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Ecologia, Energia, Grandes Projetos, Hidrelétricas

O acidente no Teles Pires

Ainda é desconhecida a origem de um grande vazamento de óleo, de dimensão ainda não definida, que poluiu as águas do rio Teles Pires, afluente do Tapajós, que deságua em Santarém. A área contaminada fica próxima ao local onde está sendo construída a hidrelétrica de São Manoel, na divisa de Mato Grosso com o Pará.

A mancha de óleo foi identificada no domingo. Avançando rio abaixo, ela comprometeu o abastecimento de 320 pessoas que moram em aldeias indígenas às proximidades da barragem. O acidente começou a ser investigado pelo Ibama, para saber se o vazamento foi causado por problema na estrutura da barragem de São Manoel ou pelo naufrágio de alguma balsa de um garimpo ilegal, dos vários que operam  no Teles Pires.

A Empresa de Energia São Manoel, dona da hidrelétrica, enviou garrafas de água para atender a população indígena

Juliana de Paula Batista, advogada do Instituto Socioambiental que viveu na região, alertou – em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo – para o risco de o problema se agravar. “Pelo menos outros 900 indígenas vivem em aldeias a cerca de 60 quilômetros da usina. Mais abaixo ainda está a terra indígena mundurucu, onde vivem 8 mil pessoas. Nenhuma dessas aldeias tem água tratada, os indígenas bebem água in natura do rio. Por isso, qualquer coisa que acontece nessa área é uma tragédia”, disse ela.

A empresa de Energia São Manoel declarou, em nota, que detectou a mancha de óleo no dia 13 de novembro, mas que situação da bacia do Teles Pires “já está normalizada”. A empresa informou que “está analisando as causas do ocorrido” e que segue com o monitoramento periódico da região.

O jornal paulista lembra que São Manoel “é uma das últimas grandes hidrelétricas que o governo conseguiu implantar na Amazônia, em meio a uma série de polêmicas envolvendo o impacto do projeto em terras indígenas e a inundação de regiões históricas e sagradas para os índios, como a chamada Sete Quedas do Teles Pires, que ficou debaixo d’água”.

Além de São Manoel, o rio que dá origem ao Tapajós já foi barrado pela hidrelétrica de Teles Pires, Sinop e Colíder, em Mato Grosso. Esses empreendimentos acumulam pelo menos 24 processos movidos pelo Ministério Público Federal, a maior parte deles apontando desrespeito aos direitos indígenas e impactos ao meio ambiente, como ocorrências de grande mortandade de peixes.

A Empresa de Energia São Manoel pertence à EDP Brasil, à estatal Furnas e à China Three Gorges (que construiu a maior hidrelétrica do mundo, de Três Gargantas, no rio Amarelo, na China). Elas que preveem investimento de 2,2 bilhões de reais na usina, com capacidade para 700 megawatts. As obras foram iniciadas em setembro de 2014 e a previsão é que as operações comecem em janeiro de 2018.

 

Discussão

2 comentários sobre “O acidente no Teles Pires

  1. Seria bom avaliar também o quanto essas empresas doaram, legalmente ou ilegalmente, para a coligação PT-PMDB. A pressa como essas obras foram aprovadas, atropelando os direitos dos povos indígenas e os cuidados ambientais básicos, é, de certo modo, inexplicável.

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    Publicado por Jose Silva | 17 de novembro de 2016, 18:22
  2. Não existe lugar sagrado na natureza para a tecnocracia .Seja petista, pmdebista , psdebista, arenista, udenista , e outras tecnocracias “istas” de regime democrático ou ditatorial . O que existe na natureza é ” vocação econômica” ( mineral, madeireira , energética, turística, pesqueira , extrativista , agrícola, viária …) tudo é economia de mercado e ponto final. Capitalismo ( sob a ditadura ou sob a democracia representativa ) e nações indígenas são duas culturas absolutamente antagônicas e irreconciliáveis .Sob o capitalismo os indígenas vão sofrem até morrerem todos e nós, os brancos ficaremos lamentando com as nossas consciências pesadas .

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    Publicado por Marly Silva | 18 de novembro de 2016, 09:14

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