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Ecologia

É mesmo para recuperar?

Até o dia 3 de fevereiro será apresentado em detalhes o plano de recuperação dos danos – humanos e ambientais – causados em novembro do ano passado, ao longo do vale do rio Doce, entre Minas Gerais e Espírito Santo, pelo rompimento de uma barragem da mineradora Samarco. Foi o maior acidente da mineração em todos os tempos no Brasil.

Ontem, houve uma espécie de pré-lançamento, com toda pompa e circunstância, no Palácio do Planalto, em Brasília. Talvez para preencher uma “agenda positiva” para a presidente Dilma Rousseff, carente de fatos que possam ser interpretados como positivos.

Ela comandou a solenidade, ao lado da secretária do meio ambiente e do advogado-geral da União, tendo ainda a participação do presidente da Vale, a principal controladora da Samarco, em sociedade com a anglo-australiana BHP.

O plano é no valor de 20 bilhões de reis, que serão desembolsados pela mineradora ao longo de 10 ou 12 anos. Mas os próprios responsáveis pela iniciativa admitem que o valor foi “chutado”. Nem podia ser de outra forma, tal a profundidade e extensão dos danos acarretados pela tragédia.

Mas o ponto de partida podia ter sido mais seguro se governo e iniciativa privada tivessem sido céleres e decididos nas ações de urgência e emergência, que se circunscrevem ao entorno de Mariana, em Minas. Assim, sem burocracia, tirariam as pessoas prejudicadas do seu estado de aflição e desespero, restabelecendo uma rotina de vida.

Sem a celeridade necessária, providências nesse sentido já foram adotadas ou estão em curso. Mas essa ação imediata não devia influir sobre a intervenção de mais longo curso, como está acontecendo, talvez pelo desejo do governo federal de apresentar resultados.

O fundo a ser criado para restabelecer as condições naturais do vale será gerido pela própria empresa que fornecerá os recursos, sob a supervisão oficial. Podia ser o inverso: o governo comandando e contratando as firmas que executariam os projetos, já definidos num plano concreto, que especificasse o quadro de fontes e usos, num orçamento rigoroso. Com o suporte de uma auditagem externa e a fiscalização de uma universidade federal, além do acompanhamento da sociedade civil.

Do jeito como está indo, logo a destinação do fundo e sua própria razão de ser poderão ser esquecidos ou diminuídos de importância. E a ação cairá na vala comum desse tipo de iniciativa, que se perde pelos desvãos dos interesses à margem do problema.

Discussão

2 comentários sobre “É mesmo para recuperar?

  1. O que o desespero pela falta de uma agenda positiva faz. Fazer cerimônia para anunciar que as empresas compensarão pelos crimes que cometeram devido a incapacidade de monittoramento dos governos do PT (tanto em Minas Gerais como no país) é um insulto direto a memória dos que faleceram no triste acidente.

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    Publicado por Jose Cardoso | 28 de janeiro de 2016, 19:58
    • O que começa mal termina mal. Foi uma pantomima. Devia ter sido dada ordem de prisão no ato do vazamento e o processo penal devia ter corrido célere para dar uma pronta resposta à população e mostrar a quem cometeu esse crime, aparentemente por desídia e cínico cálculo econômico, que a coisa ia ser séria. Mas não será.

      Curtir

      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 28 de janeiro de 2016, 20:53

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