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Violência

O tema da violência

Os intelectuais ainda não deram à questão da segurança pública a importância que ela tem. Embora tenha crescido a quantidade de pesquisadores do tema, eles ainda não são suficientes para influir com maior peso na orientação da sociedade e das ações públicas. As academias deviam dar à violência prioridade proporcional à sua incidência na vida da população.

Criei um blog só para abrigar textos sobre a violência urbana. Como houve quem criticasse a falta de matérias a respeito neste espaço, que é aberto a todos os assuntos, sugiro aos interessados dar uma passada pelo http://www.violenciaurbanablog.wordpress.com.

Discussão

Um comentário sobre “O tema da violência

  1. Longe de me considerar grande intelectual.
    Sobre a violência na cidade de Belém acho que está em um patamar realmente grande e fora de controle. Nos centros e locais mais movimentados vemos a proliferação dos pequenos crimes como roubos, de pessoas, casas, carros, assaltos e outros delitos. Nem escolas ou hospitais são polpadas e vemos muitos noticias sobre assaltos a estes locais. Nos locais periféricos da cidade a noticias são bem pior, com a proliferação do trafico de drogas, noticias de estupro e os assassinatos de formas mais barbaras.
    O descontrole do estado cria vácuos de ordem que permitem a criação de poderes paralelos como as milícias, que os jornais pouco falam, que aterrorizam a população e vem crescendo na cidade. Para isso a Policia Civil deve estar atenta e atuante em tentar encontrar as ligações deste poder, além de verificar e eliminar possíveis ligações da própria policia. Nas regiões periféricas onde é fácil a ascendência destes poderes paralelos em que o problema se torna mais do que de segurança, mas sim um problema social, e já vimos que em grandes centros como o Rio de Janeiro e São Paulo um conjunto de politicas para um maior controle desses locais.
    Além da violência é tanta a ousadia de personagens como estes que acabam por se tornarem populares nacionalmente vídeos de festas como o da ‘Senhorita Andreza’ e sua ‘social’ com uso de diversos entorpecentes.
    As coisas se tornam mais graves quando se fala nos sequestros, tão comuns hoje. Se caracteriza pelo fato de coagir a vitima e intimida-lá, podendo gerar traumas, além é claro de cercear a liberdade. Em Belém vem se proliferando e se torna pernicioso pelo fato de muitas vezes ser agravado como um complemento de outros crimes praticados, como roubo, extorsão e outros. Roubos mau sucedidos, fugas prolongadas, abordagem pela policia, acabam por provocar também os sequestros dos meliantes que tentam conseguir um trunfo, ou algo que garanta meio de negociar a rendição. Antes simplesmente se assaltava e tentava fuga. Hoje se as coisas não acontecem na rua, cada vez mais violenta, o assaltante é mais ousado e adentra as casas – as coisas estão bem piores. Também acho que a prioridade é manter a integridade das pessoas e caso esta venha ameaçar a vida das pessoas deve-se acabar com a ameaça. Para isso a policia deve ser muito bem treinada.
    Quanto a afirmação de que um homem que comete um crime contra os direitos humanos de uma pessoa perde o seu, sou totalmente contrario a isto. Como afirma Luis Fernando Veríssimo, em uma de suas cronicas, quando agente fala de direitos humanos perdemos totalmente a noção do que isso representa no direito que todas as pessoas tem como ser humano independente do que tenha feito. Como o próprio Papa Francisco fala sobre os direitos do Homem e que clama contra a pena de morte. A mais do que uma questão de remissão, mas um sentido preservação da vida humana, ainda que os fatos sejam mais complicados e a realidade mais dura.
    Claro que temos os crimes comuns, que são julgados e depois de cumpridas as condenações impostas podem voltar a convivência em sociedade. Defendo que o sistema prisional hoje seja totalmente revisto no sentido do estado se responsabilizar não só pela tutela do condenado mas também com sua resocialização. No sistema deveria haver a possibilidade dos presos complementarem seus estudos nos ensinos básicos e técnicos como forma de voltarem a sociedade retratados e com melhores condições do que entraram. Até mesmo cursos superiores com sistemas de pesquisa. O Jornal Diário do Para de Domingo 28/02/2016 página A10 Geral já mostra presidiários trabalhando em um laranjal em Capitão Poço, possibilitando aprender uma profissão e reduzir a pena e ganhar alguma renda. Para os do colarinho branco a leitura de livros determinados pelos presídios também permiti reduzir suas penas (como saber se leram – fizeram eles alguma resenha?).
    Já grandes criminosos e de acusados de crimes hediondos possuem um perigo maior e devem ser separados dos demais presos comuns. Os crimes hediondos, que envolvem o atentado a vida de outrem e são ligados a crueldade as coisas são mais complexos e podem envolver problemas psicológicos dos acusados. Estes ainda que voltem a sociedade devem ser acompanhados pelo estado ainda depois de livres. Quando um cidadão se encontra preso o estado deve ser responsável pelos direitos do detentos. Se o estado não se responsabiliza por este direito que se explique, não somem afirme que os presídios são masmorras medievais. No caso dos hediondos se o Estado admite que não consegue resocializar estes cidadãos ou ele aceita os custos de manter ele segregado ou elimine-o da sociedade.
    Muito mais do que ajustar o sistema prisional brasileiro é também ajustar os sistemas processuais onde sua letargia representa duas medidas para quem tem recursos e quem não tem. Para o pobre a demora da justiça significa mais tempo encarcerado, para o rico significa mais tempo livre. Quando o senador foi preso por obstrução da justiça, mais do que a possibilidade de um politico no exercício de mandato ser preso é o fato de um rico ficar preso enquanto ocorrem as investigações. As decisões do STF apenas deixaram os sistema de justiça mais democrático, em uma logica que sempre era prejudicial para o pobre.

    Quanto a iniciativa do outro blog somente sobre violência fica os parabéns, o tema é extenso e há muitas coisas a se abordar, vide o tamanho do comentário.

    Também fiquei feliz com as comentários da palestra no Sesc e para o pessoal de biblioteconomia. É importante conhecimento dos fatos sobre a região para melhor conhecermos o que nos afeta e onde vivemos. Quem somos, derivado do que aconteceu e do que está acontecendo, de modo que a história é viva e nos da a possibilidade de mudança. É preciso dar valor em seus fatos e seus registros. Saber que tivemos produtores de um saber tão rico que é pouco reconhecido e valorizado em nomes como Eidorfe Moreira, Haroldo Maranhão, Benedito Nunes, Vincente Salles e ainda temos, como Juraci Siqueira, Alfredo Oliveira e diversos outros.

    Ademais, parabéns pelos textos e suscitar a possibilidade de todo esse debate.

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    Publicado por Fabrício | 2 de março de 2016, 21:14

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