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Imprensa, Justiça

O verdadeiro jornalismo

Algumas pessoas me manifestaram frustração com o que tenho escrito sobre a carta aberta da jornalista Ana Célia Pinheiro ao desembargador Milton Nobre. Um anônimo, por telefone, alegou que eu teria feito “o jogo” do magistrado (prontamente desligando seu aparelho). Outras pessoas lamentaram que eu não tivesse feito eco às acusações da blogueira de A Perereca da Vizinha contra alguém que, ao exercer sua (significativa) fatia de poder, fez muitos desafetos, inimigos e – segundo eles – injustiçados ou prejudicados.

Até um passado recente foram muito afáveis, quase amigas, as minhas relações com o advogado Milton Augusto de Brito Nobre, homem inteligente, competente e hábil. Durante vários anos fomos vizinhos de escritóriso no Justo Chermont, prédio da rua Campos Sales. Saudei como promissora a sua chegada ao Tribunal de Justiça do Estado, apesar de seguir o desvio do quinto constitucional, em nome da OAB, desvio que critico e gostaria de ver extinto.

Nos últimos tempos tenho criticado o exercício da função pelo desembargador. Como em todos os casos, sempre seguindo a trilha dos fatos e em condições de provar o que digo. Fazendo jornalismo e deixando subjetivismos e relações pessoais de lado. Esse método me poupou de ter que admitir falhas e erros insanáveis, graves ou sujeitos a serem apontados como de má fé.

Por isso é que critiquei a carta aberta de Ana Célia. Ela pode ter colocado em letra de forma o que muita gente diz pelos corredores ou protegida pelo sigilo. Mas não é o que um repórter deve fazer. Com seu libelo acusatório, totalmente destituído de fatos e desprovido de provas, ela não só desserve ao jornalismo numa terra que tanto o maltrata perverte como a ela mesma e à opinião pública. A Ana Célia que admirei como repórter (o apodo de investigativo é desnecessário porque compulsório) não escreveria essa carta.

Quis também evitar que, submetida a processo na justiça, Ana Célia fosse condenada a algo ainda pior do que se retratar, como seria inevitável diante dos termos do seu texto, como fez em 2011, apenas cinco anos atrás, por contingência de ações movidas contra ela pelo mesmo Milton Nobre.

Na época, a repórter acusou o desembargador de ter feito negócio ilícito ou desfavorável ao poder público (e rendoso para ele), através do aluguel de uma casa de sua propriedade ao governo do Estado. Também o denunciou por estar ainda usando o seu escritório particular de advocacia, mesmo já exercendo função incompatível com essa acumulação. E de seu filho ser procurador municipal indevidamente.

A retratação pública é algo que todo jornalista precisa evitar. E evitar apurando criteriosamente o que for divulgar para não ser obrigado a corrigir seus erros sob puxão de orelha que alguém lhe aplique.

Para a própria Ana Célia meditar sobre o que tem feito, os demais jornalistas considerarem na devida conta o episódio e apresentar uma das razões da minha decisão de escrever os comentários que aqui tenho publicado sobre o assunto, reproduzo a retratação de Ana Célia Pinheiro, feita no seu blog, cujo termo deve ter sido lavrado por orientação do ofendido, mesmo que assinado pelo seu advogado (o que agrava o constrangimento de quem se retrata). Espero, com isso, que o tema por ela suscitado seja não esquecido e arquivado, porém mais nem investigado. Jornalisticamente, como tem que ser.

domingo, 8 de maio de 2011

Nota de esclarecimento da Perereca da Vizinha sobre o aluguel de uma casa do desembargador Milton Nobre ao Governo do Estado

Considerando os termos da postagem “CONSELHEIRO DO CNJ ALUGA CASA AO GOVERNO DO PARÁ. TRANSAÇÃO JÁ RENDEU A MILTON NOBRE PELO MENOS R$ 375 MIL EM CINCO ANOS. FILHO DELE TRABALHA NA PREFEITURA DE BELÉM”, no ‘blog’ A Perereca da Vizinha, em data de 11.03.11, a qual foi objeto de 02 ações judiciais (1ª Vara do Juizado Especial Cível de Belém – ação cível nº 001.2011.907.028-0 e 1ª Vara do Juizado Especial Criminal do Jurunas de Belém – ação penal nº 0000450-45.2011.814.0601) aforadas pelo cidadão Milton Augusto de Brito Nobre, venho, na condição de proprietária do referido ‘blog’, esclarecer o seguinte:

01) A postagem objeto das ações judiciais acima citadas não teve o intuito de causar qualquer espécie de constrangimento e/ou ofensa à honra, imagem, privacidade e intimidade do cidadão Milton Augusto de Brito Nobre, Desembargador, ex-presidente do TJE e que, hoje, ocupa cargo de destaque em órgão de cúpula do Poder Judiciário, qual seja o Conselho Nacional de Justiça;

02) A intenção do blog foi somente a de prestar informação a toda sociedade de um ato público e notório em razão de sua publicidade no Diário Oficial do Estado e esclarece que em nenhum momento pretendeu colocar em dúvida a honra do cidadão Milton Augusto de Brito Nobre;

03) Nesse sentido, informa que documentos ofertados nas ações judiciais acima citadas, atestam que o imóvel locado ao Estado do Pará possui 20mts de frente por 30mts de fundos, perfazendo uma área total de 600m² de área total, sendo 459,40m² de área construída, possuindo 02 (dois) pavimentos subdividido em 02 halls de entrada, sendo um em cada pavimento, 02 banheiros masculinos, 02 banheiros femininos, salão para escritórios, 03 salas de reunião, 01 salão que serve para auditório e/ou outras atividades e estacionamento com 20 vagas, totalmente pavimentado. Tais documentos demonstram que o blog foi induzido a erro por uma fonte acerca do dimensionamento do imóvel. Os laudos atestam que o aluguel está abaixo do valor de mercado;

04) O blog esclarece que não acentuou qualquer dúvida acerca do afastamento de Milton Nobre da sociedade Nobre & Silva Advogados Associados, porquanto o exercício da magistratura é incompatível com a advocacia e assim tem sido até a presente data e nunca se teve qualquer conhecimento de que o cidadão Milton Augusto de Brito Nobre cumulasse as duas funções. O blog quer deixar claro que não teve intenção alguma de fazer quaisquer ilações indevidas ou suposições de que o Sr. Milton Augusto de Brito Nobre, direta e/ou indiretamente, se utilize da função que exerce para tirar benefício a si, aos seus familiares e a sua antiga sociedade;

05) O blog informa que a homologação do concurso público no qual o Dr. Marcelo Augusto Teixeira de Brito Nobre foi aprovado para a Procuradoria da Prefeitura Municipal de Belém, com lotação na Secretaria Municipal de Assuntos Jurídicos – SEMAJ, está publicada na página 3 do Diário Oficial do Município de 21 de dezembro de 2004. O ato homologatório não estava disponível na internet, a quando da redação da referida postagem e só foi localizado posteriormente, em pesquisa nos jornais impressos do Arquivo Público. Logo, a nomeação do Dr. Marcelo Augusto Teixeira de Brito Nobre foi devido à aprovação no referido certame, como, aliás, consta de documento publicado na postagem no qual está inserida a natureza da nomeação.

Discussão

14 comentários sobre “O verdadeiro jornalismo

  1. Jornalismo é uma coisa. Outra coisa é manifestação pessoal, às claras, sob a luz do sol.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 12 de novembro de 2016, 10:18
  2. As redes sociais se apresentam como uma transição para depurar alguns fatos, depurando também o jornalismo. Quem viver, verá.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 12 de novembro de 2016, 19:55
    • Luiz,

      Essa era a esperança, mas veja o resultado. As redes sociais se tornaram famosas também por serem capazes de propagar inverdades a uma velocidade nunca antes vista. Se o leitor não tiver senso crítico para separar o joio do trigo, acaba sendo utilizado como massa de manobra por alguns poucos.

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      Publicado por José Silva | 13 de novembro de 2016, 08:48
  3. O primeiro passo foi mostrar já não há o tapete que escondia as falcatruas da corrupta elite.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 13 de novembro de 2016, 10:16
  4. Eis aí, então, a diferença entre o jornalismo anterior e as redes sociais. .

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 13 de novembro de 2016, 14:57
  5. Por isso a diferença, sobretudo porque há troca de opinião.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 14 de novembro de 2016, 10:52
  6. O veneno da Perereca

    Ana Célia Pinheiro

    Meu ex-amigo Lúcio Flávio Pinto:

    Até agora não consegui entender o porquê desses teus repetidos ataques contra mim, nos últimos dias.

    Dizes que estás a “defender o jornalismo”.

    No entanto, há centenas de blogs e pequenos jornais, no Pará e no Brasil, além de inúmeros perfis de jornalistas, nas redes sociais, que produzem informação e opinião – a cada minuto!

    Muitos desses jornalistas escrevem textos críticos a pessoas poderosas: políticos, magistrados, empresários. Outros produzem elogios, também a pessoas poderosas, às vezes, sem um pingo de verdade.

    Então, por que é que essa tua “defesa do jornalismo” se limita a apontar as baterias contra mim?

    E por que é que fazes essa associação específica entre o caso do Milton Nobre e a “defesa do jornalismo”, se, como mostrei acima, há centenas de pessoas poderosas que estão a receber, neste exato momento, críticas ou elogios imerecidos, por parte de milhares de jornalistas?

    Desculpa, tá, Lúcio?, essas minhas “perguntas de foca”.

    Mas é que estou tentando entender o porquê de só eu ser o alvo dos teus ataques, e o porquê de só o Milton Nobre merecer essa tua apaixonada “defesa do jornalismo”.

    Ainda mais enigmático, para mim, é o fato de teres resolvido “vestir uma carapuça”, como se ela te coubesse perfeitamente.

    Ora, o que eu disse é que o Milton Nobre e um amigo dele, em postagens na internet, mentem (e mentem deslavadamente) quando afirmam que fiz acusações infundadas ao desembargador, na minha reportagem de 2011.

    Afirmaste, Lúcio, que fiz acusações infundadas ao Milton Nobre, em 2011?

    Se não afirmaste, por que vestiste a carapuça?

    Também disse que o Milton Nobre e esse amigo dele, para manipular as pessoas, misturam no mesmo balaio essa reportagem de 2011 e a minha carta aberta (que foi um artigo), fazendo de conta que não sabem distinguir entre os dois estilos textuais.

    Fizeste isso, Lúcio? Tu, um jornalista com décadas de profissão, fizeste de conta que não sabes distinguir entre um artigo e uma reportagem?

    Se não fizeste, por que vestiste a carapuça?

    És, por acaso, amigo do Milton Nobre e o único a defendê-lo na internet?

    Então, meu ex-amigo, realmente não consigo entender o porquê de teres usado essa tal de carapuça, para desferires um ataque tão feroz contra mim.

    Chegaste a dizer que perdi a “objetividade, a isenção, a capacidade analítica, o sentido da crítica e o domínio sobre as iniciativas que adoto”.

    Ou seja, só faltaste me recomendar uma camisa-de-força, como fez o Walbert Monteiro.

    Mas que o Walbert aja assim, até entendo: ele é assessor, há anos, do Milton Nobre.

    Mas tu, Lúcio, qual o motivo desse teu ataque tão furioso?

    E por que buscas inverter as coisas, tentando te fazer de vítima, quando és tu que vens me atacando, há dias? Tu que pareces estar tentando me destruir profissionalmente, Lúcio – e não o contrário.

    Todos estão vendo, todos são testemunhas. Não posso falar no Milton Nobre, que vens e me atacas – e de forma cada vez mais violenta.

    Não sou dona de jornal, não sou dona de TV e o meu blog nem é um dos mais acessados. Então por que, “em defesa do jornalismo”, me atacas com uma virulência que nunca usaste nem mesmo contra os Maiorana e os Barbalho?

    Teus ataques miram até a minha vida pessoal, como se estivesses tentando me “satanizar”. Isso é “defesa do jornalismo”, Lúcio Flávio Pinto?

    Desculpa, meu ex-amigo, mas esse negócio não cola; tem alguma coisa muito, mas muito esquisita aí. Por que é que não atacas o Baratão e outros blogs? Por que é que essa tua “cruzada” só gira em torno do Milton Nobre? Até parece que resolveste virar uma “barreira humana”, para defendê-lo.

    E de mim, Lúcio? Um homem tão poderoso quanto o Milton Nobre ainda precisa de alguém para defendê-lo DE MIM?

    Criticas duramente o acordo que fiz com esse desembargador, em 2011, como se isso provasse que ele tinha razão. E logo tu, né Lúcio?, que já foste até condenado, devido a “esquemas extra-autos”, como afirmas.

    Nessa minha resposta ao Milton Nobre, embora tentes ignorar isso, explico claramente porque assinei aquele acordo: “Aquela reportagem de 2011 se limitava a relatar os fatos, todos embasados em documentos, entrevistas e informações públicas da internet. Não continha, portanto, nem sombra de opinião. Daí que nem tive problemas em assinar aquela nota de esclarecimento, já que não havia escrito nenhuma das “acusações” que o senhor diz-que “leu”. Em outras palavras, para facilitar a leitura ao senhor: apenas admiti que NÃO escrevi o que, de fato, NÃO escrevi, o que chega a ser até surreal”.

    Deu pra entender, Lúcio? A minha reportagem não continha nenhuma acusação. No fundo, aquilo foi apenas uma demonstração de poder do Milton Nobre – como, aliás, já experimentaste tantas vezes, não é Lúcio?, por parte de pessoas poderosas que te processam, simplesmente, porque escreveste uma reportagem.

    Além disso, o que é que sabes da minha vida? Tens ao menos ideia do que eu enfrentava, em 2011, para até atirares na minha cara o número de processos que já enfrentaste, sem fazeres acordo?

    Felizmente, há pessoas para mim que se sobrepõem a tudo, inclusive, a mim – e em qualquer aspecto da minha vida. Se não tens essa felicidade, me perdoa, mas eu tenho.

    Dizes, ainda, que agi de forma “torpe” em relação a ti. Sinceramente, não sei quando foi que isso aconteceu. Pelo contrário: todas as vezes que precisaste de solidariedade, fui extremamente solidária contigo, até chamando pra briga magistrado que te perseguia. E isso o meu blog está aí para confirmar.

    Dizes, também, que sempre foste um jornalista independente, que nunca te filiaste a partido político, fizeste campanha eleitoral ou integraste governos. Aí, mano, parou!

    E vou ter que ser um pouco mais dura contigo, porque não admito esse tipo de interferência na minha vida pessoal – nem de ti, nem de ninguém!

    Nunca me deste nem sequer um pedaço de pão, Lúcio Flávio Pinto. Então, com que direito vens questionar os locais onde trabalhei? Quem pensas que és, Lúcio, para quereres determinar o que devo ou não fazer?

    Trabalhei em campanhas eleitorais, sim. Trabalhei em assessorias de governos, sim. E daí? No que é que isso me torna mais, ou menos independente? E por que é que só questionas a mim? Por que é que não questionas as centenas de jornalistas que trabalham na Prefeitura e no Governo, e que também já trabalharam em campanhas eleitorais?

    Desde quando te dei a liberdade, Lúcio, de te intrometeres dessa forma na minha vida pessoal?

    Quanto à “biruta descontrolada”, imagino que isso não se refira a mim, mas a alguma reflexão que fizeste diante de um espelho, tendo em vista a tua fase atual.

    Também estranho que tenhas insinuado, ao final do teu texto, que não há provas do que afirmo em meus artigos. Não me consta que tenhas conversado comigo, em qualquer momento, sobre a documentação que possuo. Assim, não faço ideia de onde tiraste essa crença e em que ela se baseia. E como sabes, nós, os jornalistas, temos que trabalhar apenas com os fatos, não é, Lúcio?

    Por fim, devo confessar que não li teus artigos anteriores, como li esse último, até o fim. Aliás, desde que apoiaste esse golpe de estado, praticamente parei de ler o teu blog e o teu jornal, para não me decepcionar ainda mais.

    Então, se deixaste de me respeitar, é mano a mano: eu também já deixei de te respeitar, há um bom tempo, Lúcio Flávio Pinto.

    Ademais, não preciso, e nunca precisei, da tua “bênção”, para opinar sobre o que quer que seja, ou para escrever qualquer reportagem. Tenho 36 anos de jornalismo. Nenhum prêmio, é verdade. Mas as minhas reportagens já trouxeram inúmeros resultados objetivos para a sociedade, dos quais me orgulho muitíssimo.

    Em verdade, só decidi responder o teu último artigo porque resolveste me atacar até pessoalmente, enquanto tentavas te vitimizar.

    Penso que bateste no fundo do poço, com essa tua “defesa do jornalismo”. Até o Baratão é infinitamente mais digno do que tu. Ele jamais se prestaria a atacar outro jornalista, apenas para defender um sujeito como esse desembargador. E, se o fizesse, certamente não se esconderia atrás de supostos motivos “nobres” – sem trocadilho.

    Lamento a tua postura. Mas, pensando bem, não é nada assim tão estranho, vindo de ti.

    Ah, e antes que me esqueça: esta é a primeira e última resposta que te dou, porque, realmente, não tenho tempo a perder contigo.

    Assim, poderás ficar todo feliz, que nem aqueles meninos birrentos, que sempre têm que dar a última palavra.

    FUUUIIIII!!!!!

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    Publicado por João Farias | 16 de novembro de 2016, 19:19

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