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Imprensa, Justiça, Política

A lavagem da imprensa

Hoje de manhã o diretor do site Brasil 247, Leonardo Attuch foi levado para depor na sede da Polícia Federal em São Paulo. Ele foi um dos principais alvos da “Custo Brasil”, a 31ª fase da Operação Lava-Jato. Os, agentes da Polícia Federal cumpriram outros 64 mandados judiciais, um dos quais resultou na prisão preventiva do ex-ministro das Comunicações na administração do PT, Paulo Bernardo.

O novo ato é um desdobramento das de fases da operação contra a corrupção em órgãos públicos denominadas “Pixuleco”, deflagradas em agosto do ano passado. Na ocasião, o lobista Milton Pascowitch, em delação premiada, acusou a Editora 247, dirigida pelo jornalista, de receber 120 mil reais para apoiar o PT. Com base nessa delação, o Ministério Público Federal pediu a prisão temporária de Attuch. O pedido foi negado pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava-Jato em Curitiba, no Paraná.

Attuch revidou a acusação através de uma nota, negando participação em esquemas fraudulentos. Alegou que o dinheiro pagamento ao trabalho do seu irmão, o empresário José Adolfo, pela “produção de conteúdo sobre o setor de engenharia”.

Defendeu também a postura editorial do site 247. Sob sua direção, o jornal eletrônico seguiria “pautando-se sempre pela independência, pela pluralidade e pela defesa das empresas brasileiras e dos interesses nacionais”.

Além da delação de Pascowitch, em outubro de 2014 a coluna de Augusto Nunes no site da revista Veja apontou o diretor do 247 como possível personagem de dinheiro a ser distribuído pelo doleiro Alberto Yousseff. À época, em ação de mandado de busca e apreensão na casa de Yousseff, a PF encontrou um pedaço de papel com a mensagem: “Leonardo Attuch – 6x 40.000”. Mas ele sustentou que tudo não passava de calúnia, prometendo que iria processar o colunista, o que não fez.

Pode ser que Attuch seja inocente e desfaça as acusações que lhe são feitas. Mas uma coisa é certa: a imprensa não podia ficar de fora da Lava-Jato. É evidente que há jornalistas beneficiados pelo desvio de dinheiro público e pagamento de propinas.

A apuração honeste e eficiente dos fatos terá a sempre salutar finalidade de distinguir o joio do trigo e contribuir para que a imprensa seja constrangida, pela sociedade, sempre que se misturar em promiscuidade com os poderosos. Sua missão mais nobre é estar ao lado da sociedade, não dos que a manipulam e exploram.

Discussão

2 comentários sobre “A lavagem da imprensa

  1. REALMENTE TEM JORNALISTA NA LAVA-ESPETÁCULO

    E eis que a Lava Jato resvala em Reinaldo Azevedo, através de Luiz Carlos Mendonça de Barros, um dos homens fortes de FHC na economia.

    Sergio Machado citou Mendonça de Barros em sua delação. Mendonça de Barros, coordenador da campanha de reeleição de FHC, teria providenciado 4 milhões de reais — em dinheiro da época — para que Aécio financiasse 50 candidatos a deputados federais que lhe permitissem virar depois presidente da Câmara.

    Mais ou menos na mesma época, Mendonça de Barros estava montando uma revista chamada Primeira Leitura, em que Reinaldo Azevedo foi uma figura capital.

    De onde veio o dinheiro para o lançamento da revista? De sobras de campanha?

    É uma pergunta interessante e pertinente.

    Em 2004, Mendonça de Barros deixou a revista, que nunca chegou a decolar nem em público e nem em prestígio. Ele provavelmente cansou de colocar dinheiro — fosse dele mesmo ou de sobras de campanha.

    A Primeira Leitura continuou mesmo assim, com Reinaldo Azevedo no timão.

    A vida pós-Mendonça não foi nada fácil no quesito financeiro. Virou notícia uma mãozinha dada pelo governo Alckmin por meio de publicidade da Nossa Caixa.

    Alckmin é sempre generoso, com o dinheiro público, quando se trata de mídia amiga, por mais irrelevante que seja. Soube-se também, há não muito tempo, que um site chamado Implicante, dedicado a atacar o PT, era bancado por Alckmin.

    Mas nem assim a revista sobreviveu.

    Numa entrevista de 2006 ao Observatório da Imprensa, Reinaldo Azevedo tentou explicar os anúncios da Nossa Caixa. Eles eram no mínimo estranhos. Que a Nossa Caixa estava fazendo numa revista supostamente sofisticada, lida por pessoas que hoje seriam classificadas como coxinhas?

    Azevedo tergiversou. Disse que os números justificavam. Falou em 2 milhões de acessos do site da Primeira Leitura. Ora, apenas como referência, o DCM tem dez vezes mais que isso.

    Na entrevista, ele teceu elogios entusiasmados à Veja. “Eu gosto muito da Veja. Se fizesse uma revista semanal, gostaria que ela fosse como a Veja”, afirmou. Disse que não se tratava de pedido de emprego, mas o fato é que os elogios funcionaram exatamente como isso.

    Ele acabaria inaugurando na Veja, ao lado de Diogo Mainardi, o colunismo de famulagem: a defesa estrepitosa e intransigente dos interesses dos patrões. Uma carreira medíocre, obscura, de zé mané alçou vôo assim.

    Os barões da imprensa recompensam seus fâmulos.

    Acabaram-se, na Veja, seus problemas de dinheiro. Até porque a Abril tinha notável domínio na arte de mamar em dinheiro público — de anúncios a financiamentos do BNDES, da venda de livros e assinaturas a isenções fiscais como o papel imune.

    Fica agora por esclarecer o dinheiro que sustentou a Primeira Leitura de Mendonça de Barros e Reinaldo Azevedo.

    (Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

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    Publicado por myléo | 23 de junho de 2016, 16:48
    • Muito bom reproduzir a matéria. No último post me referi à criminosa e vil privatização das telecomunicações no governo FHC, classificação que essas informações confirmam. Agora se sabe que consciências e linhas editoriais foram postas à venda ao PSDB e ao PT, gente de esquerda ou de direita, todos traidores do seu ofício e falsos nas suas palavras

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 23 de junho de 2016, 17:09

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