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Justiça, Terras

A empreiteira grileira

A Polícia Federal foi hoje de manhã à sede da Construtora C. R. Almeida, em Curitiba, para cumprir ali um dos mandados judiciais expedidos pelo juiz Sérgio Moro para os Estados do Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, além do Paraná, onde também foi visitada a Construtora Ivaí Engenharia.

É um novo desdobramento da Operação Lava-Jato, a que a PF deu o nome de Operação “O Recebedor”. Ela surgiu com base em um depoimento de delação premiada e acordos de leniência da Construtora Camargo Correa, que revelaram o pagamento de propina para a construção de ferrovias Norte-Sul e Integração Leste-Oeste.

Segundo as informações coletadas, as empreiteiras agora investigadas se valiam de contratos simulados para fazer pagamentos contínuos a um escritório de advocacia e a mais duas empresas com sede em Goiás, utilizadas como fachada para maquiar origem lícita do dinheiro proveniente de fraudes em licitações públicas.

Esta é a segunda operação que não está relacionada diretamente com a Petrobrás, mas foi adotada porque os empreiteiros condenados, presos ou indiciados por corrupção na estatal do petróleo também têm contratos em outras obras públicas. A primeira operação resultado de investigações da Lava Jato foi a Crátons, com seu objeto na extração e comercialização ilegal de diamantes em terras dos índios cinta-larga, em Rondônia.

Ao ser contatada por jornalistas, a C. R. Almeida informou que hoje não há expediente na empresa. .A empresa podia ter agido assim quando foi descoberta, 20 anos atrás, sua tentativa de se apropriar de sete milhões de hectares de terras públicas do Estado do Pará e da União, na maior grilagem de todos os tempos, tanto no Brasil como no mundo.

Denunciada por este repórter, a empresa reagiu com duas ações, uma cível e outra penal, para puni-lo, embora a grilagem tenha sido provada. Com base documental tão forte que o Ministério Público Federal requereu o desaforamento do processo para a justiça federal e, nela, obteve o cancelamento da fraude, gerada no cartório de registro de imóveis de Altamira.

Se a ação continuasse na justiça estadual, provavelmente o desfecho teria sido favorável ao grileiro. O TJE me condenou a indenizá-lo por ofensa à sua honra, em valor que chegou a 28 mil reais. Só consegui reunir esse dinheiro graças a doações de 770 pessoas que contribuíram, através da internet, para a “vaquinha” cívica. A quantia continua depositada em juízo.

Se a justiça do Paraná confirmar as suspeitas contra a C. R. Almeida em outras fraudes, a justiça do Pará estará ainda mais isolada na conivência com a tentativa de apropriação de terras do patrimônio público. Uma mácula que, ao invés de ser apagada da história, está sendo cada vez mais acentuada pelos desdobramentos da carreira de ilegalidades do empreiteiro Cecílio do Rego Almeida.

Ela não foi preso em virtude da grilagem porque a sentença de condenação não pôde ser executada. É que ele já tinha mais de 70 anos na época, só podendo ser preso em flagrante delito. Como morreu em 2008, agora não estará sob o risco de ser preso e algemado, como outros empreiteiros delinquentes apanhados pela Lava-Jato.

Discussão

5 comentários sobre “A empreiteira grileira

  1. É incrível a a postura de nosso TJE à época, mediante evidências que comprovaram tamanha grilagem Lúcio, sorte nossa que podemos contar com fontes de informações sérias e destemidas como a sua, na divulgação de fatos tão importantes como estes. Depois desses desdobramentos a credibilidade do TJE fica onde?

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    Publicado por Vinícios | 26 de fevereiro de 2016, 13:08
  2. Mais uma razão para que o Tribunal do Pará reveja o seu caso e tome uma decisão digna do nome justiça : reconheça o erro de tê-lo condenado , beneficiando o grileiro , e devolva o valor que foi pago em dinheiro .Tenho certeza que nas suas mãos ele terá um destino socialmente apropriado .

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    Publicado por Marly Silva | 28 de fevereiro de 2016, 14:34
    • Infelizmente, Marly, a sentença transitou em julgado. Mas os 28 mil continuam depositados na conta do TJE. Os herdeiros e sucessores de Cecílio do Rego Almeida, que morreu em 2008 (de fato, mas não para a justiça do Pará, que convalidou o não comparecimento dos seus sucessores), não sacaram. Talvez temendo os efeitos negativos para seus negócios. O que fazer desse dinheiro?

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 28 de fevereiro de 2016, 16:02
  3. o tjpa é uma brincadeira…cada dia sobem novo$ de$embargadore$ que vou te contar…$ó pen$am nisso $$$$

    Curtido por 1 pessoa

    Publicado por ricardo | 29 de fevereiro de 2016, 12:44

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