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Ecologia, Economia

A outra BR-163

O BNDES aprovou financiamento de longo prazo de 2,4 bilhões de reais para a BR-163, mas não no trecho entre Cuiabá, em Mato Grosso, e Santarém, no Pará. Foi para os 845 quilômetros de toda a extensão de Mato Grosso do Sul até divisa com o Paraná, administrada pela Concessionária de Rodovia Sul-Mato-Grossense S.A – privada, naturalmente.

O projeto integra a primeira etapa do Programa de Investimentos em Logística, do governo federal, que terá investimento total de R$ 4,6 bilhões. A finalidade é contribuir para a melhoria do sistema de infraestrutura de transportes do país, aumento da qualidade dos serviços e da segurança para os usuários das rodovias.

O trecho paraense é o primo pobre de toda a rodovia. Mesmo a parte, de tamanho semelhante, em Mato Grosso, está asfaltada até a divida com o Pará. A partir daí, no rumo norte, em piçarra, tem sua trafegabilidade condicionada às chuvas. A partir deste mês, se transforma numa sucessão de buracos. Mas em qualquer temporada é o caminho para todas as atividades ilícitas e danosas, desde a extração ilegal de madeira até os assassinatos, do desmatamento sem controle ao tráfico de drogas.

Apesar da gravidade desses problemas, permanece invisível aos olhos viciados de Brasília, que ignora o projeto destinado a transformar a BR-163 numa estrada planejada para se adequar às condições do meio ambiente, não para agredi-lo, como é regra nas rodovias que cortam a floresta amazônica. Coisa de gente refinada de Washington e do Distrito Federal, que vê a Amazônia em tela de computador, com imagens de satélite.

Enquanto isso, a região sangra.

Discussão

2 comentários sobre “A outra BR-163

  1. Lucio,

    Se me lembro bem, a Marina Silva deixou um programa muito bem estruturado para uma BR-316 Sustentável, com um conjunto de investimentos estratégicos para gerar desenvolvimento e conservação no setor paraense da estrada. Ela conseguiu consenso de vários atores sociais e as coisas estavam muito bem encaminhadas. Infelizmente, a Dilma trabalhou por debaixo dos panos para desconstruir todo o plano, removendo-o das prioridades nacionais. Esta foi uma das razões que a Marina saiu do governo no segundo mandato do Lula-la.

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    Publicado por José Silva | 31 de dezembro de 2015, 13:03

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