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Imprensa

“Isto” é jornalismo?

Vai aí a resposta que a jornalista Ana Célia Pinheiro deu aos meus artigos neste blog que trataram dela. Publico-o por respeito ao direito de resposta, mas não é algo que me anime a responder. Ana apenas dá prosseguimento aos seus ataques furiosos, destemperados e inconsistentes.

Dá-se realmente uma importância que não tem, uma consistência profissional que já não possui. Tornou-se membro de grupo de pressão, que define seus critérios de análise por impulsos emocionais e passionais.

Deixou de ser contendora racional, lógica, capaz de gerar diálogo positivo. Segue pelo caminho do fanatismo ,que opõe o branco e o negro, incapaz de perceber os matizes cromáticos da realidade, cuja definição exige atenção, paciência, pesquisa, discernimento, método de observação e análise.

Minha biografia é o oposto do que ela diz que fui e sou. Desafiei todos os poderosos, enfrentei todas as mais importantes situações e temas do meu tempo sem precisar recorrer à fúria cega, ao editorialismo primitivo, ao artigo sem parâmetros. Sempre em cima de fatos e com as provas que os demonstram, quando são contestados. Polêmicas nunca me faltaram, mas é um sinal dos tempos que me restem algaravias como esta de Ana Célia.

Não estou me concentrando nela e esquecendo os demais (não posso alcançar o universo, mas um dos temas mais fartos deste blog é justamente a imprensa – quem quiser comprovar que vá à pesquisa) nem assumindo um ataque porque ele se direciona ao desembargador Milton Nobre, a quem já dediquei diversos artigos de crítica e denúncia no Jornal Pessoal.

Peguei o mote para argumentar contra esse tipo de jornalismo que se atrela ao paroxismo político em curso no Brasil, tão plebiscitário quanto o foi pela via das armas durante a ditadura militar.É simpático a uma causa, mas é idiossincrático com a verdade, a sua versão maquiada e degenerada.

Os jornalistas têm o dever de apurar os fatos, que, às vezes, são ignorados ou manipulados pelos contendores, exigindo de quem os registra adesão incondicional à “causa” para não se transformarem em inimigos e alvos das hordas em conflito, que querem ganhar no grito.

Cabe aos jornalistas a missão de ponderar tudo pelo critério da verdade, que se baseia na demonstração do que se alega, e não porque o grupo tal é de petistas e o outro de tucanos, ou porque não defender determinada plataforma é impedir o progresso, ou ser tachado de y ou x se a verdade se confunde com a ou b, conforme a tábua das leis e o livro da inquisição.

Esta é minha última manifestação sobre Ana Célia Pinheiro,a mas não sobre Milton Nobre, jornalismo ou tudo que diz respeito ao interesse público. Cometi o erro de dar-lhe atenção. Acertei em deixá-la entregue a si mesmo. A história prossegue. E é ela que interessa.

Segue-se a resposta dela:
Meu ex-amigo Lúcio Flávio Pinto:

Até agora não consegui entender o porquê desses teus repetidos ataques contra mim, nos últimos dias.

Dizes que estás a “defender o jornalismo”.

No entanto, há centenas de blogs e pequenos jornais, no Pará e no Brasil, além de inúmeros perfis de jornalistas, nas redes sociais, que produzem informação e opinião – a cada minuto!

Muitos desses jornalistas escrevem textos críticos a pessoas poderosas: políticos, magistrados, empresários. Outros produzem elogios, também a pessoas poderosas, às vezes, sem um pingo de verdade.

Então, por que é que essa tua “defesa do jornalismo” se limita a apontar as baterias contra mim?

E por que é que fazes essa associação específica entre o caso do Milton Nobre e a “defesa do jornalismo”, se, como mostrei acima, há centenas de pessoas poderosas que estão a receber, neste exato momento, críticas ou elogios imerecidos, por parte de milhares de jornalistas?

Desculpa, tá, Lúcio?, essas minhas “perguntas de foca”.

Mas é que estou tentando entender o porquê de só eu ser o alvo dos teus ataques, e o porquê de só o Milton Nobre merecer essa tua apaixonada “defesa do jornalismo”.

Ainda mais enigmático, para mim, é o fato de teres resolvido “vestir uma carapuça”, como se ela te coubesse perfeitamente.

Ora, o que eu disse é que o Milton Nobre e um amigo dele, em postagens na internet, mentem (e mentem deslavadamente) quando afirmam que fiz acusações infundadas ao desembargador, na minha reportagem de 2011.

Afirmaste, Lúcio, que fiz acusações infundadas ao Milton Nobre, em 2011?
Se não afirmaste, por que vestiste a carapuça?

Também disse que o Milton Nobre e esse amigo dele, para manipular as pessoas, misturam no mesmo balaio essa reportagem de 2011 e a minha carta aberta (que foi um artigo), fazendo de conta que não sabem distinguir entre os dois estilos textuais.

Fizeste isso, Lúcio? Tu, um jornalista com décadas de profissão, fizeste de conta que não sabes distinguir entre um artigo e uma reportagem?

Se não fizeste, por que vestiste a carapuça?

És, por acaso, amigo do Milton Nobre e o único a defendê-lo na internet?

Então, meu ex-amigo, realmente não consigo entender o porquê de teres usado essa tal de carapuça, para desferires um ataque tão feroz contra mim.
Chegaste a dizer que perdi a “objetividade, a isenção, a capacidade analítica, o sentido da crítica e o domínio sobre as iniciativas que adoto”.

Ou seja, só faltaste me recomendar uma camisa-de-força, como fez o Walbert Monteiro.

Mas que o Walbert aja assim, até entendo: ele é assessor, há anos, do Milton Nobre.

Mas tu, Lúcio, qual o motivo desse teu ataque tão furioso?

E por que buscas inverter as coisas, tentando te fazer de vítima, quando és tu que vens me atacando, há dias? Tu que pareces estar tentando me destruir profissionalmente, Lúcio – e não o contrário.

Todos estão vendo, todos são testemunhas. Não posso falar no Milton Nobre, que vens e me atacas – e de forma cada vez mais violenta.

Não sou dona de jornal, não sou dona de TV e o meu blog nem é um dos mais acessados. Então por que, “em defesa do jornalismo”, me atacas com uma virulência que nunca usaste nem mesmo contra os Maiorana e os Barbalho?
Teus ataques miram até a minha vida pessoal, como se estivesses tentando me “satanizar”. Isso é “defesa do jornalismo”, Lúcio Flávio Pinto?

Desculpa, meu ex-amigo, mas esse negócio não cola; tem alguma coisa muito, mas muito esquisita aí. Por que é que não atacas o Baratão e outros blogs? Por que é que essa tua “cruzada” só gira em torno do Milton Nobre? Até parece que resolveste virar uma “barreira humana”, para defendê-lo.

E de mim, Lúcio? Um homem tão poderoso quanto o Milton Nobre ainda precisa de alguém para defendê-lo DE MIM?

Criticas duramente o acordo que fiz com esse desembargador, em 2011, como se isso provasse que ele tinha razão. E logo tu, né Lúcio?, que já foste até condenado, devido a “esquemas extra-autos”, como afirmas.

Nessa minha resposta ao Milton Nobre, embora tentes ignorar isso, explico claramente porque assinei aquele acordo: “Aquela reportagem de 2011 se limitava a relatar os fatos, todos embasados em documentos, entrevistas e informações públicas da internet. Não continha, portanto, nem sombra de opinião. Daí que nem tive problemas em assinar aquela nota de esclarecimento, já que não havia escrito nenhuma das “acusações” que o senhor diz-que “leu”. Em outras palavras, para facilitar a leitura ao senhor: apenas admiti que NÃO escrevi o que, de fato, NÃO escrevi, o que chega a ser até surreal”.

Deu pra entender, Lúcio? A minha reportagem não continha nenhuma acusação. No fundo, aquilo foi apenas uma demonstração de poder do Milton Nobre – como, aliás, já experimentaste tantas vezes, não é Lúcio?, por parte de pessoas poderosas que te processam, simplesmente, porque escreveste uma reportagem.

Além disso, o que é que sabes da minha vida? Tens ao menos ideia do que eu enfrentava, em 2011, para até atirares na minha cara o número de processos que já enfrentaste, sem fazeres acordo?

Felizmente, há pessoas para mim que se sobrepõem a tudo, inclusive, a mim – e em qualquer aspecto da minha vida. Se não tens essa felicidade, me perdoa, mas eu tenho.

Dizes, ainda, que agi de forma “torpe” em relação a ti. Sinceramente, não sei quando foi que isso aconteceu. Pelo contrário: todas as vezes que precisaste de solidariedade, fui extremamente solidária contigo, até chamando pra briga magistrado que te perseguia. E isso o meu blog está aí para confirmar.

Dizes, também, que sempre foste um jornalista independente, que nunca te filiaste a partido político, fizeste campanha eleitoral ou integraste governos. Aí, mano, parou!

E vou ter que ser um pouco mais dura contigo, porque não admito esse tipo de interferência na minha vida pessoal – nem de ti, nem de ninguém!
Nunca me deste nem sequer um pedaço de pão, Lúcio Flávio Pinto.  Então, com que direito vens questionar os locais onde trabalhei? Quem pensas que és, Lúcio, para quereres determinar o que devo ou não fazer?
Trabalhei em campanhas eleitorais, sim. Trabalhei em assessorias de governos, sim. E daí? No que é que isso me torna mais, ou menos independente? E por que é que só questionas a mim? Por que é que não questionas as centenas de jornalistas que trabalham na Prefeitura e no Governo, e que também já trabalharam em campanhas eleitorais?
Desde quando te dei a liberdade, Lúcio, de te intrometeres dessa forma na minha vida pessoal?

Quanto à “biruta descontrolada”, imagino que isso não se refira a mim, mas a alguma reflexão que fizeste diante de um espelho, tendo em vista a tua fase atual.

Também estranho que tenhas insinuado, ao final do teu texto, que não há provas do que afirmo em meus artigos. Não me consta que tenhas conversado comigo, em qualquer momento, sobre a documentação que possuo. Assim, não faço ideia de onde tiraste essa crença e em que ela se baseia. E como sabes, nós, os jornalistas, temos que trabalhar apenas com os fatos, não é, Lúcio?

Por fim, devo confessar que não li teus artigos anteriores, como li esse último, até o fim. Aliás, desde que apoiaste esse golpe de estado, praticamente parei de ler o teu blog e o teu jornal, para não me decepcionar ainda mais.

Então, se deixaste de me respeitar, é mano a mano: eu também já deixei de te respeitar, há um bom tempo, Lúcio Flávio Pinto.

Ademais, não preciso, e nunca precisei, da tua “bênção”, para opinar sobre o que quer que seja, ou para escrever qualquer reportagem. Tenho 36 anos de jornalismo. Nenhum prêmio, é verdade. Mas as minhas reportagens já trouxeram inúmeros resultados objetivos para a sociedade, dos quais me orgulho muitíssimo.

Em verdade, só decidi responder o teu último artigo porque resolveste me atacar até pessoalmente, enquanto tentavas te vitimizar.

Penso que bateste no fundo do poço, com essa tua “defesa do jornalismo”. Até o Baratão é infinitamente mais digno do que tu. Ele jamais se prestaria a atacar outro jornalista, apenas para defender um sujeito como esse desembargador. E, se o fizesse, certamente não se esconderia atrás de supostos motivos “nobres” – sem trocadilho.

Lamento a tua postura. Mas, pensando bem, não é nada assim tão estranho, vindo de ti.

Ah, e antes que me esqueça: esta é a primeira e última resposta que te dou, porque, realmente, não tenho tempo a perder contigo.

Assim, poderás ficar todo feliz, que nem aqueles meninos birrentos, que sempre têm que dar a última palavra.

Discussão

7 comentários sobre ““Isto” é jornalismo?

  1. Vindo de uma jornalista acobertada pelo grupo que trabalha, não tem muito crédito, aliás , são pouquíssimos que la se salvam.

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    Publicado por marcusbrabo | 16 de novembro de 2016, 18:37
  2. Pelo visto; acertei. O “amigo” não era você e ela lhe respondeu.

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    Publicado por Jonathan | 16 de novembro de 2016, 20:03
    • Valeu pela oportunidade de esclarecer melhor a situação.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 16 de novembro de 2016, 20:31
      • Sou terminantemente contra o Governo Jatene. Há quase 12 anos à frente do estado do Pará (sem contar os anos dele como secretário de Jáder) e nosso estado só afunda. Obras importantes paradas ou a passos de tartarugas, aproveitando-se delas para campanhas eleitorais; segurança pública praticamente inexistente tamanha a incompetência de Jatene em combater a violência – cada vez mais galopante-; e isso sem falar na derrama de dinheiro com anúncios no Jornal que lhe serve de porta-voz e lhe presenteia com chapabranquismo. Isso são fatos.Seu governo é uma nulidade total.

        Entretanto, as falcatruas que a jornalista aponta precisam ser provadas. Quando ela fizer isso, eu mesmo erguerei uma estátua em seu louvor. Se não fizer isso, vira uma jornalista aos moldes da Veja, mas em outro espectro político. Não dá.

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        Publicado por Jonathan | 16 de novembro de 2016, 20:52
  3. Porra, no blog dela tem um baita “fora temi”. E ainda escreveu que o Lúcio apoiou o “gópi”. Quer que ela diga mais alguma coisa?

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    Publicado por Paul Nan Bond | 16 de novembro de 2016, 21:45
  4. Só não entendi como um profissional do porte do Lúcio foi entrar nessa bobagem criada por essa Ana Célia…

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    Publicado por nado araújo | 18 de novembro de 2016, 17:15
  5. Depois que ficou impossível negar que até o tapete que escondia as falcatruas e crimes da corrupta elite foi roubado, expondo a fonte de todos os males sociais, é de imperiosa necessidade que o jornalismo, sendo também “moldado” por tais mazelas, também tenha suas entranhas abertas, expostas ao sol.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 22 de novembro de 2016, 11:08

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