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Justiça, Política

A palavra do pastor

Pouco depois de demorar nove anos de tramitação na justiça, onde iniciou sua carreira em 2007, a denúncia feita contra o então deputado federal Josué Bengtson, eleito pelo PTB, chegou ao fim em setembro, sem ser julgada. Em junho de 2007 ele foi denunciado por supostas corrupção e associação criminosa em inquérito que resultou da Operação Sanguessuga.

Segundo a Procuradoria Geral da República, Bengtson recebeu de um grupo de empresários 55 mil reais em sua conta bancária e outros 39 mil na conta da igreja em que atuava como pastor evangélico. Seria a retribuição pelas 14 emendas que fez ao orçamento da União para a compra de ambulâncias.

A investigação começou quando ele ficou sem mandato, resultando na abertura de processo na primeira instância. Mas o pastor se tornou novamente deputado três anos depois, em 2010. Por causa do privilégio de foro dos parlamentares federais, seu caso foi enviado para o Supremo Tribunal Federal. A trajetória exigiu dois anos de hibernação. Os autos só chegaram ao STF dois anos depois, em 2012. Em setembro deste ano a corte teve que reconhecer a prescrição da ação, por demora na apreciação, e determinar a extinção do processo.

O caso de Bengtson é apontado como um dos exemplos d longa tramitação de processos quando instaurados contra detentores de foro privilegiado, como os parlamentares federais, que gera o risco de prescrição das penas. Nessas situações, a Procuradoria-Geral da República é obrigada a pedir a extinção da ação porque o parlamentar não poderia mais ser condenado em virtude do tempo da pena prevista em eventual condenação. Com a prescrição, anos de recursos públicos gastos para a apuração de supostos crimes são jogados na lixeira.

Lembra a Folha de S. Paulo que a vitória de Bengtson poderá ser comemorada por outros colegas que também foram investigados na Sanguessuga. Seus casos estão prontos para julgamento, porém prestes a prescrever.

A pedido da Folha, o STF enviou lista de outros 13 processos que recentemente receberam sentença, mas que ainda estão tecnicamente em andamento. Entre eles, está o do mensalão, em fase de cumprimento de pena. O tempo médio que os 13 levaram, considerando o início da investigação em outras instâncias, foi de oito anos e dez meses, diz o jornal paulista.

Segundo os dados divulgados à Folha, o STF analisou a tramitação de 180 ações penais de 2007 a outubro de 2016. Um grupo de 25 levou mais de cinco anos de tramitação. A mais longa demorou 3.297 dias, ou nove anos.

Em nota à reportagem, a Procuradoria-Geral da República defendeu a rediscussão do foro privilegiado e considera até mesmo sua extinção.

Procurado anteontem pela reportagem da Folha, o deputado Josué Bengtson “não foi localizado para comentar o processo no STF que foi extinto por prescrição”.

Em depoimento prestado à justiça federal, ele afirmou que era “falsa a acusação” feita pelo Ministério Público e que “nunca se associou a ninguém com fins de prejudicar o Erário”. Disse que “nunca recebeu qualquer tipo de comissão ou qualquer outra contraprestação pelas ambulâncias”.

Como então o MPF considerou culpada essa pessoa inocente? Desacreditou das suas palavras, palavras de um pastor evangélico?

Discussão

7 comentários sobre “A palavra do pastor

  1. Impressionante. Depois a justiça reclama quando dela se reclama. Para acabar com isso poderia-se adotar a seguinhte regra: a cada processo extinto por prescrição, o juiz responsável perderia 10% do seu salário anual.

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    Publicado por Jose Silva | 7 de novembro de 2016, 09:54
  2. A cerca da “palavra do pastor”, esta não existe. o que existe é o “silencio do pastor”

    Como cidadão e cristão, há umas 2 semanas atrás, tomei a iniciativa de pedir justificativa para o apoio da Igreja Quadrangular à Zenaldo quando declarou nos púlpitos que o povo não deveria realizar aliança com Acabe (II Crônica 18), este representando Edmilson.

    A minha solicitação foi direcionado por email ao email do gabinete deste Deputado. Entretanto, fui ignorado.Encaminhei novamente. Mas o silêncio prevaleceu…

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    Publicado por Fabiano | 7 de novembro de 2016, 14:52
  3. Impressionante como vários pastores estão envolvidos em casos de corrupção.Quando fui evangélico o lema era: “crente não se mete em política”, porém, mudaram e, de 90 pra cá o slogan é “irmão vota ‘em’ irmão”…

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    Publicado por erick | 7 de novembro de 2016, 20:46
  4. A justiça humana é passiva de ser corrompida, mas a de Deus não…

    Jesus disse:

    Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.
    Mateus 23:15

    Mas se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe seria amarrar uma pedra de moinho no pescoço e se afogar nas profundezas do mar.
    Mateus 18:6

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    Publicado por Fabiano | 8 de novembro de 2016, 09:52
    • É melhor mesmo é melhorar a nossa justiça terrena o mais rápido possível para que todos os criminosos, independente da religião, sejam punidos severamente por seus atos infames.

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      Publicado por Jose Silva | 9 de novembro de 2016, 10:39

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