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Sem categoria, Violência

Gueiros: a voz da verdade

Hélio Gueiros Neto sentiu que sua mulher estremeceu ao seu lado, na cama, a uma da madrugada de 27 de março do ano passado. Quando constatou que ela não respondia aos seus estímulos, pediu ajuda à sogra, que morava num prédio ao lado. Os dois levaram Renata para o hospital da Unimed, onde ela chegou já morta. Tudo indica que Renata morreu no caminho da casa ao hospital. Do contrário, marido e mãe teriam permanecido no apartamento do casal, diante do fato consumado.

O médico Aldemir Ferreira, que atendeu Renata no hospital, atestou que ela morreu de hemorragia interna no abdômen causada por aneurisma da principal veia do corpo humano,  a aorta abdominal. Não havia “lesões resultantes de violência na superfície de corpo”, conforme seu laudo, confirmado pelo exame necroscópico do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, do governo do Estado, realizado logo depois.

Os dois documentos seriam normalmente suficientes para encerrar o trágico acontecimento como morte natural, a lamentar e a aceitar. A mãe de Renata, porém, rejeitou esse desfecho. Sua inconformação se devia a que sua filha, com 26 anos, era jovem, saudável, sem registro de doença alguma que fizesse supor que ela teria uma morte súbita. Também teria tido motivos para recear o comportamento de Gueiros Neto, que namorara Renata por cinco anos e estava casado com ela apenas cinco meses quando Renata morreu.

Antes ou durante o relacionamento, ou depois da morte da filha, Socorro soubera de maus tratos de Gueiros Neto, embora o casamento tenha sido consumado, em outubro de 2014, com toda pompa e circunstância, nubentes, parentes e amigos na maior alegria para o registro fotográfico.

Foi impossível para a mãe constatar marcas de violência física no corpo da filha quando a encontrou e durante o trajeto ao hospital ou mesmo imediatamente depois, provocando-lhe reação contrária aos dois testemunhos sobre a morte natural? Ou ela foi impedida de se manifestar e tornar pública a sua irresignação a essa certificação da morte, o que retardou o pedido de exumação do corpo?

Ainda que as evidências e documentos que dão como causa do fim de Renata a morte natural, pelo rompimento da maior e mais grossa veia do corpo humano, tenham sido forjadas, por pressão de numa família de grande influência como a Gueiros, caberia ao delegado de homicídios indiciar Gueiros Neto como homicida da própria mulher e pedir sua prisão preventiva com base não num laudo oficial, qualquer que seja o questionamento sobre a sua lisura, mas no parecer de um perito assistente, designado pela família da suposta vítima do crime, ainda mais por não tê-lo dado ao conhecimento da parte contrária, que compareceu espontaneamente ao chamado da autoridade?

Diante dessa situação, já era para o delegado ou um representante da secretaria de segurança púbica esclarecer as dúvidas, fornecendo a documentação necessária para o esclarecimento da opinião pública. O silêncio que mantém lhe é desfavorável e alimenta especulações de todos os tipos num caso de evidente repercussão pública.

Discussão

3 comentários sobre “Gueiros: a voz da verdade

  1. Aguarda-se o pronunciamento do IML e da Polícia. Se há dúvidas sobre como a polícia procedeu nesse caso, então o assunto é de grande interesse público. Espera-se que nossas polícias estejam muito bem equipadas para rapidamente oferecer a verdade em casos não tão complexos como esse. Se os diferentes setores da polícia estão, cada um do seu modo, oferecendo interpretações discordantes, então temos um problema sério a ser resolvido.

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    Publicado por José Silva | 15 de novembro de 2016, 21:10
  2. Dr. Aldemir Ferreira não disse que Renata morreu de aneurisma, até porque quem deu esse parecer foi o médico do IML: Rainero Marojao, e o 2° laudo do IML não afirmou haver aneurisma. O médico que exumou Renata Dr. Abrão Lincoln de Oliveira fez necrópsia da Daniela Perez, será que esse renomado médico tem necessidade de mentir?

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    Publicado por Valéria Moura | 19 de novembro de 2016, 21:56

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