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Economia

Yamada encolhe

De campeão do varejo no Pará e na Amazônia, dos maiores do país, o grupo Y. Yamada caiu para o segundo lugar estadual no início da sua crise atual. A partir de hoje, descerá mais postos. É que três das suas mais importantes lojas, duas em Belém e a de Castanhal, passam para o grupo Mateus, do Maranhão.

Segundo uma fonte da empresa, a transferência será através de aluguel e não de venda. Das 14 lojas restantes, apenas uma – a da avenida Presidente Vargas – será vendida. As demais seriam mantidas, dependendo da capitalização do grupo. A intenção seria de vender três dos seus principais ativos: o campo de futebol do Santa Rosa, em Belém, o antigo estádio municipal de Santarém e um grande terreno em Bragança.

Com esse capital, a direção da Yamada tentaria reabastecer as lojas, que estão com seus estoques acabando, e tentar convencer os fornecedores a contribuir para uma mudança de rumos da rede. É intenção do presidente do grupo, Fernando Yamada, passar para o que se denominou “atacarejo”.

À semelhança do Makro e do Assaí, do grupo Pão de Açúcar, que começam a penetrar profundamente num setor que estava cartelizado por empresários locais e os vai deslocando do mercado, a Yamada combinaria varejo e atacado. O problema é que outros acionistas, dentre os quais o mais destacado é Hiroshi, o tio de Fernando, se recusam a autorizar a venda.

A cisão familiar é profunda e, talvez, irremediável. Seria em virtude o momento crítico da empresa familiar que não se profissionalizou. O ingresso de mais integrantes do clã na administração e na partilha da renda gera atritos e rompimentos. Mas também se deve à liderança que Fernando assumiu pela morte do líder do grupo, o pai, Junichiro, há três anos.

Os demais se ressentem da função secundária que lhes restou e da exclusividade (além da notoriedade, em função dos cargos extra-empresa que sempre exerceu e da busca de papel político) de Fernando na área financeira, que controla o célebre cartão Yamada, que chegou a declarar possuir dois milhões de clientes.

A grave crise da Yamada pode servir de alerta aos concorrentes locais, que, até recentemente, mantiveram à distância os competidores nacionais. Se não se ajustarem aos novos tempos e se profissionalizarem, poderão seguir o mesmo caminho. Ou pior.

Discussão

7 comentários sobre “Yamada encolhe

  1. Acho que a Y.Yamada teria um bom poder de fogo e negociação se as brigas familiares fossem esquecidas. Entretanto, esta parece ser a parte da equação mais dificil de ser resolvida. Talvez se a familia se reunisse novamente com uma agenda mínima de governança, as coisas poderiam fluir melhor. Claramente, a gestão profissional seria uma condiç!ão sine qua non para a recuperação. Deveriam fazer isso nem tanto pelos seus interesses individuais imediatos, mas sim pelo legado dos seus ancestrais e pelo respeito com as suas centenas de associados.

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    Publicado por Jose Silva | 20 de dezembro de 2016, 12:55
  2. Ontem, fui até o atacado Assaí e presencie caminhões da yamada sendo carregados com mercadorias para serem entregues nos supermercados da yamada que estão em funcionamento.
    Confesso que foi muito melancólico presenciar essa cena.

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    Publicado por Leno | 30 de dezembro de 2016, 08:08
  3. Essa briga do Fernando com o Hiroshi, sobrou para nós ex funcionários. Até hoje não recebemos nossas indenizações (saímos dia 28/11/2016), estamos esperando o juiz do TRT liberar o fgts para podermos sacar. Fico muito triste com isso que está acontecendo ao Grupo Yamada, grupo esse ao que dediquei 27 anos de minha vida.

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    Publicado por Eliane Oliveira | 9 de janeiro de 2017, 10:01

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