, José de Alencar. Ele ficava num quarto com Lula enquanto os representantes dos partidos negociavam com José Dirceu e outros petistas. Um mensageiro levava informações e trazia instruções. Nem Lula nem Alencar saíram de onde estavam para congraçamento com seus novos correligionários. Evitaram nexos pessoais com a turba do que viria a ser o “mensalão”, a contrapartida ao apoio que cederam – nada gracioso, se veria.

Na gravação do documentário de João Moreira Salles sobre Lula essa estratégia se revelou outra vez, naquele mesmo ano de 2002. Quando o candidato percebeu que do diálogo – inicialmente áspero – entre José Dirceu e a equipe de apoio da filmagem caminhava para o terreno perigoso das confidências comprometedoras do então homem mais poderoso do PT, Lula escafedeu-se velozmente do ângulo da câmera.

Praticamente fugiu de cena, obrigando Dirceu a encostar à mesa a cadeira na qual sentava majestaticamente para abrir espaço, por mínimo que fosse, para o seu ainda afilhado político passar.

Dirceu já foi preso duas vezes e continua na cadeia. Lula, não. Sempre foi mais sagaz do que o ex-amigo e ex-correligionário, que imaginava ser recompensado pela vitória com o título de eminência parda. Enganou-se, é claro. A eminência parda de Lula é Lula, o solitário.

 

Discussão

11 comentários sobre “Lula, o isolado

  1. Excelente análise. Lula soube muito bem usar o cinturão de proteção que foi criado ao redor dele para dizer que não sabia de nada das negociações que aconteciam nas salas ao lado da sua. Infelizmente, do jeito que as coisas estão andando no Brasil, acho que ele continuará intocável.

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    Publicado por Jose Silva | 25 de dezembro de 2015, 18:10
  2. Lúcio,Lula o maquiavélico!

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    Publicado por henrique moraes | 27 de dezembro de 2015, 00:43
  3. Lúcio, a próxima vítima do homem, que criou um partido chamado “eu não sabia” é a Dilma. como todos sabem, o Lula não recolhe feridos na estrada.

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    Publicado por ronaldo passarinho | 28 de dezembro de 2015, 00:12
  4. É muito interessante ver os mais diferentes pontos de vistas dos jornalistas sobre a atuação de Lula. São conclusões tão díspares que chega a ser inacreditável. Quem está com a razão? Isso acaba por influenciar uma gama de leitores ávidos por algum respaldo que possa legitimar aquilo em que acreditam e, pelo que vejo, dependendo das afinidades ideológicas, cada um se satisfaz com o que lhe convém.

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    Publicado por Ricardo Condurú | 28 de dezembro de 2015, 09:54
    • Qual a minha afinidade ideológica? O que me convém? O que omito? O que invento? O que distorço? Não escrevo a partir de fatos? Minha interpretações não são deduções dos fatos? Minha análise se baseia neles. Todos podem discordar de mim e assim é a sociedade humana. Por isso nenhuma forma de organização política é melhor do que a democracia, que admite a liberdade de cada um se expressar e admite a pluralidade de opiniões. Mas para um jornalista é pecado mortal desnaturar os fatos. É o que faço, Ricardo?

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 29 de dezembro de 2015, 08:39
  5. Caro Lúcio, meu comentário foi sobre a análise dos leitores sobre os fatos descritos na sua publicação. Como se pode verificar, os comentários descrevem Lula como maquiavélico e outras coisas mais. Quando se lê os comentários de uma postagem, por exemplo, do jornalista Paulo Henrique Amorim, tem-se um outro viés. Por acaso PHA também não escreve a partir de fatos? Esse é meu espanto. O fato de um único acontecimento gerar tantas interpretações. Mas sei também que você jamais desnatura os fatos. Abraços.

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    Publicado por Ricardo Condurú | 29 de dezembro de 2015, 11:17
    • Obrigado pela confiança. Cada um tem direito à sua interpretação.Os fatos é que são sagrados. Permita-me lhe dizer que não é esse o procedimento do PHA. Ele está sempre com o PT, Lula e Dilma, e sempre contra o PSDB e os críticos do governo. Eu critico a ambos, mais ao PT porque está com as rédeas do poder, como critiquei muito o PSDB quando tinha o o tacão. E você vê que eu elogio e destaco aspectos positivos de ambos, quando é o caso. Não recebo publicidade nem sou favorecido pelo governo. Nunca fui. Portanto, o que escrevo é submetido lealmente ao leitor. Quando ele diverge de mim, eu o acolho. E quando divergimos, ambos, vamos para a polêmica – sem ofensas nem exploração de aspectos pessoais, da intimidade. Ao menos da minha parte.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 29 de dezembro de 2015, 11:26
  6. As informações díspares referentes ao nosso ex-Presidente alinham-se a ações igualmente díspares tanto dele como de quaisquer outros políticos no poder. E é évidente que essas abundantes disparidades políticas devem ser mostrada aos cidadãos exatamente como elas são .
    Nunca percebi nenhuma afinidade ideológica do jornalista Lúcio Flavio Pinto diante desse ou daquele político. Não é este o seu papel. O que ocorre, atualmente, em nosso país é a tal ditadura do pensamento único, algo que já foi brilhantemente evocado por uma das leitoras do Lúcio, a Marly, se não me engano.
    Se a liberdade de expressão significa evolução do pensamento humano, será que teríamos que engessar todas as nossas diferentes análises ?
    A pluralidade de pensamento, de acordo com o Lucio, é necessária até porque tentamos a cada dia polir as arestas do que chamamos de democracia. E esta só pode avançar a partir de certas diversidades, senão não seria democracia.
    Atualmente, percebo que a intolerância sempre vem à tona a cada vez que que Lula é criticado. Parece que todos têm que elogiá-lo e se isto não for feito seremos automaticamente enquadrados nos partidos centristas e assim por diante. Ou ainda, querem que nos sintamos culpados, porque só criticamos o PT e não outros partidos.
    Pois bem, quero dizer com isto que o Partido do Trabalhadores perdeu a grande ocasião de ser e de agir diferentemente dos outros partidos, e de realmente representar os trabalhadores. Retirar conquistas trabalhistas adquiridas a duras penas foi uma grande aberração e entre outras coisas.
    Muitos dos simpatizantes e componentes do partido se mostraram solidários a cada vez que uma falcatrua vinha a público. Esta mesma solidariedade não se manifestou quando foi necessário cobrar posturas entre eles e nem zelar pela idoneidade do partido. Parecia que acobertar tudo era a regra e com ela instaurou-se o estrangulamento da liberdade de expressão, algo que já existia no regime didatorial. Em tempos atuais, viver essa carência de expressão diversificada é um suicídio social. O atual contexto de crise tem origem nesse “abafamento” de ideias.
    Ninguém quer se sentir acuado ou ameaçado de morte por ter expressado um pensamento crítico que contraria a ala petista. Mas será que ainda é necessário silenciar mais do que antes? Mas não foi o Partido dos Trabalhadoras que denunciava, que exigia transparência dos governos anteriores e que treinou uma geração inteira a exigir direitos sejam eles quais fossem ? O que houve com esta geração? Onde eles estão? O que houve com o partido?
    Já imaginaram se esta geração treinada pelo Partido dos Trabalhadores tivesse ido frequentemente às ruas para reivindicar seus direitos? Não seria realmente uma grande vitória tanto para um como para o outro? As conquistas obtidas pelos trabalhadores através de manifestações sociais seriam um trunfo importante para o partido.
    O companheirismo ou o companheiro evaporou-se ao chegar no poder e assim o Partido e os trabalhadores se mutilam.

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    Publicado por Francisca Rousselot | 29 de dezembro de 2015, 12:51
  7. Discordo da visão da leitora acima, sobre os procedimentos do PT e seus simpatizantes. Quero deixar uma coisa bem clara:acho que ninguem é incriticavel;ninguém pode se arrogar esse privilegio.Outra coisa que considero importante ressaltar:afinidade ideologica.Sou petista;acho que desde meus 17 anos e como tenho 37, já são 20 anos de “lulo-petismo”.E tenho muito orgulho de ser petista.Gostaria que entendessem esse sentimento(orgulho) na acepção positiva do termo.Dito isto, vamos ao essencial. Nunca cerceamos a liberdade de quem quer que seja.Desafio você e o titular do blog a apresentarem elementos com base consistente para afirmarem tal coisa. Não tente nos igualar ao PSDB, PMDB e aos demais partidos de direita;Isso não é possível, por mais que nos esforcemos para tanto.Mas isso não impede que cometamos erros.E quem não os comete?Assim como não existe ser humano perfeito, tampouco existirão instituições perfeitas.Partidos são associações de pessoas com interesses nem sempre eticamente legítimos e/ou toleráveis.Me apontem governos e administrações petistas que tenham agido com violência , truculência ou intimidação,como Aecio Neves contra membros da imprensa mineira, o que é do conhecimento até do reino mineral, ou Jaime Lerner em 1999(se não me engano) contra os sem-terra no Paraná, Beto Richa no mesmo Estado contra os professores, Alckimin, Serra em São Paulo, para ficar em poucos exemplos.O que nos incomoda, a nós do PT, é a parcialidade das visões e análises da mídia gorda sobre o PT, tanto em relação aos dirigentes quanto aos correligionarios do partido. Figuras de relevo do partido criticaram e crticam abertamente o governo federal, o presidente Lula e Dilma, nossa atual presidente;todos podem criticar à vontade. Tenho várias críticas e restrições a fazer ao nosso governo e ao PT, desde nomeações bizarras de figuras nefastas como Nelson Jobim, Katia Abreu, que temos que engolir por conta da tal governabilidade, a não – regulação da mídia e a principal crítica, na minha opinião:o fato de que , passados 13 anos, não conseguimos emplacar nenhuma reforma significativa, seja reforma política(a principal),agrária, tributária, etc.E muitos outros poderiam ser elencados.Mas quando entendemos que há imparcialidade, injustiça, vilania, vieses tendenciosos, distorcidos na análise de determinadas questões, sejam elas de que espécie, natureza ou áreas e esferas de atuação do poder forem, quando não concordarmos, faremos a crítica da critica, por assim dizer, não calaremos, nHá ailenciaremos em hipótese alguma.E isso não é intolerância. Essa não é a nossa marca, nunca foi e nunca será, quero crer.Intolerancia é o que verficamos d. esde o final das eleições 2014 para presidente da República, por parte dos antipetistas, numa ação orquestrada da esmagadora maioria da oposição congressual, membros do MPF, a quase totalidade do Judiciário brasileiro, a “banda podre” da PF, além, é claro, do maior partido oposicionista, o PIG.Isso sim é intolerância. Lula, Dilma e o PT podem ser criticados, todos podem ser criticados.Agora, ficar inerte, ignorar e silenciar quanto a injustiças, podem esquecer, você e Lucio Flavio Pinto, ou quem quer que seja. Soubemos perder em 89,94 e 98;que eu me lembre, nunca questionamos o resultado das urnas, nunca quisemos o terceiro turno.Se acham que aceitaremos pacífica, cândida e passivamente ações e procedimentos eivados de canalhice, cafajestice e malcaratismo como aqueles impetrados por Folha, Estado de São Paulo, Organizações Globo, revistas Veja e É poca, com mentiras descaradas e criminosas sobre o ex presidente e seu filho, afastem essa idéia de suas mentes. E usaremos os canais onde podemos ser ouvidos e vistos, notadamente os “blogueiros sujos”,para citar uma infeliz denominação dada pelo privatista e entreguista José Serra, um dos ídolos dos reacionários de ontem, hoje e sempre. Paulo Henrique Amorim, Fernando Brito(Tijolaco),Paulo e Kiko Nogueira(DCM) e outros profissionais também criticam Lula, Dilma e o PT, sem esconder suas inclinações ideologico-politico-partidarias;inclusive agora Dilma absorve uma saraivada de críticas por uma ridícula, inútil e desnecessária mensagem de fim de ano em artigo na famigerada Folha de São Paulo. Agora, brigar com a realidade é o que nem nós faremos, nem eles, se é isso que desejam. E eu fico a pensar quando é que alcançaremos um nível pelo menos razoável de politização na sociedade brasileira. Não seriamos tão influenciados assim, com certeza, , como se verifica aqui no Brasil, pais onde 60% da população(para ser otimista) constituem-se em analfabetos políticos, que é o mais grave tipo de analfabetismo pior es analfabetismo o funcional e o literal.Sabemos perfeitamente que se depender dessa mídia corrupta, seletiva e que pratica o jornalismo canalha, da parte que cabe a eles nesse processo, isso jamais acontecerá. O incrivel é verificarmos que indivíduos que poderiam contribuir para o recrudescimento disso preferem fazer coro, dando vazão, ênfase e incentivando até a perpetuação dessa calamitosa realidade . Outra coisa:não acuamos, intimidamose muito menos ameaçamos ninguém de morte.Isso fica para os Aecios Neves, Jair Bolsonaros, Betos Richas ou Eduardos Cunhas da vida, esse último figura singular, que chantageia uma presidente da República em rede nacional.Por acaso não devemos nos insurgir contra isso? Devemos, sim.Temos o direito, o dever, a obrigação, a necessidade e a responsabilidade de agir assim, pois assim a nossa consciência nos alerta. Poderíamos estar realmente discutindo os assuntos mais prementes e relevantes para o nosso país, em todas as suas perspectivas e expectativas, mas o que predomina é a análise rasteira, superficial, mal elaborada, mesquinha e reacionária, além de absurdamente parcial e seletiva.A parcialidade do titular desse blog, LFP, por exemplo, foi ressaltada há pouco tempo atrás por Benedito Carvalho Filho no próprio Jornal Pessoal. Acho que ele foi ameno, até, na sua análise, por ser seu amigo. Eu não sou seu amigo, nem inimigo, apenas um simples leitor ocasional de sua publicação quinzenal. E aqui venho pedir publicamente desculpas ao jornalista pelo tom veemente com o qual me expressei em um comentário anterior, no post”Lula, o anão”.Veja bem:é pela veemência. Talvez aquela palavra imundo tenha sido mal colocada, e nisso que estou falando não há nenhuma falsidade, nem querendo fazer média estou. Mas a essencia deixo intocada:penso aquilo mesmo.Acho sinceramente que você, Lúcio, é um covarde ao não assumir sua preferência política, sua inclinação ideologica ou partidária, ou pelo menos o antipetismo que viceja, transborda e flui abundantemente de seus artigos inflamados.Ofendi você, caro Lucio? Creio que não. É opinião corrente entre várias pessoas que o jornalista é um indivíduo egolatra, como bem colocou um ex secretário de Economia do Estado, que conheci brevemente; ou que se acha acima do bem e do mal, como definiu com muita acuidade um amigo meu, veterano pesquisador do Museu Emílio Goeldi;não digo seus nomes porque não os consultei a respeito e, aliás, é algo desnecessário, creio eu.
    Tu afirmas que não leva para o lado pessoal, mas é pura demagogia. Na verdade , Lúcio, um comentário do blog do Barata, acho que de 2009,quando desmentias que recebesse aposentadoria da UFPA, sintetiza perfeitamente esse seu modo de agir.Dizia assim:Lucio é(ou pelo menos parece ser) honesto, só que acha que todo mundo (ou quase todo mundo) é desonesto, e as coisas não funcionam desse jeito . Não é por aí. LULA e Dilma são pessoas honestas, não tenho dúvidas.Tenho convicção disto.Defeitos, ele também os tem mas não os de desonestidade e covardia. Quem te disse que ele não é mais amigo de José Dirceu? Ele ou Dirceu?o jornalista não está “desnaturando os fatos”, como gosta de frisar?Chega a emocionar o pingue-pongue entre o jornalista e o “impoluto ” e “progressista” Ronaldo Passarinho, aquele que foi “adoecido” pelo titio coronel para disfarçar o veto do SNI ao seu nome por indicação de Fernando Guilhon, e não venham dizer que foi por ele ser “subversivo”;esse individuo deve ter sido tudo nessa vida, menos esquerdista, além de tremendo incompetente, que junto com seu partner Ubirajara Salgado rebaixaram o meu querido Clube do Remo em 2004 para a série C, vergonha que nunca haviamos passado.Interessante falarem sobre dignidade .Aliás, a propósito de “modelo de chefe” de que os amigos falam citando o truculento general corso:nao gosto de parecer boçal, pedante, sugerindo leituras para ninguém, mas os cavalheiros poderiam dar uma sapeada, de leve, em “O Papel do Individuo na História “,do russo Plekhanov, ou se quiserem um pouco mais de originalidade e profundidade, procurem a opinião do inspirador do russo sobre o mesmo tema, o grande(esse sim) Karl Marx, pensador soberbo, para mim(e para muitos) o maior pensador e filósofo de todos os tempos, que promoveu uma brusca ruptura, o chamado corte epistemológico, uma mudança radical na forma de conceber, entender, perceber a realidade e o mundo em que vivemos. Duvido que depois dessa leitura ainda continuem com essa idéia tacanha de modelo de chefe em relação ao general Bonaparte.Marx o desmascarou há pelo menos 150 anos. Ademais, tu tens certeza que ele ia pra frente de batalha mesmo, lá onde a batalha é mais cruenta? Duvido disto . É uma visão ingênua, pueril e romântica, bem ao estilo “história dos vencedores”,que os franceses chamam histoire evenementiele, ou história dos grandes atos ou acontecimentos, solapada completamente pelos bravos companheiros da Escola dos Annales.E se ia mesmo, quem garante que foi o primeiro? Alexandre da Macedônia não poderia ter antecipá-lo nisso , ou o grande general dos cartagineses Aníbal, para muitos o maior guerreiro da Antiguidade Clássica.Voltando ao que realmente interessa, você e seu amigo podem achar de Lula, Dilma, Dirceu ou Genoino o que quiserem.Se forem apresentados dados e elementos consistentes, com uma análise acurada, séria, apartada do seu antipetismo, a coisa muda de figura.Mas dentro dessa perspectiva rasteira(pra dizer o mínimo),dessa visão superficial e tacanha quando te arvoras a comentar sobre a política nacional, nós, petistas, faremos nossa defesa ou apologia.E o nome disso não é totalitarismo;o conceito que tu tens do que seja isso é absolutamente distorcidos. Lúcio desanca “Deus e o mundo”,mas quando é atacado posa de vítima, sempre nessa lenga-lenga de cerceamento de liberdade de expressão, de que quem está na ofensiva é truculento, agressor,. intimidador . Está na hora de descer desse pedestal, jornalista, pois ele é apenas imaginário. Bata e de, na a cara para bater, mas não tente nos enredar, a nós todos, em vilanias e picaretagem.Sua análise política concernente ao período petista não pode ser levada a sério, nao engloba as esferas econômica, social e política dentro de uma visão de conjunto, totalizante, em nada diferente, na essência, de um Merval Pereira, Reinaldo Azevedo e Demétrio Magnoli, ou seja, jornalismo de quinta categoria, perfeito consumo para pobres de espírito e analfabetos políticos, da estirpe de um Kim Kataguiri ou Fernando Holiday, o negro que xinga os de sua própria raça, tachando-os de vagabundos e parasitas . Faça jornalismo sério, e não de quinta categoria, caro Lúcio, e não minta dizendo que destaca aspectos positivos do PT e da esquerda;só se tu estás enviando esses textos para outro planeta, pois aqui não os tenho lido;isso é honesto? Dizer algo e não fazê-lo, efetivamente? Não queremos que nos defenda, queremos que seja justo, se possível..A sua leitora acima afirma não perceber afinidade ideologica no jornalista;deve achar também que o coronel Nunes falou sinceramente quando disse, recentemente, que “nunca viu corrupção no futebol”.E antes que me esqueça, seu caro amigo não tem força moral reputação ilibada ou biografia limpa para chamar Lula de desonesto e covarde, muito menos para discorrer sobre dignidade. Ele e sua ascendência e descendência tem assuntos mais espinhosos a explicar, que nada têm a ver com dignidade. Já pra você, Lúcio, nós petistas pedimos:saia do armário embutido. Será bom pra você e pra nós, pra todo mundo. Todos nós temos que tomar uma decisão, tomar partido;não dá pra ficar eternamente em cima do muro, acima do bem e do mal, como o dono da verdade. E me chamo Cleber Miranda, meu pai não se chama Leo Naphta, se chama João Gonçalves Miranda, natural de Breves, no Marajo.Caso fosse filho do personagem de Thomas Mann, no entanto, isso não implicaria que automaticamente fosse um ser nefasto.Poderia chama-lo de filho de Ronaldo Maiorana, mas seria baixo e não é da minha índole, além de lhe dar mais um motivo para as costumeiras queixas;prefiro chama-lo de filhote de ditadura, pois mesmo que não reze oficialmente na cartilha dos poderosos da casa-grande, acaba fazendo o jogo deles.Para finalizar esse longo comentário, já pedindo desculpas por tal excesso, enfatizo que estou para obter a graduação em História pela UFPA, via vestibular, já sendo aluno veterano, lembrando que isso não me torna melhor que ninguém, nem pior. E não acho que sejamos “zes-manes”, como publicaste desrespeitosamente no post”Lula, o anão”.respeito é bom e todo mundo gosta;reflita sobre esse termo indecoroso e desrespeitoso que usou para tentar nos ridicularizar. Pimenta nos olhos alheios é refresco, não é mesmo?Finalizando, quero dizer que o meu partido durante 22 anos foi oposicionista, e soube fazer oposição muito bem feita, responsável, apesar de alguns exageros, como no caso da CPMF, motivo pelo qual o falecido e honrado Adib Jatene nunca perdoou Lula e o PT mas no geral fez o seu papel, e há 13 anos é situacionista e está sabendo ser situação, com inúmeros avanços e conquistas, mas que alguns preferem não admitir, falseando a realidade ou brigando com ela,distorcendo completamente as coisas.Existe um Brasil que não passa no Jornal Nacional, um país de gente honesta, simples, que não está nas páginas amarelas da Veja ou nas coloridas dos jornaloes dos barões da mídia gorda.Esse Brasil o jornalista não conhece e nem vai conhecer, pois está encastelado numa torre de marfim e ele é Lúcio o isolado.

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    Publicado por cleber miranda | 9 de janeiro de 2016, 03:49
    • Vou deixar para responder satisfatoriamente ao Cleber no Jornal Pessoal, se conseguir, por um motivo: falta de espaço. Ou por não ser este o espaço adequado para responder a tanta desinformação, deformação e aberração.
      Sinteticamente.
      Quando prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues me processou perante a justiça eleitoral, quando tentava um novo mandato. Não foi por eu ter-lhe recusado o direito de resposta. Eu o assegurei sempre a todos, mesmo quando esse direito foi exercido por meio de um cartapácio, como esse do Cleber. Edmilson foi à justiça para que eu não pudesse contestá-lo. Teria que simplesmente publicar a sua carta, por ordem judicial, sem réplica. O que mostra sua altivez democrática. Infelizmente, para ele, o TRE rejeitou suas ações.
      Democraticamente, Edmilson, através de Francisco Cavalcante, alugou espaço no nefando Jornal Popular, do democrata Silas Assis, para me atacar de forma vil. Usou um pseudônimo, o Décio Malho, à maneira dos covardes. Nunca usei pseudônimo em 50 anos de jornalismo. Assinei todas as minhas opiniões.
      Lembro que o momento decisivo no debate da RBA entre os candidatos à prefeitura de Belém pendeu para o lado do Edmilson quando critiquei seu principal oponente e até então favorito candidato do prefeito Hélio Gueiros, Ramiro Bentes (do qual sou amigo, como sou amigo de Ronaldo Passarinho e outros tantos “reacionários” no índex de Cleber Torquemada; sei separar a amizade das divergências em temas de interesse público; todos os meus amigos sabem disso; se não sabem, acabam deixando de ser meus amigos).
      Completarei 50 anos de jornalismo profissional em 5 de maio. Continuo na linha de frente, acompanhando o cotidiano das transformações. Logo, não estou em qualquer torre de marfim. Caminho todos os dias pelas ruas de Belém. Ando de ônibus. Conheço pelo menos todas as capitais do Brasil, muitas do interior, todas as capitais do continente, inúmeros países, pelo menos em quatro continentes, e nunca viajei para esses lugares a turismo; foi sempre em missão profissional de um jornal ou a convite de alguém que queria me ouvir em palestra. Conversei com Allende cinco dias antes de ele se suicidar, sob o bombardeio ao palácio La Moneda, em Santiago do Chile. Conversei com o general Guillermo Lara poucos dias depois de ele derrubar o legendário Velasco Ibarra no Equador. Fui ver o que o general Alvarado fazia para calar a imprensa “burguesa” no Peru. Lula e eu ficamos por longos momentos em 1982, lado a lado, no julgamento dos padres franceses, em Belém. Vimo-nos novamente em Vitória, no Espírito Santo, por intermediação de Luís Eduardo Greenhalgh. Percorri 13 Estados dos EUA em 1990 para ver suas hidrelétricas, desmatamento e resistência ecológica e política. Fui expositor no Tribunal Permanente dos Povos (antigo Bertrand Russell), em Paris, em 1990. E por aí vai. Mas quando digo que Bonaparte esteve à frente do seu exército e conhecia seus soldados pelo nome estou me baseando em dezenas de livros que li sobre ele, inclusive de marxistas, como E. Tarlé, em livro publicado pelas Edições Progresso de Moscou (nunca traduzido para o português, que eu saiba). E por ter percorrido muitos dos lugares onde ele esteve e até no seu lugar de nascimento, na Córsega (assim como sentei na cátedra de Galileu, estive na masmorra de Casanova, fui à Rimini de Fellini, etc,. e etc.).
      Com tudo isso, sou apenas um jornalista, um entre tantos profissionais que procuram cumprir seu ofício com seriedade, honestidade, decência e alguma competência. O suficiente para não se deixar intimidar por ataques ignorantes ou insensatos, como mais esse um do Cleber, que, aqui, aliás, terá sempre o seu espaço garantido. Mas não os seus dogmas e preconceitos.

      Curtido por 1 pessoa

      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 9 de janeiro de 2016, 09:27
  8. Caro Kleber Miranda,

    Há dois dias tomei conhecimento da sua resposta neste blog e desde então leio e releio tudo com cuidado, a fim de não despertar a sua exasperação.
    Eu começaria dizendo que você tem todo o direito de discordar do meu ponto de vista ou de outros leitores do blog. E, também, reconheço o seu direito de demarcar a sua preferência partidária face a abundância de partidos em nosso país. Considero todos ineficientes e incapazes de representar a sociedade. A eficácia de cada um deles é promover a desigualdade social.
    Eu admiro a sua força de defender com unhas e dentes o seu partido ao ponto de garantir a honestidade dos seus líderes. Eu não faria isso, daí a minha admiraçao. Também não pretendo de forma alguma amputar o seu orgulho de ser petista e sem querer desapontá-lo, afirmo que estou do lado oposto: sou apartidária. Posição nada confortável, mas é minha escolha.
    Penso que o seu orgulho de ser petista, aliado ao seu percurso acadêmico enquanto aluno de história, serviriam de suporte para que você mesmo enfrentasse o desafio que você nos impôs: provar com dados a restrita liberdade de expressão imposta pelo PT à nação. Seria uma contribuição nobre que você daria ao seu partido e seus militantes.
    O que achei interessante em você é que apesar de ser um defensor incondicional do PT, ainda conseguiu apontar algumas críticas. Está aí um caminho aberto para afinar as suas críticas e apresentá-las como um projeto a ser rigorosamente estudado tanto pela base como pelos altos dirigentes do PT. Isto nao é um desacato, é a sua contribuição, enquanto militante, que serviria para colocar o seu partido diante do espelho e em seguida reparar as falhas políticas e administrativas.
    Não se elege partido apenas para ficar admirando ou defendê-lo diante de cada irregularidade por ele cometida. Elege-se para cobrar posturas, cobrar resultados frente às promessas arroladas no processo eleitoral. Penso que é assim que ajudamos no crescimento do partido que escolhemos.
    O que acho extremamente bizarro é que os militantes chamam a nossa Presidenta, é assim que ela quer chamada, de mãe – rótulo que já corre na sociedade. Uma mãe tenta de alguma maneira dialogar com seus filhos e, sobretudo, não ignora quando poucos deles são arrastados e mortos por lama contaminada, como o que ocorreu em Mariana. Uma mãe não joga os seus filhos aos lobos, não lhes nega o direito ao solo e nem devasta florestas para construir Belo Monte, hidrelétrica que todo mundo sabia ser ineficiente, exceto a nossa Mae-Presidenta. E ela fez isso para atender a gana das potências mundiais.
    Admiro a sua garra em defender o seu partido, mas não esqueça da razão. E neste sentido, lembro que você pediu desculpas publicamente ao jornalista, Lúcio Flávio Pinto, mas continuou insultando até o fim, e sem razão. Isto chama-se intolerância, que nada mais é do que a incapacidade de gerir divergências no diálogo com o outro.

    Curtido por 1 pessoa

    Publicado por Francisca Rousselot | 29 de janeiro de 2016, 19:31

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