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Cidades, Política

Pobre Belém

Dentro de dois meses chegará ao fim o ano do quarto centenário de Belém. Por coincidência – que deveria ser festiva, mas é triste – a capital dos paraenses, a 12ª mais populosa cidade do país (no 9º maior Estado da federação), escolherá, amanhã, o seu novo prefeito. Em qualquer das duas hipóteses em jogo, não será novidade alguma. Nem quanto a nome nem quanto a atitude. Belém continuará a sua trajetória de descaso e mediocridade, de acaso e violência, de crescimento desordenado no rumo de um futuro difícil e perigoso. Na iminência de perder de vez a condição de capital do segundo mais extenso território estadual do país.

Até colocar a máquina pública para funcionamento eleitoreiro, na abertura da temporada de caça ao voto, Zenaldo Coutinho era punido pelos munícipes com um elevado índice de rejeição, acima de 50%. A maioria dos seus concidadãos o considerava pior do que o antecessor, Duciomar Costa. O falso oftamologista, que fabricou o diploma do curso superior e só não foi punido porque a sentença condenatória na justiça federal prescreveu (ou seja, perdeu a validade), parecia representar o fundo do poço. Mas agora se constata que não era.

As principais obras apresentadas por Zenaldo para reivindicar mais um mandato foram mera continuação do que Duciomar começou ou prosseguiu. Depois de ter criticado o antecessor pela possibilidade de haver superfaturado as obras e ter-lhes dado uma deficiente concepção, o prefeito tucano engoliu as palavras e tratou de executar o trabalho como o recebeu. A partir desse momento, projetos criticados, como o BRT e a drenagem da Estrada Nova, passaram a ser cultivadas como cartão de apresentação. Inclusive por Edmilson Rodrigues.

Quando o então petista assumiu a prefeitura de Belém, na qual mandou pelo mais longo período até então, desde a revolução de 1930, a gestão de Hélio Gueiros, adepto da maior liderança da república no Pará, a de Magalhães Barata, que chegou ao poder derrubando os “carcomidos” da república velha, também era tida por alguns (não pela maioria, entretanto) como velharia, que precisava ser superada. Ao fim dos dois mandatos, porém, o governo de Edmilson, bizarro por obras como o viaduto da Doutor Freitas (apelidado de tobogã de carros), era ironizado pelo alter-ego dos tucanos, o (também) arquiteto Paulo Chaves como administração de 1,99, tão de baixa qualidade eram as suas realizações.

Boa parte do eleitor belenense que irá amanhã às urnas está se sentindo constrangido a escolher o “menos pior”, na esperança de não perder o seu voto e não contribuir para sagrar o “mais pior”. Outra parcela numerosa irá preferir ficar em casa ou votar em branco, quando não anulará seu voto. O que sobrará dessa combinação de renúncia e rejeição? Um voto de descrédito no futuro, atitude que tem o seu preço e cobrará a responsabilidade a quem contribui para esse panorama desastroso.

Discussão

19 comentários sobre “Pobre Belém

  1. Essa Sinuca é de bico, com duas bolas no caminho…..

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    Publicado por Sou daqui. | 29 de outubro de 2016, 16:38
  2. Legitimar por meio do voto um dos dois é basicamente assumir a mediocridade presente e futura. Votar em branco ou nulo é uma demonstração pública de que nenhum dos dois é qualificado o suficiente para gerenciar a cidade, mas não é suficiente. Ao voto nulo e branco é preciso também criar um movimento independente, tal como um governo paralelo, que irá: (a) acompanhar cada ação do eleito; (b) construir propostas inovadoras para a cidade; (c) formar novas lideranças para encerrar a mediocridade existente no debate político da cidade.

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    Publicado por Jose Silva | 29 de outubro de 2016, 16:39
  3. Eu sinto falta de uma análise mais aprofundada e fundamentada da gestão anterior de Edmilson Rodrigues. Gostaria que fossem elencadas melhores argumentações para o classificar como péssimo gestor, como você o faz, ao ponto de colocá-lo em pé de igualdade com Duciomar e Zenaldo. Não sei se já fez isso em artigos anteriores. Sempre que posso leio seus artigos, e manifesto aqui meu respeito e admiração pela sua história e trabalho. Mas a impressão que fica é que há apenas a crítica pela crítica. Se pudesse fazer as críticas sobre a gestão anterior de Edmilson de forma mais aprofundada expondo sua visão, eu agradeceria. Nos ajudaria muito. Obviamente levando em consideração o contexto completamente diferente da época, diferente de Zenaldo, a Prefeitura na época de Edmilson possuía um orçamente inferior do atual, além de, não possuir o apoio do governo federal e nem estadual. Enfim, ficaria muito grato se pudesse me responder.

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    Publicado por Jediel | 29 de outubro de 2016, 17:43
    • Eu não vou sentir falta de nada e nunca do zenada nem do zed.

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      Publicado por Sou daqui. | 29 de outubro de 2016, 17:48
    • Caro Jediel. Fiz tantas críticas ao Edmilson (depois que ele começou a trabalhar, já que antes eu esperava muito dele) que ele me processou na justiça eleitoral e, como não podia deixar de acontecer, tal o absurdo da pretensão, perdeu. Não queria exercer o direito de resposta porque, como do seu estilo, queria impor o ponto de vista dele. Por isso patrocinava o jornalismo marrom do Jornal Popular para me atacar de forma torpe, usando seu marqueteiro, que usava um pseudônimo pobre com pretensão de ironia (Décio Malho). Se você consultar a coleção do Jornal Pessoal relativa aos oito anos de Edmilson (que pode encontrar no portal da Universidade da Flórida, em Gainesville), verá todas as críticas que fiz.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 29 de outubro de 2016, 18:17
      • Jediel…para te ajudar (trechos do Jornal Pessoal, no. 250, Janeiro de 2001)

        “O ponto mais negativo do primeiro governo Edmilson Rodrigues está aí, escancararado: não acrescentou um palito a gestão do transporte coletivo em Belém. Tudo continua igual ou pior do que antes..”

        “Tudo o que o prefeito Edmilson Rodrigues fez após o susto eleitoral de outubro/novembro (susto que não admite) reforça um traço do seu perfil: ele é daqueles que não esquecem o que aprenderam e nada aprendem. Ao que parece está disposto a construir a desgraça do PT à sombra do seu monumento, em cuja base de bronze se poderá ler: “o resto é o resto”.

        Precisa mais?

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        Publicado por Jose Silva | 29 de outubro de 2016, 19:07
      • Obrigado pela citação.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 29 de outubro de 2016, 19:16
  4. Tem internauta muito feliz com a vitória do Dória-psdebista em São Paulo , cujo primeiro ato de governo já foi anunciado : ele vai doar o seu primeiro salário aos pobres deficientes ; assim inaugura seu programa social de filantropia que muito provavelmente vai ser comandado pela primeira-dama da politica social filantropica . Lembrando que muito deficiente foi mutilado no transito violento da cidade .Violencia que o governo do Haddad petista procurou resolver adotando medidas de redução de altas velocidades que o Dória filantropico já disse que vai anular para voltar ao que era , embora não tenha sido isso que ele prometeu em campanha .Mas e daí ?

    Tem internauta torcendo pela vitória de Crivella no Rio de Janeiro e assim inauguraremos a volta da religião como politica , passaremos do estado laico ao estado religioso , cuja maior obra até agora , no caso da igreja de Crivella foi o templo de Salomão e a grande mídia religiosa através dos quais a fé dos fiéis é manipulada para que seus senhores alcancem mais e mais poder politico que se traduz e conservadorismo .

    Tem internauta que torce silenciosamente que Zenaldo Coutinho-psedebista porque no fundo está fascinado com as obras-viárias psdebistas – abertura , alongamento e alargamento de avenidas- porque acredita ingenuamente que mais abertura de vias vai resolver o problema do transito , quando a ciência ( sim ! a Ciência ) mostra que o efeito é exatemente o contrario : quando mais vias abertas maior o crescimento do consumo e uso de automóveis e, por conseguinte mais transito , mais acidentes , mais barulho , mais violencia no transito , mais mortes .

    Em fim , tem internauta que ainda não percebeu que o que está em disputa em Belém são duas concepções diametralmente opostas de cidade e de gestão de cidade : a concepção psedebista que é a cidade-mercadoria voltada para o capital e os negócios dos homens de negócios , com destaque para as empreiteiras e empresários da construção civil que ditam as regras de desenvolvimento urbano , e a concepção de cidade psolista , que é a cidade para as pessoas , os citadinos, os moradores , as classes populares sobretudo , que foram flagrantemente abandonadas pelo governo atual e manipuladas pelo excesso de publicidade do governo psdebista .

    Os belenenses pelo menos tem a oportunidade da escolha e a possibilidade de não repetir o desastre assombroso que se abateu sobre a maior cidade do pais .

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    Publicado por Marly Silva | 29 de outubro de 2016, 22:50
    • Desculpe-me Marly, mas eu não vi essas diferenças de concepções de cidade entre os dois candidatos nas campanhas e nos debates. Nenhum dos dois apresentou qualquer visão de cidade e nem programas de governo. O que eu vi foram dois populistas prometendo obras e obras sem nenhuma visão estratégica do que se pretende atingir. Os dois são tão iguais, mas tão iguais, que as pesquisas indicam empate técnico,

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      Publicado por José Silva | 29 de outubro de 2016, 23:12
  5. “….Os belenenses pelo menos tem a oportunidade da escolha e a possibilidade de não repetir o desastre assombroso que se abateu sobre a maior cidade do pais …..”

    Muito bom esse alerta. A todos peço não esquecer os anos de 1996 a 2004.

    E todos os demais anos até a presente data.

    Em tempo:
    Ainda não havia lido nada como “concepção de cidade psolista”. Essa me deu medo.

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    Publicado por Sou daqui. | 29 de outubro de 2016, 23:23
  6. Zé (como não reclamou, insisto no diminutivo),

    Vc que é o “resgatador” oficial do blog, lembre-se que está valendo aquela enquete de todos que de alguma forma vivem custeados pelo estado (municipal, estadual, federal).

    Sejam ou não aposentados, sejam ou não concursados, sejam ou não “produtivos”, desfrutem ou não dos feriados inventados (tipo sexta-feira de julho).

    Ou seja, o peso que os não estatais carregam. Pois como sabemos, o estado não produz um parafuso.

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    Publicado por Sou daqui. | 29 de outubro de 2016, 23:42
  7. “….Escreveu certo por linhas tortas….”

    Lúcio,

    Atitudes dessa monta normalmente são atribuídas a Deus. Mas vc endossou para o Renan Calheiros.

    Sendo assim, tomo a liberdade para recomendar a quem interessar possa, o abaixo:

    “Modesto Carvalhosa: A milícia de Calheiros e o abuso de poder.”

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    Publicado por Sou daqui. | 30 de outubro de 2016, 00:45
  8. Pois é . Diz a sabedoria popular que o pior cego é aquele que não quer ver .Fico com a sabedoria popular , sempre. Virtuosismos virtuais são apenas isso mesmo , o mesmo virtuosismos virtuais…

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    Publicado por Marly Silva | 30 de outubro de 2016, 10:04

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