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Política

O cadeado e os ladrões

Na década de 1930 o estreante compositor Wilson Batista e o já consagrado (embora jovem) Noel Rosa travaram um dos maiores embates da história da música popular brasileira. Terçaram armas em torno de um tema precioso para o Rio de Janeiro (a cidade maravilhosa) daquela época: quem é realmente o malandro, na versão marginal de Wilson, e folgado, na definição de classe média suburbanas de Noel.

Respondendo ao desafiante com duas das mais lindas das suas maravilhosas composições, Noel observa que em Vila Isabel, sua “terra” natal na federação cultural que era o Rio da época, “não há um cadeado na porta/ porque na vila não há ladrão”.

No nosso tempo de Gedel, Eduardo Cunha, Delcídio Amaral, Pedro Paulo Costa, Palocci, Lula, Dilma, Temer, Aécio et caterva, é preciso arranjar um cadeado com oito milhões de quilômetros quadrados de área e entregar a chave a Noel Rosa, ou a quem represente a decência, a moral e a dignidade do poeta da Vila. Como todo gênio, com a capacidade de olhar muito além do seu tempo.

Discussão

4 comentários sobre “O cadeado e os ladrões

  1. Dilma pode ser tudo, mas ladra não é, e assim vai perdendo a credibilidade o blogueiro.

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    Publicado por Hernani Filho | 25 de novembro de 2016, 19:20
    • Você tem um conceito muito restrito do que é ser ladrão e da metáfora que usei com a ajuda de Noel. O cadeado é para impedir que os autores de danos ao patrimônio público, em ato de corrupção ativa ou passiva, com responsabilidade direta ou difusa, por ação ou omissão, por violação a princípios legais, continuem a agir livremente. Mas é, sobretudo, uma metáfora musical.
      A propósito: recomendo ouvir o autêntico desafio urbano entre Wilson Batista e Noel Rosa, este, ao meu ver, o vencedor, apesar da picardia, da ironia e da agressividade do primeiro. É antológico. E um sinal da época e, infelizmente, de sempre no Brasil.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 25 de novembro de 2016, 19:36
  2. Cadeado é mimo.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 26 de novembro de 2016, 00:11

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