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Agricultura, Economia

Lá vai o boi

Saiu de uma fazenda de Bataguassu, no Mato Grosso do Sul, no mês passado, a primeira carga de carne bovina in natura para o mais novo mercado para o produto brasileiro, os Estados Unidos. Foram embarcadas 126,5 toneladas, que renderam cerca de 500 mil dólares ao vendedor. Ou 4 dólares o quilo.

O novo destino resultou do acordo de comércio bilateral assinado em 1º de agosto deste ano. Nos primeiros nove meses deste ano, as exportações de carne viva do Brasil, que é um dos líderes mundiais na exportação de carne bovina. somaram US$ 4 bilhões.

O governo brasileiro considerou a abertura do mercado norte-americano “uma conquista importante”, com a possibilidade de abertura de novos mercados, “já que os Estados Unidos são muitos exigentes em questões sanitárias”.

O Pará, que é o maior exportador de boi em pé do país, terá rebanho de qualidade e capacidade de penetrar nesse mercado mais exigente? A pergunta cabe porque o Estado fica muito mais perto dos EUA. Vantagem locacional, portanto, ele tem. Ou a função que lhe cabe é atender mercados menos interessantes, se é que interessa ao país avançar nesse setor, aprofundando ainda mais sua produção de matérias primas.

Discussão

6 comentários sobre “Lá vai o boi

  1. Segundo a teoria há dois tipos de barreiras para a carne brasileira: uma é a fotossanitária (a mas básica) e a outra é a ambiental (a mais complicada, pois requer que o priodutor demonstre que o produto não é proveniente de áreas desmatadas ilegalmente). A carne do Pará sempre teve dificulades de ultrapassar as duas barreiras. Com toda a pressão dos últmos anos, aparentemente os pecuaristas conseguiram resolver a primeira barreira, mas a segunda continuará sendo uma missão quase impossível enquanto a governança ambiental na região continuar baixa. Quem sabe um dia!

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    Publicado por Jose Silva | 21 de outubro de 2016, 08:33
  2. Pois é… Se haviam duas grandes barreiras, agora são três, pois a questão também passa a ser por onde este gado em pé poderia sair. Não bastasse o navio ainda estar lá, nenhuma medida efetiva de remediação ambiental e compensação social foi tomada. Diante disso, como viabilizar uma operação como está?
    O setor de pecuária gosta de se mostrar como injustiçado e incompreendido, ao mesmo tempo que reluta em admitir suas deficiências. Um setor que parou no tempo e tem uma das piores taxas de aproveitamento da terra, uma seria de violações de direitos trabalhistas principalmente na base da cadeia, e ainda altas taxas de acidentes na indústria de processamento. Isso sem citar os inúmeros problemas ambientais na indústria de beneficiamento (lançamento de efluentes fora de padrão, disposição irregular de resíduos, emissão de odor e por aí vai).
    Não podemos esquecer ainda que, quando exportamos gado em pé, estamos exportando principalmente água e nutrientes do nosso solo, e que portanto, ao preço que está saindo hoje, estamos sendo violados. Estamos acabando com nossas florestas, enfraquecendo nosso solo, e reduzindo nossos cursos de água para oferecer ao mercado internacional uma carne de primeira a preço de terceira.

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    Publicado por Bernard Torres | 21 de outubro de 2016, 20:19
    • É como exportar lingote de alumínio, o que a Albrás faz. Um terço do produto é energia embutida, que não tem tecnologia nem preço para ir em forma bruta através dos mares por 20 mil quilômetros até o Japão. Depois da energia bruta, o produto mais eletrointensivo que existe é o alumínio primário. E o exportamos nessa forma há mais de 30 anos.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 21 de outubro de 2016, 20:35
      • Concordo com tudo o que vocês escrevem. Economias desenvolvidas são complexas e geram produtos com alto valor agregado. Estamos andando na contramão da história. Desperdiçando nossos recursos naturais e nossos talentos.

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        Publicado por José Silva | 21 de outubro de 2016, 21:55

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