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Agricultura, Ecologia

O rastro dos desmatadores

O Ministério Público Federal saber a natureza das relações comerciais entre três dos principais grupos do agronegócio no Brasil com as empresas e integrantes da família Junqueira Vilela, acusada de chefiar o maior esquema de desmatamento da Amazônia.

Ofícios com pedido de informações foram encaminhados ao grupo JBS, o maior processador de carne bovina do mundo, à Amaggi Exportação e Importação, uma das maiores companhias de compra e venda de grãos do país, e a Elusmar e Eraí Maggi Scheffer, dirigentes do grupo Bom Futuro, outro líder no agronegócio.

No final de junho os Junqueira Vilela foram flagrados pela operação Rios Voadores, que desmontou organização criminosa que criou técnica especial para a rápida conversão de florestas em latifúndios, utilizando metodologia científica, mão de obra escrava e uma série de fraudes documentais.

O MPF disse, hoje, em nota, que o sistema movimentou 1,9 bilhão de reais entre 2012 e 2015 e destruiu 300 quilômetros quadrados (ou 30 mil hectares) de florestas em Altamira, no Pará.. O prejuízo ambiental foi avaliado em R$ 420 milhões.

Investigações do MPF, Polícia Federal, Receita Federal e do Ibama verificaram que entre 2012 e 2015 a Amaggi e os empresários Elusmar e Eraí Maggi Scheffer transferiram R$ 10 milhões para Antônio José Junqueira Vilela Filho, conhecido como AJ ou Jotinha, e para um cunhado de AJ, Ricardo Caldeira Viacava. No mesmo período, a JBS transferiu R$ 7,4 milhões a AJ e a uma irmã dele, Ana Paula Junqueira Vilela Carneiro.

Como essas transações comerciais podem ter sido feitas para compra de grãos ou animais procedentes de áreas desmatadas ilegalmente, o Ministério Público quer o testemunho dos compradores.

O MPF quer averiguar se a responsabilização civil por dano ao meio ambiente pode, em tese, atingir as empresas compradoras, “pois, segundo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), para o fim de apuração do nexo de causalidade no dano urbanístico-ambiental equiparam-se quem faz, quem não faz quando deveria fazer, quem não se importa que façam, quem cala quando lhe cabe denunciar, quem financia para que façam e quem se beneficia quando outros fazem, sendo a responsabilidade ambiental objetiva”.

Além de questionar os motivos das transações comerciais, o MPF solicitou informações sobre a origem e o destino dos bens comercializados.

Discussão

2 comentários sobre “O rastro dos desmatadores

  1. Tem que ir atrás mesmo. Tanto a JBS como a Amaggi tinham se comprometido a não comprar nada de áreas de desmatamento ilegais. Foram ludibriados? Ou sabiam de alguma coisa?

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    Publicado por Jose Silva | 21 de julho de 2016, 19:38
  2. Esta ligado a nova mentalidade econômica e empresarial vigente, tanto do destino do que se usa, quanto a origem do que se compra. A rede do sistema econômico é super interligado é diz respeito a responsabilização, se não direta, mas indiretamente, na obrigação de se saber a procedência e suas consequências. Podendo indireta por omissão e negligencia ou diretamente incentivando essas praticas delituosas. Nessas circunstancias o comprador, além de financiador, é cúmplice. São empresas que se dizem responsáveis pelo desenvolvimento da economia brasileira pelo ramo do agronegócio, e bem mais que isso, que gastam quantia razoável com sua imagem e declarando responsabilidade social e ambiental. A pergunta se estende ao ministro da agricultura em saber como ele se vê as empresas que tem o nome de sua família envolvia em processos de crime ambiental?

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    Publicado por Fabrício | 29 de julho de 2016, 16:05

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