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Imprensa, Política

Desembargador não vai à justiça

O desembargador Milton Nobre, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado, não pretende processar a jornalista Ana Célia Pinheiro, nem vai responder à carta aberta que ela lhe endereçou através do seu blog A Perereca da Vizinha. Ele preferiu se defender através de um ofício que encaminhou no dia 7 ao presidente da Associação dos Magistrados do Pará, Heyder Tavares Ferreira.

No ofício, o desembargador diz estar certo de que uma queixa-crime ou uma ação cível de reparação por danos à sua honra lhe dariam nova vitória na justiça contra a jornalista. Em 2011 ele forçou Ana Célia a se retratar de denúncia que fizera contra ele.

Em juízo, ela admitiu então que “não teve intenção alguma de fazer quaisquer ilações indevidas ou suposições” de que o desembargador “direta e/ou indiretamente se utilize da função que exerce para tirar benefício a si, a seus familiares e a sua antiga sociedade”.

Milton Nobre atuou durante 30 anos num movimentado escritório de advocacia em Belém, que funcionava principalmente em causas cíveis. Quinze anos atrás, ao assumir o cargo de desembargador sem precisar fazer carreira na magistratura, por indicação da Ordem dos Advogados, da qual foi presidente no Pará e representante no conselho federal, decidiu tratar de questões penais como juiz, raramente abordadas pelo seu escritório particular, entregue a sócios e filho.

Na nova investida contra ele, Ana Célia o acusou de ser o braço na justiça de uma quadrilha comandada pelo próprio governador Simão Jatene, de atuar para atender interesses próprios, manipular seus colegas de magistratura, atuar nos bastidores e até escrever sentenças apenas assinadas por seus supostos autores. A blogueira não citou casos nem nomes. A rigor, limitou-se a acusar, como num libelo (daí ter dado ao seu texto a forma de uma carta aberta ao destinatário).

No seu ofício aos seus pares, através da Amepa, que com ele se solidarizou publicamente, o desembargador diz que a carta da jornalista tem “palavras meramente ofensivas e acusações genéricas de práticas criminosas que apenas tipificam calúnia, difamação e injúria”. Atacando-o pessoalmente, teria a finalidade de denegrir a imagem do tribunal”e intimidar a magistratura estadual”.

O desembargador aproveita para lamentar que esteja se tornando comum no Pará jornalistas atuarem de forma “leviana a irresponsável”, procurando “enxovalhar a honra” de pessoas que tomam por alvo. Também não apontou casos e nomes.

Discussão

3 comentários sobre “Desembargador não vai à justiça

  1. Sábia decisão. Até parece que ele andou lendo os comentários no seu blog!

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    Publicado por Jose Silva | 9 de novembro de 2016, 20:32
  2. ” Alea jacta est “

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 9 de novembro de 2016, 23:49

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