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Justiça, Política

O golpe do golpe

Ontem, o senador Jader Barbalho fez o que antes era comum na sua atividade e agora virou raridade: foi à tribuna do Senado. De lá falou, por longos 40 minutos, para seus colegas, que o ouviram em silêncio e com atenção.

O ex-governador denunciou a existência de um golpe para antecipar as eleições de 2018, depor Michel Temer e apoiar a volta de Fernando Henrique Cardoso ao poder, embora, conforme é público e notório, Temer esteja fazendo tudo para incluir o PSDB no seu governo.

Li – também com a máxima atenção – o pronunciamento de Jader (tanto que reproduzo  a seguir a matéria que o Diário do Pará publicou hoje sobre o assunto). Fiquei convencido de que há, de fato, não um golpe ou uma conspiração, mas uma trama. Um ardil montado por políticos audaciosos, competentes e enredados pelas teias da suspeita de corrupção.

Para se proteger atrás do mandato de Michel Temer, também na mira das investigações da Operação Lava-Jato, eles reagem atacando, com essa esdrúxula história de um golpe planejado pelas elites para colocar FHC no poder novamente.

É um enredo rocambolesco, que exige o desencadeamento de várias situações simultâneas para dar certo, como, num campeonato de futebol, um time situado no limbo depende dos resultados seus e de terceiros para sair da situação incômoda.

Se realmente há esse plano, a melhor maneira do atual presidente evitá-lo seria desmontando os argumentos que serviriam de elevador para a subida de FHC outra vez ao topo do poder: coragem para as reformas necessárias, lucidez na definição dos problemas que atravancam a máquina produtiva do país, desprendimento de interesses, vaidades e aspirações pessoais, garantia de que não vai querer continuar no poder além do mandato tampão que lhe coube (emenda constitucional acabando com a reeleição, anúncio de que não será candidato em 2018) e respeito às deliberações dos outros poderes, sobretudo do judiciário.

Claro que tudo isso na presunção de que o presidente da república não está de conluio com políticos como Jader Barbalho para escapar às teias da justiça por crimes que possam ter cometido. Do contrário, o que ficará de toda essa arenga será a desconfiança poderosa de que um golpe se antecipa a outro, o primeiro sendo real e o segundo imaginário. Ou seja: prepara-se a outra volta do parafuso, asfixiando ainda mais a nação.

A matéria do jornal do senador:

A democracia brasileira está sendo ameaçada, alertou ontem, na tribuna do Senado Federal, o senador Jader Barbalho (PMDBPA). Segundo ele, está em curso um processo para derrubar o presidente da República, Michel Temer. “A grande mídia, aliada a determinados setores, quer antecipar 2018. Não querem esperar pelo voto popular, pelo julgamento das urnas. Querem se antecipar, quem sabe enfraquecendo o governo de tal ordem que o presidente renuncie”, alertou o senador.

Ainda segundo o senador, há um processo de deturpação das instituições brasileiras para desqualificar o trabalho dos poderes Executivo e Legislativo. “É um esquema organizado para avacalhar o governo e avacalhar o Congresso. “Não querem esperar 2018! Não querem esperar pelo voto popular! Não querem enfrentar as urnas, na qual foram derrotados quatro vezes seguidas”. E completou: “e a grande mídia já escolheu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) como substituto de Michel Temer”.

Por mais de 40 minutos o senador paraense falou sob olhares atentos dos colegas. No plenário, além de senadores, muitos deputados assistiam ao pronunciamento do representante do Pará e permaneceram em silêncio ao longo de toda a fala do senador. Jader Barbalho disse estar cansado de todas as noites, “assistir o noticiário pessimista e escandaloso cobrar do atual governo aquilo que o governo tem tentando resolver”.

“Fico a me perguntar: afinal de contas, não era a grande imprensa, a grande mídia, que dizia que o senhor Henrique Meirelles [atual ministro da Fazenda] era a pessoa adequada para encaminhar as medidas econômicas adequadas?”, questionou o senador.

O senador lembrou que os políticos brasileiros são condenados todas as noites nos telejornais. “Não posso admitir que seja tranquilamente admitido que as pessoas sejam condenadas por antecipação”, ressaltou. “O que não se pode aceitar é o vazamento de delações. Não vou discutir a qualidade dos delatores. Não posso admitir, depois de tanto tempo de vida pública, que delações que sequer foram confirmadas pelos delatores – não houve depoimento deles confirmando-, não posso aceitar que delações que não foram juridicamente aceitas possam ser publicadas como verdade definitiva em relação aos homens públicos deste país”, denunciou.

Ele lembrou que não é, e nunca se posicionou contra a Operação Lava Jato e ressaltou que o trabalho que está sob a coordenação do juiz paranaense Sérgio Moro nunca foi prejudicado pelo Congresso. “Estamos atrapalhando o quê? Decretação de prisão preventiva sem prazo, que passou a ser condenação antes que as pessoas se defendam? Essas pessoas já estão condenadas à execração pública, elas e suas famílias”, bradou o senador da tribuna.

Discussão

18 comentários sobre “O golpe do golpe

  1. Não seria um discurso coprporativo combinado com o Renan e o Humberto Costa para iniciar um movimento para aprovar o projeto desfigurado de abuso de autoridade? Ontem o Renan passou batido, mas hoje tentará de novo. Neste movimento, o fiel da balança será o PSDB. Vamos ver como o partido se comportará…

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    Publicado por Jose Silva | 14 de dezembro de 2016, 11:15
  2. Com as redes sociais revelando que foi roubado até o tapete que escondia as sujeiras e crimes da corrupta, há muito que o que se assiste deixou de ser golpe para ser crime de lesa-pátria, quiçá lesa-humanidade.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 14 de dezembro de 2016, 11:18
  3. É muita Cara de Pau desse senhor senador…..que sem vergonhice…..

    e ainda “….seus colegas, que o ouviram em silêncio e com atenção….”

    Lúcio,

    Vc pode retrucar da forma mais coerente possível, que lhe é própria,….mas isso é um verdadeiro beija-mão.

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    Publicado por Sou daqui. | 14 de dezembro de 2016, 11:31
  4. “Votar é empregar político para roubar o povo”.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 14 de dezembro de 2016, 11:56
  5. Mais uma vez vc defendendo o PSDB. Eles que tiveram coragem de tirar uma presidente eleita. Não teriam coragem em tirar um presidente que ninguem defende. Esse discurso de se proteger da lava jato é furado. O PSDB é blindado até na alma. Ou aquela foto foi apenas infeliz.

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    Publicado por Junior. | 14 de dezembro de 2016, 13:29
  6. Defendendo quem carapalida? Já ouviu falar em linguagem referencial? Lúcio pelamor publica aí alguma coisa do psdb para aquietar o bolivariano. Dá a chupeta!

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    Publicado por Paul Nan Bond | 14 de dezembro de 2016, 14:12
  7. Lúcio,

    A xaropada política tá muito grande…

    Vamos falar de catação de manga nas ruas de Belém nesse início do nosso inverno, derrubadas pelas ventanias que precedem as chuvas….

    Daí pode até emendar falando da nulidade do zenada pelos alagamentos que já começam a transtornar toda a cidade….

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    Publicado por Sou daqui. | 14 de dezembro de 2016, 15:04
  8. “Eleição é concurso para ladrão”.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 14 de dezembro de 2016, 15:19
  9. Por conchavo ( com o PMDB do Temer/Renan ) ou por golpe ( dentro do golpe ) , o certo é que ” o retorno” do PSDB ao poder e ao controle da União/federação vai enterrar de uma vez por todas o sonho dos paraenses de conquistarem justiça contra o brutal estupro fiscal/financeiro sofrido pelo Pará que foi a aprovação/imposição da Lei Kandir . Um assalto abominável que nos colocou na mais humilhante condição que um ente federado pode sofrer perante a União . Tudo sob a liderança do PSDB e tendo na presidência o paulistano Fernando Henrique Cardoso que, como todo paulistano e sulista , vai defender os interesses de SP e do sul-sudeste .Ou algo paraense, amapaense, amazonense , acreano tem dúvidas disso ?
    Os políticos profissionais paraenses que estão no parlamento desde então, se não me engano 1997 , ou seja, desde de a aprovação da Lei Kandir , o que fizeram ? Esses que tem mandatos infinitos, que sempre se renovam na cadeira , que vivem no Congresso e do Congresso ? E a tal ” bancada paraense ” ? E os governadores ? E as bancadas das Assembleias legislativas ?
    Por que o PSDB do Pará esperou todo este tempo para entrar com uma ação no Supremo pedindo que o Congresso aprove uma Lei de compensação ? Qual a explicação para sono tão longo ? E por que aceitou um prazo tão longo de um ano para cobrar trabalho do Congresso para corrigir uma injustiça ? Então está bom um ano ? Os paraenses que estão lesados e sofridos com este estupro , suportam ainda tanto tempo .
    Gostaria que os senadores e os deputados se pronunciasse sobre isso e não sobre especulações de golpes-contragolpes .

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    Publicado por Marly Silva | 14 de dezembro de 2016, 16:09
  10. Criticar a ideologia elitista direitista se tornou xaropada neste blog. Isto não combina com um espaço democrático criado por LFP, referência mundial em jornalismo imparcial.

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    Publicado por Fabiano | 14 de dezembro de 2016, 16:42
  11. Eita pau……

    Afora toda inoperância e babaquice mesmo de toda nossa bancada de parlamentares paraenses, mas a conversa toda rola como se nos últimos 13 anos a chave do cofre federal não estivesse nas mãos de quem sabemos.

    Por onde andaram os nossos Paulos Rochas, nossas Anas Júlias, nossos Zé Geraldos, e outros menos cotados…. tão amigos e amigas do Demiurgo ??

    Isso não anula a palermice dos Zenaldos, Wlads, Nilsons Pintos, e o resto……

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    Publicado por Sou daqui. | 14 de dezembro de 2016, 18:50
  12. Lucio, independente do que o Jader falou, que nem vale a pena ler, o golpe sobre o golpe esta em curso. Temer irá cair e quem governará é o PSDB, Assumir postos ainda no desgoverno Temer faz parte da estratégia. O 6 x 3 do judiciário no caso Renan é a senha para compreender que a maioria do judiciário consentiu o golpe em Dilma e que o STF é parte do golpe que se abaterá sobre o Temer e o PMDB. Com um novo presidente eleito de forma indireta em 2017 e o PSDB dando as cartas, o golpe estará consumado.
    A incognita é o Lula. Como o Moro não consegue arrumar um crime para ele, me parece que agora a estratégia é torná-lo réu em vários processos, todos repletos de inconsistências e mais uma vez usar o caso Renan que irá basear uma nova interpretação da lei (que constituição que nada): NÃO PODE UM RÉU EM MAIS DE UM PROCESSO ESTAR NA LINHA DE SUCESSÃO
    Veja a situação de Lula: zelotes: a delação da odebrecht comprova que quem vendia leis é o congresso e em um negocio de bilhões o crime apontado é uma prestação de serviço do filho do Lula (fictícia claro, segundo a lavajato) no valor de um milhão e 300 mil. Tripex: já são 24 depoentes que o inocentam. Sítio: não há sequer um documento que o envolva com o imóvel e a PF já reconheceu que não há como criminaliza-lo. Obstrução de justiça: esse até parece brincadeira. Se baseia na conversa Lula Dilma sobre a nomeação de Lula como ministro. Depois da conversa Renan-Machado-Jucá- Sarney., claramente conspirando para derrubar o governo e parar a lavajato, epsódio que sequer motivou um simples chamado para depor, A conversa de Lula e Dilma parece diálogo de coroinhas na sacristia.
    Lula será réu até 2018, depois o inocentam, Já não haverá risco dele se tornar presidente eleito pelo povo. Se nada der certo e Lula estiver apto para concorrer, esqueça eleição em 2018, haverá um subterfúgio que nos mergulhará ainda mais no regime de exceção, que já estamos vivendo, mais ainda imperceptível para a maioria da população.

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    Publicado por Paulo Cidmil | 15 de dezembro de 2016, 01:21
  13. Infelizmente, as regras legais dão guarida aos bandidos políticos profissionais que as estabeleceram, como se vê revelada em cada passo dado nesse conflito de interesses elitistas.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 15 de dezembro de 2016, 09:30

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