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Cidades, Política

Projeto 4: proteger as mangueiras

O (e)leitor já deve ter percebido que minha maior preocupação, como candidato virtual à prefeitura de Belém, é criar oportunidades de emprego. Tanto diretamente como pelo estímulo à iniciativa particular. Empregos que podem surgir de iniciativas simples, mas adaptadas ao mercado da capital paraense, no qual a economia informal convive com a economia informal (e, infelizmente, com a economia criminosa, com ou sem colarinho branco).

Por isso retomo uma ideia de muitos anos atrás: a criação de uma guarda florestal mirim de Belém. Ela seria formada por crianças e adolescentes com idade entre 10 e 17 anos. Eles fariam seus cursos regulares à tarde, depois de tomarem o café da manhã e almoçarem na sede da guarda, onde trabalharão pelo período matutino. Terão que ser matriculados em escolas públicas situadas bem próximas da sede da guarda para não perder tempo no deslocamento.

Esses guardas mirins serão treinados para cuidar da arborização das vias públicas, principalmente para fazer desbastes e dar tratamento fito-sanitário às árvores, além de coletar mangas nos períodos de safra. As frutas serão repartidas entre as famílias dos jovens e organizações de caridade e assistência social. Terão direito a uma bolsa de iniciação profissional de valor equivalente a um salário mínimo.

O trabalho dos meninos será acompanhado, supervisionado e corrigido por instrutores. Ao mesmo tempo em que cuidam das árvores, eles fazem exercício físico através de rapel e outras técnicas que lhes permitam subir às copas das árvores com toda segurança.

Terão aulas complementares adequadas para o exercício da função. Só prosseguirão no treinamento os que alcançarem nota mínima cinco e forem bem avaliados na atividade prática, além do comportamento social.

À medida que completarem a maioridade, os jovens serão incorporados na formação de uma guarda florestal urbana que se formará. Naturalmente, esses guardas mirins terão que se submeter a concurso público para serem contratados como servidores públicos.

Provavelmente eles estarão mais aptos a serem aprovados do que os candidatos sem sua qualificação, já que o teste será dirigido para admitir pessoas que atendam as exigências do serviço.

Além de instruir, educar, alimentar e garantir uma fonte de subsistência a crianças e jovens, esse projeto permitirá limpeza periódica das árvores, os tratos devidos e a coleta das mangas, um efeito colateral negativo da sua sempre bem-vinda presença na cidade. Retiradas dos galhos antes de cair, elas não atingirão as pessoas nem os carros. Belém poderá se reconciliar com uma das suas principais marcas.

 

Discussão

11 comentários sobre “Projeto 4: proteger as mangueiras

  1. Lucio,

    Há um problema na ideia. Talvez menores não possam trabalhar. Precisa ver a lei. Talvez seja melhor focalizar na faixa dos 18-21 anos, que é a idade onde legalmente pode-se trabalhar. Além disso, essa é a idade mais critica para afastar os jovens da criminalidade.

    Outra ideia complementar é oferecer emprego e treinamento para os jovens nas férias (emprego cívico) tal como acontece em outros países. Esses grupos enormes de jovens durante as férias poderão fazer muitas coisas de impacto e úteis na cidade e ao mesmo tempo se prepararem para empregos futuros. É a famosa primeira oportunidade que todos procuram.

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    Publicado por José Silva | 17 de setembro de 2016, 13:07
    • Já pensei nessa hipótese, mas se o fiscal da lei, o Ministério Público, abonar a relação entre a prefeitura e os pais, as crianças poderão trabalhar por ser em horário restrito, não prejudicar (pelo contrário) o ensino, ser uma fonte de renda e também de alimentação. O juizado da infância e da adolescência acompanharia também. Mas tem que ser nessa faixa. Inclusive por combater a droga mais cedo. Na idade que você sugere boa parte dos adolescentes já teve contato com a droga.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 17 de setembro de 2016, 13:14
      • Prefiro escolas integrais com ensino profissionalizante a tarde. Atenderíamos mais gente e ofereceríamos mais opções de atividades profissionais.

        As escolas, com apoio do SEBRAE, poderiam ensinar empreendedorismo para os alunos e abrigar temporariamente micro-empresas de alunos formados que tivessem boas ideias, incluindo, por exemplo, a manutenção das mangueiras.

        A Prefeitura poderia criar um fundo para contratar essas micro-empresas. Com isso teríamos: educação e trabalhos integrados na escola em um ambiente seguro, uma estratégia para apoiar os novos micro-empreendedores, e, principalmente, uma estratégia para apoiar as micro-empresas assim que formafas para evitar que elas morram durante os primeiros 3-4 anos críticos.

        Entre as escolas profissionalizantes, algumas poderiam ter ênfase florestal em convênio com Embrapa e UFRA, mas sem o patrocínio das moto-serras.

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        Publicado por José Silva | 18 de setembro de 2016, 11:24
      • Abrigo a sua proposta, caro José, como alternativa à minha, mantendo-a.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 18 de setembro de 2016, 11:45
  2. Lúcio, crianças e adolescentes gostam de adrenalina , aventura . Você vai propor rapel “com toda a segurança” , não vai dar certo , a garotada vai driblar a segurança! E aonde estão as mangueiras ? Na Generalíssimo , na Braz de Aguiar , na Presidente Vargas , ora , todas essas ruas e avenidas estão entupidas de carros e violência no trânsito . Caramba , você quer criar mais problemas para o futuro Prefeito ? Já pensou um menino desse atropelado, acidentado ,caindo de um arvore ? Eu hein, manda outra (rs)

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    Publicado por Marly Silva | 17 de setembro de 2016, 13:10
    • Como disse, crianças e adolescente irão às suas acompanhados por instrutores. Farão rapel com toda segurança. E só os que, no treinamento, se mostrarem capazes (vários sobem em árvores sem nada e a mangueira é muito mais fácil do que um açaizeiro, quando se tem suporte na base).
      Justamente porque há gente e veículos em maior concentração, é aí mesmo que deve ser a prioridade. Mas também é a forma de expandir o plantio das mangueiras.
      Mantenho a minha sugestão, apesar da sua oposição. Vou perder o voto?

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 17 de setembro de 2016, 13:30
  3. Quanto a “criar oportunidades de emprego”, a Secon o faz driblando o Código de Postura e autorizando mesas e cadeiras nas calçadas…área essa, .retiradas ao uso do pedestre. (http://laboratoriodemocraciaurbana.blogspot.com.br/2015/02/sobre-calcadas-e-colaboracao.html)
    Isso praticamente responderam quando o MPE exigiu a liberação das mesmas. http://civviva-cidadevelha-cidadeviva.blogspot.com.br/2016/02/as-calcadas-segundo-o-mpe.html

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    Publicado por Dulce Rosa Rocque | 17 de setembro de 2016, 15:22
  4. É,….. tudo tem um limite,…. parece que dessa vez não deu certo.

    “…Eu hein, manda outra (rs)…”

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    Publicado por Sou daqui. | 18 de setembro de 2016, 07:07
  5. Seria algum tipo de escoteiro? Não seria melhor procurar apoio a ONGs que fazem isso e instruir o que se deseja da atividade dos jovens? Plantando, conservando e vigiando. em espaços e grupos criando talvez pequenas cabines.

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    Publicado por Fabrício | 28 de setembro de 2016, 18:02

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