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Cidades, Política

Chegam os bárbaros

O eleitor de Belém está votando há quase três horas. Como é compulsório no 2º turno, só tem dois nomes como opção para eleger o novo – que, em ambos os casos, é o velho – prefeito da capital de um Estado com 1,2 milhões de quilômetros quadrados, o 2º maior do Brasil, com mais de oito milhões de habitantes, o quarto maior exportador brasileiro e o 2º em saldo de divisas para o país.

Nenhuma referência, por mais ligeira que tivesse sido, foi apresentada por Zenaldo Coutinho, que busca a reeleição pelo PSDB, conseguida pelos seus dois antecessores, o último deles Duciomar Costa, e o anterior, o mesmo Edmilson Rodrigues que quer voltar à chefia do município, depois de oito anos seguidos no cargo, não mais pelo PT de antes, mas pelo PSOL de hoje.

Não houve debate de programas, discussão sobre teses, propostas para o futuro. O que predominou foi a acusação pessoal, o clima de confronto irracional, a mentira mais deslavada, a farsa criada pelo marketing político. À falta de conteúdo, sobrou intolerância e má fé, um impulso dogmático refratário à razão, ao discernimento e até ao cavalheirismo que têm os lutadores.

Eles se cumprimentam depois de um combate, por mais violento que tenha sido. Os candidatos à prefeitura de Belém se hostilizam porque agem pelo princípio negativo, de derrotar o inimigo, e não o positivo, de comandar uma frente ou aliança para tirar a cidade da sua caminhada lenta e triste.

Episódio final da campanha seria facilmente superado se o clima não fosse muito pior do que o de um Remo e Paissandu, no qual torcedores fanáticos se vingam do desrespeito continuado que sofrem dos clubes. Ontem, o portal UOL deu Zenaldo como reeleito. Não por conspiração ou em retribuição a eventuais 30 dinheiros recebidos do tucanato local. Por erro incrível de edição da matéria correta da sua correspondente em Belém.

Erros assim se tornam inacreditáveis se não se admitir que é ocorrência bem humana e, agregando a essa explicação universal, se tiver consciência de que Belém continua a ser um traço (como, a rigor, o Pará e a Amazônia toda) na agenda nacional. A atenção é mínima. Quase não há atenção, aliás. Daí a ligeireza no tratamento irresponsável dado ao texto da repórter Aline Braz, benquista por seus colegas e reconhecida como boa profissional.

Como não há a menor isenção entre os dois grupos contendores, os eternos personagens do bipolarismo da medíocre política paraense, foi o bastante para tocar fogo no circo na véspera da votação. Os “zenaldistas” tomando por verdade o que é apenas lamentável e os “edmilsistas” tonitruando a palavra de ordem da conspiração e do golpismo, arenga que o Brasil já não aguenta mais.

Estes são os pretendentes ao trono belenense e suas milícias. Ai de ti, Belém.

Discussão

16 comentários sobre “Chegam os bárbaros

  1. A melhor matéria sobre as eleições municipais , inclusive de Belém, não foi nem da Folha/UOL nem do Estado de São Paulo mas sim do Valor Econômico de sexta-feira com o titulo ” indefinição marca segundo turno entre Zenaldo e Edmilson em Belém “, que apontava 46 para ER e 43 para ZC. Uma matéria destituida de má fé .

    No sábado , a uol publicou uma entrevista bastante esclarecedora como o presidente Nacional do PSOL , Luis Araújo .Nada mais justo , afinal o PSOL foi o único partido de esquerda que resistiu ao terremoto que abalou as esquerdas com a crise no PT e o impeachment da presidente , mas que mesmo assim, disputa um segundo turno em duas importantes capitais do pais .

    Mas surpreendentemente ( será ????) hoje o papo é totalmente outro , uma manchete destaca que o PSOL vai ao segundo turno apoiado pelo PMDB do Barbalho , omitindo completamente o apoio da Rede Sustentabilidade e outros partidos da coligação . O que fez a UOL mudar da água para o vinho ? As mesmas mil e uma razões que já sabemos desde de sempre e que levaram o Dória-empresário à vitoria em SP.

    O que a jornalista Aline Braz tem a ver com essa mudança de manchetes e conteúdos informativos ? Não sei , só sei que ela é funcionária da Rádio Cultura do PSDB .

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    Publicado por Marly Silva | 30 de outubro de 2016, 10:43
    • Sinceramente, dizer que Barbalho apóia o Edmilson é ridículo. É muito querer “forçar a barra”. Infelizmente, há pessoas que engolem semelhante asneira. Faz parte das inúmeras conversas fiadas que os tucanos adoram espalhar para enganar desavisados, a cada nova eleição. No debate de sexta, a velha conversa mole de “divisão do Pará”. Pelo amor de Deus, já houve plebiscito disso e os tucanos querem vir dizer que o risco prossegue? Parece os velhos direitistas que esquecem que a Guerra Fria acabou em 1989 e falam de ameaça comunista. Infelizmente há pessoas que caem nessas bobagens a cada nova eleição e vão lá digitar 45 novamente. Triste e lamentável.

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      Publicado por Jonathan | 30 de outubro de 2016, 11:29
      • Jonathan,

        O Maneschy não está apoiando o Ed? Sim! O Maneschy não foi candidato do PMDB? Sim! O PMDB do Pará não é dominado pelo Barbalho? Sim! Portanto, a conclusão lógica é que o Barbalho está apoiando o Ed. Onde nessa sequência de argumentos a barra foi forçada?

        Se Ed quissesse se manter puro, ele teria rejeitado formalmente o apoio do PMDB, tal como o PSOL fez no Rio de Janeiro. Coisa simples assim. Porque não o fez? Realmente triste e lamentável!

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        Publicado por Jose Silva | 30 de outubro de 2016, 14:41
      • O Maneschi apoiou. Um homem que entrou agora no PMDB.Por que os principais caciques não declararam apoio? Ao menos o Hélder. Qualquer pessoa sensata sabe que o “apoio” não era apoio de verdade. Tinham apenas um inimigo em comum. Ainda que Edmilson recusasse, o Diário faria campanha anti-zenaldo do mesmo jeito. O PSDB faria a associação do mesmo jeito.

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        Publicado por Jonathan | 30 de outubro de 2016, 17:58
      • Durante o início da campanha, o Helder apareceu ao lado do Maneschy. Depois, talvez em função da pesquisa qualitativa, sumiu. Ou porque estava tirando voto do Maneschy ou porque o Maneschy não estava lhe rendendo nada.
        A pergunta que ficou sem resposta é: por que Maneschy não tentou outro partido que pudesse casar com sua mensagem de mudança e de defesa do bem? Com o PMDB, com Barbalho ou sem Barbalho, não casaria nunca.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de outubro de 2016, 18:18
  2. Ainda bem que hoje encerra-se essa farsa mediocre. Como tanto faz o resultado, dada a falta de capacidade demonstrada pelos dois candidatos, o importante é continuar o processo de educação política da cidade. Quem sabe um dia o eleitor exigirá programas de governo, analisará as estatisticas públicas, conferirá a possibildade de execução de algumas promessas e, principalmente, usará o senso crítico nas tomadas de decisões.

    Quando chegarmos a esse ponto, talvez Belém conseguirá pelo menos enxergar um pouco de luz no final do túnel. Até lá teremos que continuar caminhando nesta escuridão ideológica populista de grupos que se dizem diferentes, mas que compactuam, na verdade, a mesma visão estreita de mundo.

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    Publicado por Jose Silva | 30 de outubro de 2016, 10:49
  3. Falando em Bárbaros, o candidato à reeleição está cometendo mais uma barbaridade eleitoral:

    Contratou mototaxistas para realizarem o transporte dos eleitores até o seu local de votação.

    Não sei se esta prática está em toda a cidade, mas aqui pro lado da Avenida Roberto Camelier ta escancarada. Imagino que está prática esteja sendo adotada nas zonas de Belém em que o Candidato da cabeça grande perdeu.

    Se alguém souber de algo parecido do Zenaldo ou até mesmo do Edmilson, favor compartilhar.

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    Publicado por Cidadão | 30 de outubro de 2016, 14:05
  4. Vivemos tempos sombrios e a dura realidade não dá sinais de mudança. Não há quadros novos na política partidária, nossa legislação contribui para a tirania, partidos viciados (grandes, nanicos), grupos capturando o Estado, etc. . Como pensar o bem comum se as alternativas atuais representam as corporações? Ao mesmo tempo os consensos produzem em nós sentimentos de covardia. Boa sorte Belém.

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    Publicado por gerbson Nascimento | 30 de outubro de 2016, 14:17
  5. Peço encarecidamente a quem puder me esclarecer:

    1-
    “…A melhor matéria sobre as eleições….Valor Econômico de sexta-feira ….”

    O Valor não é um expoente do PIG ? Como pode alguém levar a sério o PIG ?

    2-
    “….No sábado , a uol publicou uma entrevista bastante esclarecedora como o presidente Nacional do PSOL …”

    A entrevista não foi esclarecedora ? Então ficou tudo esclarecido, logo todos deviam votar no Psol.

    3-
    “….PSOL foi o único partido de esquerda que resistiu ao terremoto que abalou as esquerdas com a crise no PT e o impeachment da presidente…”

    O Psol que nasceu de uma costela do PT, votou com e continua apoiando as mesmas vigarices, será que não tem nada a ver com o terremoto e a crise ?
    Tradução de Terremoto e Crise: Descoberta, descortinamento das bandalheiras e cadeia para os baluartes.

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    Publicado por Sou daqui. | 30 de outubro de 2016, 14:33
    • 1. Além de PIG, o Valor possui 80% do espaço destinado as corporações, aquelas que escravizam os trabalhadores desse país. Portanto, é uma fonte totalmente não confiável.

      2. Luiz Araújo não falou nada sobre Belém, apesar de ser daqui. Como é de seu costume, esclareceu pouco sobre qual a visão do partido para os governos municipais.

      3. O PSOL puro já era. O partido foi criado por membros do PT que ao criticarem a corrupção do partido foram expulsos de forma radical. Depois de um inicio promissor, o partido começou a ficar igual esponja, absorvendo tudo de ruim que era expelido pelos ralos PT. Ainda continua assim. Daqui a pouco o Babá será expulso do PSOL e o ciclo de depuração da esquerda continuará.

      Sobre terremoto e crise, não posso opiniar. Pensei que isso era restrito aos paises andinos e centro-americanos, que possuem movimentos tectônicos constantes.

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      Publicado por Jose Silva | 30 de outubro de 2016, 14:55
      • Zé,

        Como falar de depuração se:

        O Psol que nasceu de uma costela do PT, votou com e continua apoiando as mesmas vigarices.

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        Publicado por Sou daqui. | 31 de outubro de 2016, 08:02
      • Pois é, incongruencia com a origem do partido. Por isso a depuração precisa continuar. Versão 2.0.

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        Publicado por José Silva | 31 de outubro de 2016, 08:19
      • José Silva,

        Um partido político sempre possui vários segmentos. Mas no PSOL dá pra dizer que há duas divisões principais:

        1- Políticos simpáticos ao PT e à alianças.
        2- Políticos que procuram, à medida do possível, se manterem fiéis às origens do partido.

        Jean Willis, Edmilson e Chico Alencar se identificam com a primeira. Luciana Genro, Heloísa Helena e Babá se identificam com a segunda. Freixo fica entre uma e outra. Entretanto, recentemente ele reconheceu como o PT enfraqueceu a esquerda – antes tarde do que nunca.

        Lembro que houve calorosas discussões nas reuniões entre os membros do PSOL local, pouco antes da campanha de Edmilson começar. De um lado, defendiam que Ed deveria buscar o maior número de alianças possíveis para vencer as eleições. Do outro lado -me incluo no meio-, alertavam que isso poderia ser um tiro no pé. Passadas às eleições, tá aí o resultado. Tiros no pé. Um dos mais forte deles: aceitar o apoio do Maneschi.

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        Publicado por Jonathan | 2 de novembro de 2016, 00:57
  6. Como o Zenaldo pode ser igual ao Edmilson?
    Na lógica binária das urnas essa não pode ser uma motivação real que pauta as escolhas da prefeitura.
    O Edmilson tem seus problemas, mas lamento muito a vitória de Zenaldo, lamento mesmo. N alógica binária de uma eleição obrigatória o Zenaldo não é igual ao Edmilson, embora os dois joguem o jogo político.

    Paloma

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    Publicado por pal0 | 30 de outubro de 2016, 17:45
  7. Paloma ,

    Não perca o seu tempo com esses dois internautas-fantasmas .
    Eles que cobram pureza angelical no campo politico-eleitoral da democracia brasileira , vivem no mundo da fantasmagoria …
    Como você já deve ter sacado eles de fato passam o dia inteiro e todos os dias na rede (rs) , com a única e exclusiva missão de detonar as esquerdas. . Mas ao fim e ao cabo, devem estar ( velada e silenciosamente) muito felizes com a derrota do Psol e exultantes com a vitória do candidato-prefeito ZC, agora sabemos – conforme apuração em curso no Ministério Público e outras denúncias – prefeito-reeleito sob suspeita de uso de métodos corruptos .
    Que venha a justiça eleitoral julgar o que deve ser julgado com celeridade, esclarecer o que deve ser esclarecido à opinião pública e punir com rigor quem deve ser punido, e convocar novas eleições !

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    Publicado por Marly Silva | 31 de outubro de 2016, 16:37

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