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Economia, Política

O dinheiro do trabalhador

Os dois maiores requerimentos de recuperação judicial apresentados no Brasil somam nada menos do que 85 bilhões de reais, três vezes e meia o orçamento do Pará previsto para 2017. São R$ 65,4 bilhões na conta da Oi e R$ 19,3 bilhões da Sete Brasil.

As duas empresas tentam, através do recurso à justiça, desfrutar de condições vantajosas para pagar seus credores e assim se livrar do destino que seria certo por outra via: a falência. Ou a venda na bacia das almas.

Deviam ser duas das multinacionais brasileiras, título que conquistariam por sua competência. Seria assim num verdadeiro capitalismo de mercado, no qual o investidor prova a sua capacidade assumindo riscos das suas decisões.

No Brasil, ele só se arrisca se tiver dinheiro público. Seja num governo do PT, do PSDB ou de qualquer outro partido, que todos, agora, depois do mensalão e em pleno petrolão, se equivalem, fantasias e fanatismos à parte.

A Oi surgiu da criminosa e vil privatização das telecomunicações, até então estatizadas (uma das poucas grandes realizações do regime militar), por ser um setor da economia com alto componente de interesse público (sem precisar falar de segurança nacional). Mas ela foi adubada pelo tesouro nacional, através do BNDES, no governo Lula, em transações escusas e ruinosas.

A Sete Brasil foi uma das criaturas mais representativas do modo petista de governar o país, com retórica para um lado do espectro ideológico e a prática para o outro lado, do mais selvagem capitalismo.

A empresa foi organizada num dos gabinetes que funcionou paralelamente à sede da Petrobrás arquitetando golpes contra a petrolífera estatal. A Sete deveria ser a grande operadora do pré-sal, que já é a maior fonte de óleo do Brasil, com importância cada vez maior na produção nacional, trabalhando à margem da corrupção nos seus intestinos (e desafiada a superar  seus efeitos).

Em abril a Sete Brasil jogou a toalha, quando pediu a recuperação judicial, apontando uma dívida de R$ 19,3 bilhões. Só o fundo de investimentos em infraestrutura do FGT (formado pela contribuição compulsória do trabalhador brasileiro), o prejuízo foi de R$ 2,2 bilhões em 2014 e 2015, R$ 1,8 bilhão no ano passado (quanto ainda neste ano?), em função da perda de valor pela companhia.

Constata-se agora que o FIFFGTS aplicou um terço do seu patrimônio líquido, de R$ 34 bilhões, em companhias que estão sendo investigadas ou punidas no âmbito da Operação Lava-Jato, principalmente na Odebrecht, mas também na OAS, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Quem deu a desastrada orientação (para o fundo), com poder suficiente para impor-lhe a decisão?

Agora os alvos são de grande porte: os fundos estatais, já sob a mira de uma CPI, e a Sete, da qual derivaram alguns personagens notórios, dentre os quais o super-bilionário Eike Batista, que Lula e Dilma apontavam como o melhor dos empresários do país.

Com as informações dos dirigentes da Petrobrás que aliciou e contratou, e com a generosa oferta de dinheiro público que lhe chegou através dos fundos e do BNDES, Eike se tornou o oitavo homem mais rico do mundo. Hoje está completamente fora do ranking.

O que era carruagem virou abóbora e os cavalos retornaram à sua condição de ratos. Hora certa para apurar as contas antes que elas sejam pagas da mesma forma como as dívidas se formaram: com dinheiro público, em particular o trabalhador.

O partido que lhe emprestou o nome vai se revelando como o que mais o desprezou, mesmo com bolsa família e outros programas de inclusão social. Justamente porque apregoava defendê-lo como nunca antes, mas dando-lhe trocados enquanto colocava montanhas de dinheiro nos cofres dos seus velhos antagonistas, os agentes inescrupulosos da administração, dos negócios e da política.

Discussão

2 comentários sobre “O dinheiro do trabalhador

  1. Por isso que alguns especialistas dizem há uma necessidade enorme de fazer uma reforma trabalhista no Brasil. Uma grande parte dos custos trabalhistas são penduricalhos criados pelos governos para gerar renda para o próprio governo fazer baboseiras. Seria muito melhor cortar esses impostos, reduzir os custos trabalhistas e dar o dinheiro diretamente para o trabalhador. Infelizmente a mentalidade nacional ainda é a que os trabalhadores precisam ser tutelados pelo governo, pois são incapazes de tomar decisões importante sozinhos.

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    Publicado por Jose Silva | 26 de junho de 2016, 01:04
  2. Apuraram tanto que descobriram o Jereissati no pré-sal e o pmdb, ai Lucio.

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    Publicado por missrex | 2 de julho de 2016, 06:16

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