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Cultura, Educação

O mundo pra quê?

De tempos em tempos renovo uma sugestão que apresentei originalmente muitos anos atrás: a criação de um Observatório da Amazônia no âmbito da maior instituição de ensino superior da região, a Universidade Federal do Pará.

Uma equipe multidisciplinar, instalada em espaço adequado, confortável e acessível, manteria plantão 24 horas para atender consultas do público relativas a todos os temas atinentes à pauta amazônica, por todos os meios de comunicação possíveis, inclusive o (como hoje se diz, no universo digital) presencial.

Ao mesmo tempo, faria pequenas locuções (de 10 minutos no máximo) sobre questões solicitadas pelo público. Também divulgaria as pesquisas da UFPA, faria indicações bibliográficas, informaria sobre a agenda cultural e científica.

Nunca recebi qualquer retorno da instituição – e, a bem da verdade, nem da sociedade. Minha ideia pode ser lunática ou inviável, mas ela tem pressupostos, como os que o Elias Pinto citou em sua mensagem a este blog. O cidadão da Amazônia, por morar numa região colonial, não sabe sequer o que acontece nela ou não consegue entender o que se sucede diante dos seus olhos, testemunha passiva da história (ou anti).

Tendo pesquisadores, professores e cientistas de todos os ramos do saber ao seu alcance, com os conhecimentos que a universidade acumula de forma sistemática e atualizada, ele pode receber aulas práticas personalizadas e se tornar um difusor das informações organizadas de tal forma que o ajudem a se situar em um universo ao alcance da sua ação.

Já os consultores (todos devidamente remunerados e credores dos benefícios de prestarem serviço de relevância social, a contar em seus currículos) seriam beneficiados pelo retorno de informações do mundo real, daquele que se forma além dos muros universitários, e ter o seu saber posto em xeque – para o bem de todos e felicidade geral da nação.

Com o Observatório, o início do funcionamento da hidrelétrica de Belo Monte não seria algo metafísico, aristotélico e decorativo. Nem para o mundo amazônico, vítima do velho colonialismo, nem para a academia.

Mas quem quer mesmo a vida pulsante dos fatos e do saber?

Discussão

8 comentários sobre “O mundo pra quê?

  1. Lúcio,

    A UFPA é grande e complexa demais para fazer isso. Além disso, as pesquisas relevantes sobre a região estão espalhadas por tantas organizações que seria melhor ter uma instituição neutra para implementar a sua maravilhosa idéia. Talvez a criação do Observatório da Amazônia no modelo do Climate Central (http://www.climatecentral.org/) pudesse ser a saída. A grande questão a ser resolvida é o financiamento (criação de um Trust Fund, no modelo do The Guardian) para bancar uma estrutura profissional e qualificada para produzir conteúdo independente em português, inglês e espanhol para atingir toda a Pan-Amazônia e o mundo. O custo da iniciativa seria irrisório para os benefícios a serem gerados.

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    Publicado por Jose Silva | 26 de maio de 2016, 11:25
  2. A sugestão do Observatório não é devaneio de futurólogo, serviria para conter a rapinagem das riquezas estratégicas da amazônia, em essência, iridescente aos olhos do mundo desde a colonização.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 26 de maio de 2016, 11:33
    • Exatamente, Thirson.
      Por que os intelectuais da academia se mantêm silentes e, vários deles, acovardados diante do exuberante e único drama amazônico, uma combinação de selvageria, primitivismo, delinquência, alta tecnologia, capital intensivo e mais alguns componentes típicos de uma grande aventura humana?

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 26 de maio de 2016, 12:06
  3. A celeuma acadêmica, inerte, de diálogo estéril e fala dúbia, permeado na mescla dos fatores que impactam o cotidiano dos intelectuais, condiciona o discernimento, e a partir disto, a capacidade de posicionar-se com certa criticidade fica castrada.

    Posicionar-se implica a necessária capacidade de superação de contratempos físicos e cognitivos, muito além de meros protocolos cerimoniais que visam a docilização do ego.

    Logo, sentir o peso de colocar-se com firmeza diante da realidade cotidiana e não correr do horror estarrecedor e habitual é para poucos.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 26 de maio de 2016, 18:33
  4. Caro Lucio, outra proposta que deveria ser também encaminhada para a UFPA , seria a criação da Universidade EAD, muito utilizada para os estudantes que não tem tempo (como eu) de frequentar as aulas em loco. Seria uma grande sacada da UFPA, pois não existe nenhuma Universidade Federal com esse tipo de ensino.

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    Publicado por marcusbrabo | 27 de maio de 2016, 09:55

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