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Cidades, Política

Isto é Pará!

Dois fatos ajudam a definir o que foi a eleição deste ano em Belém, definida em dois turnos de votação.

 

O primeiro foi a divulgação do resultado final antes que se completasse uma hora do encerramento da votação. A urna eletrônica pôs fim à característica mais tristemente famosa do processo político no Pará: o “mapismo”. Por causa dele, o Estado era, invariavelmente, o último no Brasil a divulgar seus dados finais.

 

Urnas chegavam ao Tribunal Regional Eleitoral emprenhadas. Na primeira eleição que “cobri”, a de 1966, a comissão apuradora (toda ela instalada numa mesa comprida nos fundos do palácio Antônio Lemos, que abrigava o poder judiciário) abriu uma urna originária de São Sebastião da Boa Vista, no Marajó, na qual os votos estavam simetricamente enfileirados como se fossem biscoitos na lata competente.

 

Embora a atenção se concentrasse na violação da urna (que mais apropriadamente poderia definida como estupro), as fraudes decisivas eram praticadas no próprio prédio do TRE, tanto o velho quanto o novo. A apuração era esticada artificialmente para que diminuísse a vigilância dos fiscais e demais acompanhantes.

 

Nesses momentos agiam os fraudadores dos mapas de votação, transferindo votos conforme o patrocínio. Candidatos que dormiam eleitos podiam amanhecer derrotados e vice-versa. Era o milagre do “mapismo” tão paraense quanto o pato no tucupi.

 

A urna eletrônica pôs fim a essa tradição ruim, mesmo se sujeita a questionamentos por não haver uma comprovação impressa da tradução digital da vontade do eleitor.

 

O segundo fato, ainda mais importante, foi a inédita manifestação administrativa de um juiz eleitoral que achou necessário explicar para o público a decisão que tomou, no uso exclusivo (por ser julgador singular) da sua jurisdição, cassando a candidatura do prefeito em busca da reeleição.

 

Foi o que fez, inaugurando esse ato nos anais históricos, o titular da 97ª zona eleitoral. Considerando “as recentes notícias veiculadas pela imprensa local”, o juiz Antônio Cláudio Lohrman Cruz decidiu emitir uma nota de esclarecimento “aos cidadãos e eleitores da cidade de Belém”.

 

Informou que Zenaldo Coutinho e seu vice, Orlando Reis permaneciam como candidatos ao 2º turno, porque apresentaram recurso eleitoral contra a sentença que o mesmo juiz proferiu, a ser apreciado pelo colegiado do TRE. Lohrman ainda julgou necessário acrescentar, “por fim, que os votos a eles endereçados serão validados normalmente pelo sistema de apuração”

 

A decisão era autoexplicativa para quem a lesse. Mas quem se dá a esse trabalho em período eleitoral (e mesmo fora dele)?

 

Nessa zona, Zenaldo teve 50 mil votos e Edmilson, 46 mil.

Discussão

2 comentários sobre “Isto é Pará!

  1. Essas urnas eletrônicas deixaram os botos (aqueles que emprenhavam as urnas quando elas navegavam nos nossos rios calmos) sem trabalho durante as eleições. Talvez explique porque alguns estão na lista de espécies ameaçadas de extinções.

    Mesmo sem os botos, as práticas e resuiltados continuam os mesmos. Lúcio, há algum outro ser mitologico amazônico atuando e desvirtuando as urnas eletrônicas?

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    Publicado por Jose Silva | 31 de outubro de 2016, 15:39

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