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Energia, Grandes Projetos, Hidrelétricas

Jirau: presente!

A Amazônia tem agora, oficialmente, a terceira maior hidrelétrica do Brasil: ontem, foi inaugurada Jirau, no rio Madeira a 120 quilômetros de Porto Velho, em Rondônia. Ela só é menor que Itaipu, no Paraná (mas que é binacional, com o Paraguai), e Tucuruí, no Pará, a segunda maior. Em breve, o Pará terá também a maior hidrelétrica inteiramente nacional, a de Belo Monte.

Com 50 turbinas, Jirau pode gerar 3.750 megawatts, ou 3,7% de toda energia brasileira, que seus construtores dizem ser suficiente para atender 40 milhões de pessoas. A usina, que começou a ser construída em 2009, ao custo de 19 bilhões de reais, passou a gerar energia em 2013. A 50ª e última unidade geradora começou a operar no dia 23 de novembro deste ano, consolidando a implantação do projeto, com 20 meses de atraso em relação ao cronograma original.

O presidente do conselho da Energia Sustentável do Brasil, Maurício Bähr, disse na inauguração que o principal motivo foram “os atos de vandalismo que nós tivemos aqui no canteiro de obras, em 2011, 2012, que acabaram gerando um desalojamento de funcionários. Os alojamentos foram incendiados e, com isso, perdemos 10 mil trabalhadores naquela época, Isso gerou um atraso por força maior, que acabamos compensando depois nos últimos dois anos e hoje já estamos gerando em plena capacidade”.

No pique da construção, o canteiro de obras teve quase 26 mil trabalhadores e chegou a gerar aproximadamente 60 mil empregos diretos e indiretos. Nessa época aconteceram manifestações de trabalhadores por benefícios como melhores condições de trabalhos e reajuste salarial.

Em março de 2011, a concessionária da obra foi surpreendida com um motim entre os trabalhadores em protesto contra as condições de trabalho e segurança. Quase 50 ônibus que faziam o transporte dos funcionários e 35 alojamentos foram queimados ou destruídos. Outras 30 instalações da usina foram danificadas. O inquérito instaurado pela polícia civil concluiu que houve ação de vândalos no canteiro.

As obras foram suspensas novamente em abril de 2012, depois que um grupo incendiou 39 dos 53 alojamentos em uma área. Na época, 120 homens da Força Nacional foram deslocados para Rondônia com a missão de combater a rebelião.

Em agosto desse ano, o Ministério Público Federal de Rondônia requereu, na justiça federal, o cancelamento da licença de operação de Jirau. O pedido foi negado.

Agora Rondônia, com Jirau e também a hidrelétrica de Santo Antônio, também no rio Madeira e com potência apenas um pouco inferior, abastece de energia o Acre e as regiões Sul e Sudeste. A energia vai para o restante do Brasil através da maior linha de transmissão do país, com 2,3 mil quilômetros de extensão, entre Porto Velho e Araraquara, em São Paulo.

A hidrelétrica funciona a fio d’água, o que só é possível (ao contrário das outras grandes usinas) por utilizar turbinas do tipo bulbo, que são unidades geradoras montadas na posição horizontal. Elas operam com baixas quedas de água, dispensando a formação de extensos reservatórios, necessários em usinas com turbinas que funcionam na posição vertical, dependendo de uma alta queda das águas para a movimentação das suas pesadas turbinas.

Inicialmente, o projeto previa a instalação de 44 turbinas bulbo, com potência de 3.300 megawats. Como o governo autorizou o acréscimo de mais seis máquinas, a capacidade instalada passou a ser de 3.750 megawatts, o máximo de geração durante o período chuvoso na região, quando o volume das águas do Madeira cresce. Nos períodos de menor vazão, a geração energia cai para 2.205,1 MW, que é a garantia física da usina.

Da solenidade inauguração de ontem participaram os embaixadores da Bélgica e França, que têm empresas integrantes da concessionária de energia e do financiamento da obra. Na ocasião, o ministro das Minas e Energia, Fernando Filho, anunciou o início dos estudos de uma hidrelétrica binacional, que deverá ser construída na fronteira do Brasil com a Bolívia.

Mal um capítulo conturbado é concluído, outro começa na história da transformação da Amazônia em província energética do Brasil – e do mundo.

Discussão

10 comentários sobre “Jirau: presente!

  1. O litigio entre os atingidos pelas barragens e o Consórcio Construtor ainda permanece na mesa de discussões do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

    Considerando o arroxo financeiro, e a imprevisibilidade de novos subsídios do BNDES para grandes projetos, ao menos até a definição das próximas eleições a Usina Binacional permaneça apenas no EIA/RIMA.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 17 de dezembro de 2016, 21:42
  2. Mais uma vez conseguirão esconder os desastres ambientais e sociais de tais obras debaixo do tapete. A história complicada dessa obra indica muito bem o que foi deixado escondido. O mais interessante é que com toda a energia produzida, a região continua ainda como fornecedora de produtos primários de baixo valor internacional. Falta liderança.

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    Publicado por Jose Silva | 18 de dezembro de 2016, 09:29
  3. A matriz energética no Brasil precisa ser revista e discutida com a sociedade . Povos indígenas , populações ribeirinhas e extrativistas , pescadores , tem de ser ouvidos prioritariamente .Porque são eles as maiores vitimas , os que mais sofrem com a estupidez governos e dos tecnocratas .
    Não aceito e repudio o modelo imposto à Amazônia, ainda mais por um governo ilegitimo , golpista. Isso é demais !
    Não aceito o continuísmo do barramento dos rios , e a Amazônia submetida a condição de colônia energética . Chega de barragens !
    O ministro devia , isto sim, se empenhar ( enquanto não cai) para tocar as as obras abandonadas do São Francisco e leva água aos que morem de sede no nordeste .
    Quero saber qual é a posição dos parlamentares amazônidas à respeito dessa ultima-velha novidade .
    O que pensam a rede solidariedade , o Psol , os psd e os psdb etc….

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    Publicado por Marly Silva | 18 de dezembro de 2016, 11:10
    • Tens que lembrar que todas as hidroelétricas recentes foram construídas pelo governo do PT, aquele partido de esquerda que dizia ter uma atenção especial pelos índios, quilombolas e populações tradicionais. O PT trocou tudo por uma graninha a mais para as campanhas.

      Se a Dilminha estivesse no poder, certamente a hidroelétrica do Tapajos já estaria aprovada a despeito dos protestos dos Mundurucus.

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      Publicado por José Silva | 18 de dezembro de 2016, 22:45
  4. Você precisa parar com a sua tática de repetição discursiva , uma chatice que expressa a arrogante pretensão de achar que só você tem memória , que só você pensa e só você tem senso critico ; que todos os demais – em especial o povo e os simpatizantes e militantes do partido dos trabalhadores – que frequentam este blog são idiotas , e você o único inteligente e sábio . Isso chama-se preconceito e intolerância .
    Uma boa leitura ajuda a resolver este problema : ” Como conversar com um fascista ” da professora e filósofa , Marcia Tiburi .

    Curtido por 1 pessoa

    Publicado por Marly Silva | 20 de dezembro de 2016, 08:18
    • a verdade dói, né? Como não há contra-argumento, é muito mais simples chamar o outro de fascista. Velha tática por todos aqueles que têm uma visão unidimensional do mundo. Não recomendo nenhuma leitura para você, porque simplesmente não fará diferença alguma.

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      Publicado por José Silva | 20 de dezembro de 2016, 09:18
    • Lembre-se, Marly, da famosa frase de Lula quando o problema ecológico lhe foi apresentado: pediu para não jogarem um bagre no colo dele. Para o então presidente da república, os lunáticos estavam preocupados com os bagres do rio Madeira quando o que interessava era gerar energia, mais energia, toda energia, para o Brasil que está do outro lado, na ponta da linha de transmissão de 2,3 mil quilômetros, a maior do mundo, até Araraquara, em São Paulo, que concentra um terço do PIB brasileiro.
      Moral da história: a blague de Lula contra o bagre dos movimentos ambientalistas e sociais.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 20 de dezembro de 2016, 09:37
  5. Meu caro Lúcio ,

    Você não precisa me lembrar de nada , não copiei os Josés , por favor .Não faça isso com seus leitores (as) .É muito chato .

    Tenho uma memória muito boa , registrada na alma , para tudo o quê as tecnocracias de todos os matizes politico-partidários fizeram de equivocado e desastroso na Amazônia e contra a Amazônia , e se você consultar os meus comentários no seu Blog a respeito de hidrelétricas , barragens e indígenas na região , se recordará do que eu penso . E o que eu penso hoje, não difere no essencial a nada do que em pensava há mais de 30 anos .
    Talvez você não se lembre , mas fui uma das organizadoras do Seminário Nacional de Hidrelétricas na Amazônia , realizado no Centur em 1988 , quando nos debatíamos contra a Hidrelétrica de Tucuruí , onde se deliberou sobre princípios e diretrizes de politica energética pára a região , com especialistas .
    Talvez você também não se lembre que fui umas das lideranças do Movimento em Defesa da Vida-MDV , que discutiu exaustivamente , com diferentes seguimentos da sociedade as consequências dessa politica e , particularmente nos mobilizávamos junto com outras instituições de apoio ( como a CPT ) em solidariedade à luta dos ribeirinhos do Baixo Tocantins expropriados das suas terras pela construção da barragem .

    Um feliz natal , se é que isso é possível depois de Allepo e seus desdobramentos trágicos .

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    Publicado por Marly Silva | 20 de dezembro de 2016, 23:39
  6. Obrigada . E vamos lutando por um mundo sem mais Aleppo ! sem todas as barbaridades que as guerras capitalistas-armamentistas produzem contra civis . Tudo dói muito , profundamente . Somos uma geração que vive doses homeopáticas e ondas cíclicas de grandes e pequenos ataques ao coração da humanidade . O ocidente se apegou demasiadamente à Liberdade e negligenciou a Fraternidade e a Igualdade .
    Por que nos debatemos e perdemos tempo com coisas tão miúdas , mesquinhas ?

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    Publicado por Marly Silva | 21 de dezembro de 2016, 11:31

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