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Ópera com musical

Até sua 14ª edição, no ano passado, o festival de ópera do Teatro da Paz, promovido pela Secretaria de Cultura do Pará, sempre foi de ópera. Nada mais tautológico e redundante. Na sua 15ª edição, neste ano, porém, terá uma novidade: um super-musical sobre o compositor e músico argentino Astor Piazzolla, que morreu em 1992, consagrado como um renovador do tango tradicional e mais além,

A peça foi encomendada a alguns artistas locais pelo próprio secretário de cultura, Paulo Chaves Fernandes, que talvez assine a autoria do espetáculo. Esse detalhe ainda não parece ter sido definido, mas a inspiração é dele, mesmo sendo advertido sobre a inadequação dessa criação. Paulo não abriu mão. Não é à toa que ocupa o comando absoluto da secretaria há duas décadas.

Quem vai dirigir sua obra será o paulista Caetano Vilela. Ele também será o responsável pela condução da ópera mais importante do 15º festival, Turandot, a última criação de Giácomo Puccini. Vilela foi o principal diretor de óperas nos últimos anos do festival, depois da longa era do também paulista Cleber Papa.

No ano passado, Paulo Chaves convidou o cineasta Fernando Meirelles para dirigir Os pescadores de pérolas, de Georges Bizet. Meirelles nunca desempenhara essa função e sequer conhecia a existência dessa ópera. Para compensar a evidente deficiência, montou um espetáculo dito multimídia, que desviou a atenção do público para as fantasias de montagem.Fez sucesso com quem nunca gostou verdadeiramente de ópera ou se julga mais receptivo a  brincadeiras revestidas de inovação e ousadia supostamente de atualização.

Mas conseguiu o efeito desejado pelo contratante: dar repercussão nacional ao festival paraense, que compete diretamente com a versão amazonense, sediada no teatro de Manaus. Os jornalistas só não conseguiram saber quanto Meirelles recebeu para brincar de diretor de ópera, o que ele jamais conseguiria realizar nos belos teatros dos teatros municipais do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Discussão

15 comentários sobre “Ópera com musical

  1. Republicou isso em Jrmessi's Blog.

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    Publicado por jrmessi | 28 de fevereiro de 2016, 14:15
  2. Província politico-cultural é isso aí .O senhorzinho Malta deseja , contrata , realiza e paga . E ponto final. Mas paga com que dinheiro ? Com os impostos pagos pela classe média – a classe que mais paga imposto , pois como sabemos a elite belenense deve mais imposto do que paga …figurões não pagam nem mesmo a conta do condomínio de luxo onde habitam .Outros devem milhões à companhia de energia elétrica e por aí vai …

    Curtido por 1 pessoa

    Publicado por Marly Silva | 28 de fevereiro de 2016, 14:18
  3. O Pará parece que precisa de imperadores para isto e aquilo. Esse senhorzinho Malta da “cultura” impera a tanto tempo e apenas uma voz – a sua – pelo que me consta, ergue-se contra. Triste o povo que precisa de imperadores (heróis), parodiando Brecht

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    Publicado por jmbsouza | 28 de fevereiro de 2016, 22:17
  4. Prezado,
    Sou jornalista e admiro muito o seu trabalho. Estou escrevendo uma reportagem para um site que cobre meio ambiente e gostaria de conversar com o senhor. Seria possível? Na sexta, eu cheguei a mandar um email para um endereço que consta na sessão de comentários do seu perfil. Temo, contudo, que a mensagem não tenha chegado devidamente ao seu destino.
    Obrigado pela atenção.

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    Publicado por Cláudio Rabin | 29 de fevereiro de 2016, 09:44
  5. Vitória da Xing u pa

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    Publicado por Wesley Souza Silva | 29 de fevereiro de 2016, 23:21
  6. A hegemonia das casas de ópera na Amazônia é assustadora. Para além dos desmandos políticos de Paulo Chaves, também me percebo diante de desmandos estéticos. Os pequenos grupos e grupos históricos do teatro paraense, por exemplo, estão há décadas se fortalecendo e resistindo sem nenhum tipo de apoio do governo do estado. Abrem teatros particulares que rapidamente são fechados pela falta de suporte financeiro para a sua manutenção, e mais ali adiante abrem de novo novos projetos para tentar continuar nadando contra a maré. Essa “precariedade” foi o que formou a todos nós nas escolas de teatro e de música da Universidade, por exemplo. Ali gerações e gerações de artistas paraenses fizeram teatro nos porões de casas antigas, constituindo um público fiel da região que mais de uma vez ia assistir aos espetáculos em cartaz. Enquanto o Theatro da Paz brilha catatônico, embalsamado, com seus grandes festivais para inglês ver, os teatros de porões respiram, sempre vivos e em transformação.
    Que Paulo Chaves tenha consciência do que está plantando, quando ele cair não haverá como se levantar.
    Abs, Lúcio

    Curtido por 1 pessoa

    Publicado por pal0 | 2 de março de 2016, 09:57

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  1. Pingback: Ópera com musical | Jrmessi's Blog - 28 de fevereiro de 2016

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