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Imprensa, Política

Mais que 30 moedas

Quando algum interesse maior de Romulo Maiorana Júnior está em causa, o Repórter 70 viria o eco da sua voz, posta em letra de forma pelo redator de plantão para atender os caprichos do chefe. Nessas ocasiões, torna-se útil ler a principal coluna de O Liberal. A de hoje é aberta com duas notas dedicadas aos inimigos de todos os dias, os Barbalhos:

“Mentiras

O jornaleco dos Barbalhos continua insistindo naquela tese nazista de que uma mentira mil vezes repetida acaba virando verdade. Mente o panfleto ao afirmar que toda verba de R$ 36 milhões de publicidade é utilizada em O LIBERAL. Esclareça-se: as Organizações Romulo Maiorana têm sua plataforma de audiência de 60% a 75% em todo o Pará. E as ORM são constituídas por veículos campeões de credibilidade e audiência, como os jornais O LIBERAL e ‘Amazônia’ (ambos em versões impressa e digital), Portal ORM, Sistemas de Rádios AMs e FMs Liberal, além de 11 geradoras, oito minigeradoras e 63 repetidoras na Rede TV Liberal.

Audiência

Toda essa massa de competência e monstruosa audiência não chega a receber nem 25% da verba que o papelucho da mentira nos atribui. Então, Barbalhos, para onde estão indo os 75% da verba de comunicação do governo do Estado? Pergunte a quem determina e distribui esse montante e ainda é comissionado. Aliás, ressalte-se que foi o governo Jader Barbalho que mais anunciou em nossos veículos. Isso é fato. E contra os fatos ninguém deve brigar. A não ser os que propagam mentira”.

Romulo Maiorana Junior concorda com a informação veiculada pelo Diário do Pará: os 36 milhões de reais de verba oficial do governo do Estado destinada à imprensa, Jura de pés juntos que sua corporação, apesar da sua “monstruosa” (ah, a sinceridade involuntária e sintomática!) audiência, não recebe nem R$ 10 milhões dessa mesada milionária.

Sua ração devia ser maior para corresponder à sua “plataforma de audiência”, que varia mais do que margem de erro de pesquisa eleitoral: entre 60% e 75% em todo Pará. Ora, audiência é uma coisa, tiragem de jornal é outra. O Ibope é competente para medir a primeira. O IVC é o instituto de maior credibilidade no país para tratar da segunda.

Durante vários anos O Liberal foi o único jornal paraense filiado ao IVC. Usava seus boletins para declarar ao público em geral e aos anunciantes em particular que chegou a ter 98% dos leitores de jornais no Estado. Mas o IVC descobriu que o seu cliente mentia na informação jurada que o editor prestava ao instituto, sediado em São Paulo. Mais grave do que isso: fraudava os documentos que comprovavam a circulação paga do jornal.

Quando o IVC mandou uma equipe para periciar as contas, na véspera da chegada dos seus emissários, O Liberal se desfiliou, atitude inédita em 50 anos de atividade do instituto, com centenas de clientes na sua carteira. Nunca mais O Liberal voltou ao IVC. Acrescente-se que o Diário do Pará é, desde então, o único no IVC entre nós, mas nunca divulgou os resultados da auditagem do instituto. Prefere mentir ao público com outra estatística, a do Ibope, que mede audiência, não vendagem de jornal. Ela cntinua caindo, embora a do concorrente mais ainda.

Por que, então, com audiência tão “monstruosa”, as Organizações Romulo Maiorana não recebem nem 25% da verba de publicidade do governo amigo do tucano Simão Jatene? Deve ser por culpa de quem “determina e distribui” a verba. O Repórter 70 omite o nome de Orly Bezerra, dono da Griffo, a agência de publicidade que administra a conta do governo “e ainda é comissionada” (com 20%), acrescenta com malícia a coluna do jornal, como se fosse algo ilícito ou inaceitável.

Orly tem certa autonomia para administrar essa conta, mas se fizer o contrário do que o cliente lhe determina é certo que perderá a conta, seja de uma empresa como de um governo. Por isso, se ele não está atento à “monstruosa” audiência das ORM, o culpado tem nome e sobrenomes: Simão Robison Jatene.

Como fez com Sábato Rossetti, RM Jr. bate no intermediário para atingir o destinatário, caprichando para eliminar o elo nessa ligação, trazendo o infiel à presença de sua excelência, o detentor da “monstruosa” audiência, que lhe dá o direito de imaginar-se como o dono de 1,2 milhão de quilômetros quadrados e mais de oito milhões de habitantes a partir do seu fútil e inconsútil trono refrigerado.

Para humilhar o inimigo com seu saber de Almanaque Capivarol, o Repórter 70 pensa dar o xeque-mate no competidor no final do texto. Apresenta-lhe um “fato”: foi justamente o governo do dono do jornal, o senador Jader Barbalho, o que mais anunciou nas ORM, reconhecendo-lhe, portanto, a liderança.

É a pura verdade. Sem ter ao seu dispor qualquer máquina pública, na mais dramática, maior e última vitória em grande estilo, Jader derrotou Sahid Xerfan na disputa pelo governo do Estado. Xerfan era o candidato do governador Hélio Gueiros, que para elegê-lo montou a maior máquina de corrupção eleitoral que vi funcionar na minha carreira de repórter. Sorteava prêmios valiosos através de uma suposta campanha social, a Caminhando com o Povo, de descarada audácia, que hoje, no novo Brasil, levaria à punição do candidato e do seu patrocinador.

Todos os dias, O Liberal publicava matérias violentas contra Jader, acusando-o de corrupto, diretamente ou por interpostas pessoas. Um dos mais constantes ocupantes das páginas dedicadas pelo jornal a xingar o inimigo era o próprio Gueiros (que depois se reconciliou com Jader). Mas outras pessoas se prestaram a esse serviço. Aquele tipo de oportunista aos quais a esquerda fornece bandeiras ilustres, que ocultam os objetivos espúrios

Mas Jader acabou vencendo. Desde que a justiça eleitoral proclamou o resultado da votação, o nome do governador eleito sumiu. Quando ele assumiu o cargo, em 1991, o jornal se referia a ele apenas como “o governador”, o primeiro sem nome na história política do Pará (a Folha do Norte, no paroxismo sem igual contra seu inimigo mortal, Magalhães Barata, o tratava por J. Barata).

Logo, o aposto foi acrescentado. E, por fim, não só Jader era citado por inteiro como passou a ser elogiado em prosa e verso (de pé quebrado) pela “casa”. Por quê? Porque Jader abusou da destinação de verba pública ao grupo Liberal. Comprou caro o apoio, mas conseguiu – claro, usando o dinheiro do cidadão.

O Liberal só se vende por mais do que 30 moedas, é a moral da última nota do Repórter 70 de hoje dedicado a Jader Barbalho. Boa moral é o que ela não oferece.

Discussão

4 comentários sobre “Mais que 30 moedas

  1. O roto falando do esfarrapado essa é a moral da história

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    Publicado por Paulo Garcia | 24 de novembro de 2016, 18:37
  2. Certa vez entrei na sala do então gerente do setor em que trabalho, o qual estava dando uma lição de moral em um egresso do sistema penitenciário. Dizia-lhe que não deveria mais voltar a furtar, roubar, ou se envolver em crime algum. Até ai tudo certo. A coisa descambou qundo o tal gerente abriu uma exceção: …a não ser que seja pra, com o crime, adquirir grande furtuna…ai pode ser.
    O Manda Chuva do jornal em questão parece seguir a mesma moral.
    A propósito, sou servidor público.

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    Publicado por Silvio | 24 de novembro de 2016, 20:47
  3. Seria acaso a questão: “os bandidos só têm razão quando se acusam”?

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 25 de novembro de 2016, 10:23

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