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Economia

A saída, onde está a saída?

A crise brasileira é tão grave que se tornou contraproducente perder energia com o debate sobre quem é o culpado ou quem é o beneficiário dessa situação. O tempo passa e é mais negativo do que a própria situação marcar passo em confrontos ideológicos ou – com perdão da palavra – teratológicos. O momento é de enfrentar os problemas.

Um deles é a Operação Lava-Jato. Os brasileiros agirão corretamente impedindo uma volta ao passado a pretexto de que ela é uma nova versão da falsa moral udenista e de que está travando o desenvolvimento do país, além de ser inspirada pelos exploradores de sempre do Brasil e servir a egos monstruosos, ou a um mero acerto de contas com o maior líder político do país, Lula, que só não será presidente de novo em 2018 se seus incansáveis perseguidores não forem contidos.

O Brasil precisa saber com precisão o que a força-tarefa federal de Curitiba ainda pode fazer e as metas a alcançar para delimitar o ponto de saturação em relação ao esquema de corrupção na Petrobrás. Outros podem ser abertos para sanear pontos de sangria financeira da administração pública, como BNDES, fundos de pensão e sistema Eletrobrás. Sem que essas ofensivas impeçam aqs empresas de voltar a funcionar regularmente, sob um novo código de conduta. Esta será a maior tarefa dos advogados comprometidos com a causa pública. Eles equilibrarão o campo de ação, dominado pelos grandes escritórios de advocacia, a serviço dos mais ricos.

Segundo as estimativas oficiais, o investimento público neste ano será de 0,5% do PIB, três vezes menos do que foi em 2014, quando o governo gastou o que podia e o que não podia (nem devia) para garantir a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Se muito, 2017 será igual. E pelo jeito não se voltará ao nível mínimo de desenvolvimento pelos próximos 20 anos, segundo a previsão orçamentária do governo (necessária como instrumento financeiro, mas capenga por não estar associada a um planejamento de longo prazo).

Se o Estado investirá pouco, de onde sairá o dinheiro para a retomada do crescimento do país? Com mais endividamento público? Com a atração de poupança externa? Ou oferecendo atrações saudáveis ao investimento da iniciativa privada nacional?

A resposta não é fácil. O insucesso (ao menos até agora) do programa de repatriação de capital que saiu ilegalmente do país mostra que os maiores capitalistas ainda preferem continuar com seu dinheiro fora do país. Ou porque permanecem viciados a esquemas antigos de corrupção ou porque os capitalistas ainda não acreditam no novo Brasil – que será novo vom ou sem eles?

Tantas perguntas, tão poucas respostas.

Discussão

6 comentários sobre “A saída, onde está a saída?

  1. Creio que a curto prazo, a tendência é a seguinte:

    1. Operações como a Lava-Jato continuarão para investigar as outras empresas públicas. Isso é essencial para manter os políticos e os maus empresários na linha. Eles precisam ter medo. As reações do Renan, Lula, etc, mostram que eles estão com muito medo. Em 2017, o STF enviará para a cadeia uma parte significativa de algumas dessas lideranças políticas para a cadeia.

    2. Com a lei do teto e a reforma da previdência, o governo mostrará aos investidores que é agora responsável do ponto de vista fiscal. Isso ajudará o país a conseguir empréstimos para continuar rolando a dívida e quem sabe pagar uma pequena parte da dívida principal.

    3. O governo deverá fazer um esforço enorme para atrair recursos internacionais para investimentos em infraestrutura via PPP, licitações ou privatizações. Se terá sucesso ou não, tenho minhas dúvidas, pois está todo mundo com um pé atrás com o Brasil. O Brasil precisa melhorar a infraestrutura. Como os chineses estão com muito, mas muito dinheiro para gastar, acho que o dinheiro pode vir lá.

    4. Não posso dizer como os investidores nacionais reagirão. Eles tem recursos para investir, mas passaram muito tempo vivendo de subsidios do governo e não estão acostumados aos riscos. Possivelmente eles ficarão esperando para ver o que vai acontecer. Correm o risco de perder o bonde da história.

    Em resumo, nenhuma mudança drástica até o final do mandato do Temer. A população que surfou na bonança consumista do desenvolvimento de araque da coligação PT-PMDB terá agora que se contentar com os resultados negativos de sua decisão. Não há almoço grátis. Não será nada fácil, mas a sociedade brasileira já passou por momentos piores…É triste perder mais uma década de desenvolvimento. Aparentemente não aprendemos com a história.

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    Publicado por Jose Silva | 26 de outubro de 2016, 16:57
  2. Zé,
    A perda vai muito além de uma década temporal.
    A contaminação ideológica tacanha vai se prolongar.
    Se fosse apenas uma questão pecuniária tudo se resolvia rapidamente.

    Veja o Lúcio Flávio iniciar um parágrafo dizendo que “…O momento é de enfrentar os PROBLEMAS. UM DELES é a Operação Lava-Jato…”

    Nota:
    Acabei de ver a “Ursa” no que ela faz de melhor, a narração na televisão.
    Ela saiu de uma candidatura a prefeito com 10% dos votos para ser narradora da campanha do Zed.

    Isso tudo porque temos um zenada, que na sua nulidade, proporciona um candidato do Psol estar disputando com chances de ganhar a prefeitura da capital, com todo um histórico de 8 anos de prefeito medíocre que foi.

    Belém: A saída, onde está a saída? Temos 3.
    1- BR 316
    2- Porto de Belém
    3- Val de Cans

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    Publicado por Sou daqui. | 26 de outubro de 2016, 20:08
    • O problema, na frase, significa questão. É problema porque o país ainda não conseguiu um retrato exato da operação. E precisa dele para que seja um momento de efetiva mudança.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 26 de outubro de 2016, 21:47
      • A sua resposta é uma confirmação do que escrevi.

        Quando a questão não é problema, escreve-se “questão”.

        Chegue aonde chegar, apurar crimes e puni-los só pode levar pecha de “problema” pelos os criminosos ou daqueles que por um cacoete ideológico (caso do Eugenio Aragão) assim vejam.

        Imagino não ser o seu caso.

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        Publicado por Sou daqui. | 26 de outubro de 2016, 22:46
      • \e não é. Mas será um problema se a questão não for equacionada objetivamente e de forma a conduzir a uma conclusao correta.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 27 de outubro de 2016, 16:49
    • Concordo que a visão do estado clientelista continuará. Essa visão foi amplificada aos limites da irresponsabildade pela coligação PT-PMDB e foi amplamente promovida por nossos “empreendedores”, cuja meta principal sempre foi a de viver de dinheiro público. Você pode olhar todos os setores econômicos. Eles funcionam ou porque recebem muitos subsídios ou porque têm o governo como principal cliente. Capitalismo de verdade no Brasil não existe ou nunca existiu.

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      Publicado por Jose Silva | 27 de outubro de 2016, 19:43

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