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Imprensa

O grande Pinóquio

Em O Liberal de hoje: “ORM alcançam 75% de audiência no Pará”. No Amazônia: “Mídias das ORM mostram força e grandeza na região”, Grandeza inconteste possui o texto de abertura da matéria, que ocupa duas páginas no jornal mais novo, em formato menor. Espero que o leitor tenha fôlego e concentração para chegar ao fim do lide, que é o primeiro parágrafo, no vocabulário jornalístico. Ele apregoa (em latifundiárias 49 linhas, no formato original):

“Informação, entretenimento, cultura e prestação de serviços em todas as plataformas de mídia – impresso, rádio, televisão e digital -; 75% de audiência no Estado;  destaque, reconhecimento e respeito na região e no País, pela qualidade do conteúdo e pelo uso de tecnologia e infraestrutura de ponta, para dar à sua programação e às suas publicações a abrangência que exigem as macrorregiões do Pará e os leitores contemporâneos. Essas são as características que distinguem os veículos das Organizações Romulo Maiorana, que já conquistaram vários prêmios importantes, concorrendo em alguns deles com as maiores empresas de comunicação da América Latina. O mais recente deles é o Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica Fernando Pini, conquistado por O LIBERAL na última semana, após disputar com jornais como o “Estado de São Paulo” e a “Folha de São Paulo”, que representam o maior centro econômico e industrial do País. É a segunda vez em menos de uma década que O LIBERAL fica à frente nessa premiação da Associação Brasileira da Indústria Gráfica, na categoria Jornais Diários Impressos, consolidando a posição de líder em qualidade e profissionalismo no campo das comunicações no País. As ORM são o resultado da concepção visionária do empresário Romulo Maiorana, o fundador dos veículos que constituem o conglomerado de comunicação e mídias, que ele deixou como legado, ao falecer em 1986, e é mantido pela família Maiorana, sob a presidência de Dona Lucidéa e a presidência executiva de Romulo Maiorana Júnior”.

Talvez nenhum grupo de comunicação tenha tal domínio de mercado em todo planeta. “É um reconhecimento monstruoso”, ressalta o diretor industrial João Pojucan de Moraes, sapecando o adjetivo de mais constante usado na “casa” nos últimos tempos (a razão? Confesso meu desconhecimento; o Aurélio oferece alternativas melhores, traduzindo corretamente o que imagino que os dirigentes da corporação querem dizer).

Tudo bem. Qual, porém, é a fonte da informação sobre os 75% “de audiência” que os veículos da família Maiorana conseguem “em todas as plataformas de mídia”? Nenhuma. Parece que o número foi tirado da cartola do mágico ou da manga de um jogador de pôquer (ou de um político?). É um dado com tal potência, inusitado e mesmo inacreditável, que só a citação da fonte (e uma fonte de credibilidade, com competência técnica para apurar a informação) poderia respaldar o anúncio bombástico. Contudo, nenhuma fonte de referência é apontada ao longo da extensa matéria.

Em relação ao jornal impresso em papel, os 75% de “audiência” (que deveriam ser de leitura, conceito de medição adequado ao caso) não passam de mentira. Embora o Diário do Pará não revele os resultados da auditagem feita pelo IVC da venda do jornal, que tem caído (como de quase todos os periódicos em papel no mundo), ele ainda é o líder desse mercado. Talvez só a soma de O Liberal com o Amazônia supere a marca do concorrente. Mas 75% para os veículos dos Maioranas é um absurdo.

Pode ser que essa audiência (aí, sim, a metodologia cabível) ocorra com a televisão. Não pelos méritos próprios da emissora, mas por ser afiliada à Rede Globo e estar sob intervenção branca da empresa dos Marinhos. Também não é crível que as emissoras de rádio dos Maioranas tenham a sintonia de 75% dos ouvintes do Estado do Pará.

Por que menir de forma tão primária, que deve provocar escárnio e gargalhadas no meio profissional, além de incredulidade nos principais centros de comunicação do país? Talvez para cobrar mais 30 moedas do poder público, principal fornecedor de dinheiro para o grupo de comunicação que o apoia (e para o Liberal em virtude da parceria com a Globo).

Ao invés de se expor a essa investida esquizofrênica, o grupo Liberal devia ter atentado para o significado deste ano para a história do jornal, a origem da corporação. Exatamente em 2016 se completam três datas redondas: os 20 anos de O Liberal sem Romulo Maiorana (1946/1966), os mesmos 20 anos com ele no comando (1966/1986) e os 30 anos sem ele (1986/2016). Assim, dos 70 anos do jornal de origem baratista, doado a Magalhães Barata pelos seus amigos e correligionários “de posses” para que o transformasse em arma de combate ao perigoso inimigo, a Folha do Norte, 50 anos (meio século) transcorreram sob a bandeira Maiorana – que mentiras infantis e procedimentos arrogantes e infelizes ameaçam tornar rota.

Discussão

2 comentários sobre “O grande Pinóquio

  1. Apenas para “morcegar” o último post…..

    Lúcio,

    “O Livro Negro do Comunismo – Crimes, Terror e Repressão”

    Vc poderia dizer suas impressões nos tópicos relativos a Cuba ??

    O livro merece crédito ou não ??

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    Publicado por Sou daqui. | 27 de novembro de 2016, 09:59
  2. Parece fora de contexto do tópico, mas como o assunto são mentiras, jornalismo, liberdade de imprensa, Cuba, Fidel, Tiranias…. e coisa e tal….

    Um “severo defensor da liberdade de imprensa”, publicou hoje uma nota em que recorda que em 1994 Cuba assistiu ao jogo Brasil x Holanda, pela televisão estatal, por uma autorização expressa de Fidel, como uma consideração ao Chanceler Brasileiro na época.

    Isso é que é liberdade……viva a ilha da fantasia….sem o Tattoo.

    Curtir

    Publicado por Sou daqui. | 27 de novembro de 2016, 10:23

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