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Imprensa, Política

A história na chapa quente (9)

A escatologia marrom

num estado de omissão

 

(Em artigo publicado no JP 239, de julho de 2000 trato de uma questão bem paraense: por que jornais de escândalo e sensacionalismo, autênticas gazuas para abrir cofres alheios, se dão bem na terra? No caso do Jornal Popular, de Silas Assis, houve até uma união surpreendente entre Hélko Gueiros, do velho baratismo, e Edmilson Rodrigues, o prefeito de Belém eleito pela bandeira do pretensamente novo PT.)

 

Silas Assis é um caso óbvio de regressão senil à fase anal. O que diz tem o valor e a seriedade de uma frase de criança na fase anal, precedida talvez de trauma intrauterino. Sendo já senil a regressão, entretanto, a garatujem verbal incorpora a experiência de um sexagenário, que gerou um mundo de horrores à sua volta, tendo que responder por ele (o que faz sem qualquer escrúpulo moral e sem identificar a marca da sua autoria).

Quando ele usa sua fixação no sexo alheio para agredir os desafetos, não é a terceiros que atinge, já que não tem qualquer compromisso com a fatuidade das palavras. É a si próprio que desvenda. Quanto mais agride, mais sua doentia personalidade se manifesta. Gera, assim, um ciclo vicioso de paroxismos, capaz de abalar apenas quem não tem ciência do caso clínico, que qualquer manual freudiano (aliás, uma fixação infantil dele, na única frase que lhe permite acesso ao mestre vienense: “pode, Freud?”) explica – e qualquer internação psiquiátrica, se não corrige, anula.

O Silas – digamos assim – “natural” odeia o Silas que uma história torta engendrou. Fechado no seu roto universo mental, porém, só consegue atacá-lo projetando-o em outros. É o ardil que inventou para destruir o asqueroso inimigo sem destruir a si próprio, embora esta fosse a única coisa decente ao seu alcance. Ou, ao menos, sem ter consciência da autodestruição, da qual o que subsiste é essa sórdida carniça material, destituída daquelas emanações espirituais, morais e éticas que geralmente distinguem o homem da maioria dos outros animais – ou, à falta delas, os iguala.

Como esse indivíduo consegue utilizar sua folha marrom como instrumento de poder, se não tem a mínima credibilidade, se a circulação do seu jornal atende apenas os interesses comerciais do patrocinador, se não vende o produto anunciado, porque ninguém compra sua folha com propósitos sadios?

Sendo a chantagem o móvel da ação, só se submetem à vontade do chantageador os que lhe oferecem motivos para a extorsão. Basta comparar o que ele disse antes e depois da rendição, a enxurrada de impropérios e o silêncio, as ameaças de consumação iminente e nenhuma palavra depois que o caixa foi fornido, para saber, por ele, quem é que o sustenta. Portanto, ele não faz o mal sozinho.

Sozinho, aliás, não existiria, tal a sua insignificância, a desmoralização de seus velhos recursos de pulguento circo dos horrores. São os que lhe cedem os 30 dinheiros em troca do silêncio, no caso de alguns, ou para que lhe cedam um cômodo no lupanar de palavras que aluga, no caso de outros. Quem são essas pessoas ou empresas?

Basta ver os anúncios formalmente publicados ou o tratamento que alguns recebem. Eles não são meros anunciantes, mas cúmplices e coautores das indignidades ali perpetradas. É preciso que, enquanto clientes e consumidores, os cidadãos cobrem desses maus empresários suas responsabilidades, não só como chefes de organizações, mas também de famílias.

A maior das responsabilidades, no momento, é a da administração Edmilson Rodrigues. O prefeito foi eleito para mudar a política no município. Aos poucos, porém, foi incorporando os piores vícios do exercício do poder na nossa terra, inclusive o patrocínio da folha de Silas Assis, que só voltou ao Pará porque Hélio Gueiros, quando no governo, lhe forneceu farta publicidade oficial. Por ironia da história, muito fértil numa terra em que o exercício do poder costuma levar à exacerbação do autoritarismo, foi Hélio Gueiros que serviu de ponte para a aproximação entre o PT de Edmilson e Silas Assis.

Em pelo menos duas oportunidades um porta-voz da PMB foi ao escritório do ex-prefeito, na avenida Magalhães Barata, para negociar a troca de dinheiro público por espaço na publicação. Incrível, mas verdadeiro. Não por caso, na coluna cedida por Silas para o apócrifo Décio Malho (ele poderia muito bem se assinar etnaclavac ocihcocihc, se usasse o método “da casa”), não se pode ler qualquer crítica ao antecessor de Edmilson (que prometera ser o ferrabrás do acervo recebido, mas esqueceu esse compromisso, esquecido permanecendo até que as conveniências da campanha eleitoral digam o contrário).

Por que Hélio fez isso? Porque, sem a chave do erário, certamente não está suportando a gula do seu editor. Foi procurar parceiro. Sem indagar pela parceria, Edmilson entrou no barco. Agora, juntos, pode-se dizer que estão na companhia merecida, naquilo que, num filme famoso, foi denominado de “a nau dos insensatos”.

Mas a sensatez deve ser reunida para dar um fim nesse conjunto de misérias. Na resposta à edição extra deste jornal que escrevi, Silas Assis se assume como o redator do que aparece escondido atrás de alguns dos muitos pseudônimos do seu jornal (outros são cedidos). O diretor de redação, que responde legalmente, é um fantoche.

Como o mais recente, J. R. Avelar. Este cidadão obteve o registro 1342 da Delegacia Regional do Trabalho, mas um registro precário: só pode trabalhar numa redação como diagramador. Para qualquer outra função, precisa do diploma do curso superior de comunicação social. Um mês depois de obter tal licença, já apareceu como o responsável pela redação do Jornal Popular.

Assim, duas fraudes estão desmascaradas. Uma, de que o verdadeiro redator daquela coisa é Silas Assis, que, ao assinar o vomitório da primeira página, retirou a protetora máscara de aluguel. A outra, o registro irregularmente utilizado do profissional colocado no expediente para responder pelos crimes que, graças a essa trama grosseira, Silas Assis perpetra. Não está na hora de colocar um ponto final nessa horrível crônica de crimes?

Discussão

8 comentários sobre “A história na chapa quente (9)

  1. Mais um exemplo de componentes da politicagem (a”mão invisível da corrupção) que enriquece e consolida a cultura da corrupção.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 6 de dezembro de 2016, 08:54
  2. Lúcio,

    Fiz as indagações abaixo em outro post, mas como essa chapa quente trata de imprensa, entendo que possa lançar aqui.

    Vc se junta nesse Balaio (Ricardo Kotscho, Enio Barroso Filho, Azenha, Conceição Lemes) ??

    Ou

    Vc participaria de um novo “Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas” (os citados) ??

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    Publicado por Sou daqui. | 6 de dezembro de 2016, 08:59
    • Participaria, sim, como já fiz palestra para o PDS. Vou a qualquer lugar e de lá saio como entrei em amtéria de princípios, mas tentando aprender sempre. Os blogueiros virtuais me homenagearam por me considerarem um blogueiro avant-la-lèttre, fazendo blog impresso em papel. Não pude ir. Meu filho, Angelim, leu o meu texto de agradecimento. No último encontro, deste ano, em Belo Horizonte, chegaram a me fazer o convite em tese, mas não o concretizaram. Eu não mudei. O contexto desse mundo digital é que mudou. Por causa da minha independência, talvez já não agrade como antes. Talvez. Costumo ser considerado um iconoclasta.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 6 de dezembro de 2016, 10:57
  3. “….No último encontro, deste ano, em Belo Horizonte, chegaram a me fazer o convite em tese, mas não o concretizaram. Eu não mudei. ….
    Por causa da minha independência, talvez já não agrade como antes….”

    Bem significativo sua resposta. Acredito que diga muito acerca do citado Balaio.

    Obrigado pela gentileza de responder.

    Abç.

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    Publicado por Sou daqui. | 6 de dezembro de 2016, 12:48
  4. LFP,

    Que fim deu essa família que vivia desses jornalecos patrocinados pelos Eds e Papudinhos da vida? Não acredito que continue prestando serviços ao PSOL.

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    Publicado por Jose Silva | 6 de dezembro de 2016, 18:14

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