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Cidades

Belém: e os 400 anos?

Pífia a data. No seu quarto centenário, que chegará ao fim dentro de três meses, Belém não teve o que comemorar. A programação oficial foi de curto fôlego e sem substância, inacreditavelmente pobre. Como ninguém completa mais um centenário, e o quarto, de expressão num continente novo, colonizado pelos seus ainda dominadores apenas cinco séculos atrás, o marco é importante. Mas até os belenenses desconhecem sua história.

De cultural, nada houve no 4º centenário da capital dos paraenses. Nenhum simpósio, congresso, exposição. Nenhum livro alusivo à ocasião. Nenhuma atividade condizente nas escolas. Nenhuma obra à altura do momento.

Mas o pior é que nada prenuncia um futuro melhor para uma cidade que cresce caótica, marcada pelo desrespeito aos mais elementares direitos humanos, em ritmo de violência, movida por uma máquina de engrenagens ocultas, pelo crime organizado, pela violência desenfreada e monstruosa, por contrastes cada vez maiores entre os abonados e os deserdados, entre os desafios urbanos imensos e uma classe dirigente que só faz se repetir, cuja visão é liliputiana.

Mais uma eleição sem pessoas capazes de redirecionar os rumos da antiga metrópole da Amazônia. Continuará a agressão ao ambiente, o crescimento vertical a toque de especulação imobiliária, a higiene primitiva, o saneamento ignóbil, a periferia como terra de ninguém, a economia informal engolindo a atividade econômica regular, o desrespeito a todas as regras da vida coletiva, o transporte público ultrajante, a cornucópia de interesses empresariais e políticos e etc. e etc.

A dois dias da votação para a escolha do novo e velho prefeito para mais quatro anos comezinhos e medíocres, vou fazer mais uma enquete para tentar provocar o interesse e a manifestação dos leitores.

A pergunta é a seguinte: o que você gostaria que fosse realizado para assinalar os 400 anos de Belém? Claro que justificando a proposta e fazendo uma reflexão sobre o que essa data significa.

Ao debate, pois.

Discussão

24 comentários sobre “Belém: e os 400 anos?

  1. Eu acho que precisaria fazer de uma hora de silêncio, com todo o respeito que isso merece. Estou falando sério.

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    Publicado por Sandro Ruggeri Dulcet | 30 de setembro de 2016, 08:55
  2. Sinceramente caro Lúcio, gostaria que todas as atenções fossem voltadas para o combate a violência , saúde e educação. São os 3 pilares fundamentais para que possamos ter um mínimo de vida com dignidade.

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    Publicado por Marcus Brabo | 30 de setembro de 2016, 09:02
  3. Prezados Lúcio e Sandro, ao fechar os olhos e ficar em silêncio me veio à memória a letra da abaixo ( talvez porque no artigo acima você usa a expressão “terra de ninguém”).

    Para assinalar os 400 anos eu gostaria que esta música não fosse tão verdadeira em nossa amada Belém.

    “Na terra de ninguém
    Onde ninguém quer ouvir a verdade
    Onde ninguém tem a necessidade
    De segurança, trabalho
    Comida, de honestidade
    Justiça e amor
    Na terra de ninguém
    Na terra de ninguém
    Onde ninguém hoje é respeitado
    Onde ninguém quer mudar esse quadro
    De violência, miséria
    Maldade, de peversidade
    Engano e dor
    Na terra de ninguém
    Na terra de ninguém
    Eu vi duas pessoas jogando xadrez
    Eu vi um bispo e a rainha tentando
    Um xeque mate na frentre do rei
    Onde a prosperidade e a pobreza (violência)
    São apenas um meio
    De se conseguir mais riqueza (candidatos oportunistas)
    Xeque mate
    Xeque mate
    Xeque mate
    Na terra de ninguém
    Na terra de Ninguém
    Tive medo do que podia acontecer
    Na terra de Ninguém
    Tenho medo do que poderá acontecer
    Tenho medo do que poderá acontecer
    Na terra de Ninguém
    Eu Me Ajoelhei e Orei
    Na terra de ninguém”

    Banda Catedral.

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    Publicado por Fabiano | 30 de setembro de 2016, 10:01
  4. Texto bom, enquete boa, boas reflexões.

    Porém, assim como o tempo que passou na janela para Belém, o presente post tem atraso de 1 ano.

    Tudo que está sendo tratado aqui, tinha que ser abordado no final do ano passado ou no início deste 2016, para que pudesse surtir algum efeito prático.

    Mas, numa escala de 400 anos, o que é um ano?

    Portanto, tudo que for levantado aqui, pode ser válido, apenas com a ressalva de tratar-se da comemoração dos 401 Anos da Mangueirosa SANTA MARIA DE BELÉM DO GRÃO PARÁ.

    Em tempo:
    Nesse 2016, 400 anos de Belém, 75 de nascimento do Walter Bandeira.
    Ambos não homenageados como mereciam.

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    Publicado por Sou daqui. | 30 de setembro de 2016, 11:26
    • Você precisa me ler mais e melhor para não transformar sua crítica em bumerangue desgovernado. Veja o que escrevi na época sobre a data e a manifestação dos leitores. A nova iniciativa (que tem sua aprovação) é para que o ano dos 400 anos não finde (ou chine, como dizem os empinadores de papagaio, como eu) em completo silêncio, em estado cadavérico.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de setembro de 2016, 11:32
      • Independente do que já tenha havido antes, o abaixo está valendo.

        “,,,,,Portanto, tudo que for levantado aqui, pode ser válido, apenas com a ressalva de tratar-se da comemoração dos 401 Anos da Mangueirosa SANTA MARIA DE BELÉM DO GRÃO PARÁ…”

        Como falamos aqui em Belém, “depois do Círio o ano já acabou”…..

        Nota:
        Empinar papagaio é bom demais. Imagino que tenhas feito antes um nivelamento nas Cangulas.
        Pena que o uso do Cerol agora seja quase um crime. Empinar com linha branca é muito sem graça. Mas fazer o que ??

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        Publicado por Sou daqui. | 30 de setembro de 2016, 13:15
      • Raramente empinei cangula. Coloquei muito guinador no ar, da 106, com cerol do pico (lâmpada moída e cola de sapateiro), encerado com o papagaio no ar. Aprendi com um grande amigo, o Orlando, que ainda hoje é ambulante no comércio.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de setembro de 2016, 15:19
    • Ah, sim: viva o Walter.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de setembro de 2016, 11:32
  5. Um minuto de silêncio é uma excelente idéia. Uma hora de rock pesado com letras críticas também é uma excelente idéia. Votar em branco pode ser uma boa estratégia para os que acham que nenhum candidato presta. Aquela sua idéia de colocar cruzes em vários pontos a cidade para fazerr um protesto contra a violência urbana também é excelente. Do meu ponto de vista, a melhor ação para comemorar os 400 anos seria a população mostrar um pouco de maturidade política e eleger a primeira prefeita da cidade. Entre as duas candidatas, claro, a Úrsula Vidal é a mais preparada.

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    Publicado por Jose Silva | 30 de setembro de 2016, 12:24
  6. Caso queira tratar de papagaios, cangulas, rabiolas e curicas, é só falar.
    Hoje a técnica construtiva aqui em Belém mudou um pouco. As rabiolas não tem mais o papel de seda dobrado na linha lateral e as talas estão extremamente finas.
    Mas não tenho queixas por isso. Estão bem ágeis para dar cabeçadas.

    Se topar podemos marcar um tira teima no Portal da Amazônia, porque na Boaventura da Silva esquina da três de maio já não dá mais para fazer isso.

    Mas tem que ser valendo, com cerol fino, vidro coado no pano.

    Nota: Acho que esse seu enguinador é blefe.

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    Publicado por Sou daqui. | 30 de setembro de 2016, 16:49
    • Comprado na 106, no início da antiga São Jerônimo, e levado para o rally de papagaio na vila da 3 de maio. Mas o Orlando e eu fazíamos subir e descer papagaio por toda Belém. Nessa época morávamos na Veiga Cabral, entre Padre Eutíquio e São Pedro. Meu ídolo era o Miguel Pernambuco, que teve fim trágico. Ele empinava no largo da Trindade, onde depois fui morar. Empinei com meus filhos no Pará Clube. Na hora do laço, sem-cerimônia, eu tirava a linha deles e ia para o combate.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de setembro de 2016, 17:07
      • Ainda tinha a disputa de pegar os que chinavam quando cortados, alguns moleques usavam uma vara para pegar antes que chegasse ao chão.
        Tinha também um código de ética, matar linha dava briga, e o matador de linha era um infrator.

        Bons e saudáveis tempos.
        Belém de outrora.

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        Publicado por Sou daqui. | 30 de setembro de 2016, 17:21
      • Jogava-se um “bode” sobre a linha do papagaio no ar. Era o golpe mais sujo.
        Vou propor o seguinte: todos os empinadores mandam para cá, de forma organizada, as suas contribuições. Se tiverem fotos, ótimo. Juntamos e vamos tentar publicar um folheto sobre essa prática única, porque os nossos papagaios (como as pipas orientais) não têm iguais. Vamos lá?

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de setembro de 2016, 18:16
      • Estou achando que vocês so empinavam mesmo cangula e rabiola, pois era mais fácil de dominar :). Papagaio era somente para quem dominava a fina da arte de cortar…

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        Publicado por Jose Silva | 30 de setembro de 2016, 17:52
      • Fui um bom empinador, do que não me orgulho porque era a sina dos moleques da época. Havia o papagaio normal e o guinador (o enguinador me parece linguagem escrita, não a oral). O guinador era largo, bem vergado, e sua maior característica, que o tornava perigosamente nervoso, era o rabinho de pano, com uma ponteira na extremidade. Pegava uma força sem igual, mas realmente precisava de destreza. Tanto para subir como para ser manobrado. Qualquer erro e ele enterrava. Mas indo contra o vento, na volta ia arrastando tudo que era curica, cangula, rabiola e papagaios menores. Um passe de balé.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de setembro de 2016, 18:21
  7. O Lúcio era empinador de curica na frente do ventilador.
    Esse enguinador ele só viu, e sonhava…rsrsrs…..

    Perguntem se ele sabe os modelos de desenho próprios dessa arte ?

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    Publicado por Sou daqui. | 30 de setembro de 2016, 18:15
    • Vezinho, listrado, triângulo, camisa e as formas que até hoje o Cobra fabrica. (Demorei porque a internet caiu. Temos provavelmente a pior internet do mundo e a mais cara. Obra do FHC, via Sérgio Mota, o trator.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de setembro de 2016, 18:48
      • É, passou no teste. ( dos modelos de papagaios)

        Quanto a internet, se fosse pelo PT e a turma, pelo visto estaríamos ainda na discada. E com preço ainda pior que hoje.

        Em tempo: Tenho noção dos padrões pecuniários da privatização. Não tenho bandidos preferidos.

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        Publicado por Sou daqui. | 1 de outubro de 2016, 09:44
  8. To desconfiando também que só tinha pirangueiro nessa turma. So empinavam as suas curicas escondidos. Assim que aparecesse algum papagaio no ar para o embate, baixavam a curiquinha e se trancavam em casa até a ameaça passar….:)

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    Publicado por Jose Silva | 30 de setembro de 2016, 18:22

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