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Economia, Imprensa, Justiça, Política

O custo da corrupção

A Operação Lava-Jato já provocou um impacto de 142 bilhões de reais na economia brasileira, o equivalente a 2,5% do PIB. O cálculo é de Gesner Oliveira, sócio-diretor da consultoria GO Associados. Ele foi o primeiro economista a estimar o efeito da ofensiva anticorrupção desencadeada em Curitiba pelo Ministério Público Federal e a Polícia Federal, com o suporte do juiz federal Sérgio Moro.

Gesner, que costumava publicar bons artigos na imprensa, fala com a autoridade de ter sido presidente do Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o órgão federal de combate a cartéis. Sua avaliação foi citada por Angela Bittencourt, repórter especial da Gazeta Mercantil.

A referência foi feita a “voo de pássaro”, como se dizia antigamente. Mas exigia um pouco demorado na análise do fundamento metodológico para esse cálculo. Se ele é consistente (e deve ser), devia estimular uma análise sobre informação com um elevado grau de importância.

Os adeptos da teoria conspiratória podem ver aí o dedo do gigante: tal prejuízo econômico seria a prova de que a Lava-Jato foi criada mesmo lá fora, certamente nos Estados Unidos, para servir de cunha para a penetração das empresas estrangeiras, sobretudo americanas, no mercado nacional, com maior apetite sobre o pré-sal.

Mas pode-se encarar esse número chocante por outro prisma: o da selvageria de integrantes da elite nacional e de uma situação que favorece o saque ao dinheiro público. Como é que nem uma centena de pessoas consegue abalar a economia de um país com mais de oito milhões de quilômetros quadrados  e 200 milhões de habitantes?

O efeito dessa informação leva a outra questão: se não existisse a Lava-Jato, o prejuízo deixaria de haver ou apenas continuaria oculto, disfarçado, colocado para baixo do tapete?

Para responder a essa indagação seria preciso separar os prejuízos para trás e para frente, a partir do início da operação, que causou danos às 16 empreiteiras do cartel da Petrobrás e suas teias de relações. Com a revelação das tramas criminosas para superfaturar os contratos dessas empresas com a estatal do petróleo, a iniciativa privada recuou e freou seus investimentos. Mas continuam intimidadas pela ofensiva moralista ou já superaram esse impacto inicial? As relações entre elas e o Estado ficarão mais saudáveis e renderão mais?

Os órgãos de representação da sociedade, inclusive – e em particular – a imprensa deviam começar uma análise objetiva e positiva para que o país dê esse passo necessário para retomar o crescimento, criando empregos para quem chega pela primeira vez ao mercado de trabalho, recuperando os 7% de encolhimento do PIB nos últimos dois anos e voltando a trilhar um caminho saudável na busca de uma pátria melhor para todos.

Discussão

7 comentários sobre “O custo da corrupção

  1. Pois é…Batemos mais um novo recorde. Viva a coligação PT-PMDB. O FMI tinha estimado que a corrupção consumia 2% do GDP global. No Brasil, já passamos disso. No mundo todo, a corrupção no serviço público consome entre cerca de R$ 4.8 a 6.4 bilhões, ou seja, entre 2 e 3 brasils por ano.

    Sobre se a Lava-Jato vai melhorar a relação entre empresas e governo, a esperança é que melhore. Eu nunca acreditei muito de que empresas sozinhas pudessem melhorar a gestão no Brasil. Isso é um mito. A função das empresas é maximizar lucro, sempre.

    Se há formas onde elas podem ganhar muito e gastar pouco descumprindo a lei, elas farão isso. Basta ver a lista das empresas brasileiras e estrangeiras trabalhando no Brasil envolvidas em corrupção (a última foi a Embraer).

    Para mim, as empresas responsáveis somente existem quando o governo é responsável também e tem fiscalização capaz. Não existe essa história de empresa responsável em um país com governo irresponsável. A razão disso é simples: nenhuma empresa responsável conseguiria sobreviver a competição.

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    Publicado por Jose Silva | 26 de outubro de 2016, 12:05
  2. “….Mas continuam intimidadas pela ofensiva moralista ou já superaram esse impacto inicial? ….”

    Lúcio,

    No fundo vc está trazendo a entrevista do Eugênio Aragão na Carta Capital.

    E pela conotação, quase concordando com ele.

    Lamento muito. O que não vai mudar nada.

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    Publicado por Sou daqui. | 26 de outubro de 2016, 13:59
  3. Talvez eu não me tenha feito entender.

    Vc ao invés de tratar da excrescência que foi a entrevista do Aragão, trouxe o assunto da mesma forma que ele.

    E, apesar de suas (Lúcio) ressalvas, de alguma maneira vc endossa o ponto de vista dele. Que no fundo é uma tentativa de justificar toda a roubalheira que existiu, pelo lado contábil da coisa. Com o que também não concordo.

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    Publicado por Sou daqui. | 26 de outubro de 2016, 14:45

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