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Energia, Grandes Projetos, Hidrelétricas, Política

Belo Monte: o maior rombo

Perícia em apenas 53% dos contratos da usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, revela desvio de 3,3 bilhões de reais de dinheiro público (10% do valor atualizado da hidrelétrica, a quarta maior do mundo), em volume equivalente à metade das perdas da Petrobras com corrupção, revela José Casado, em matéria publicada por O Globo.

A primeira análise dos gastos com construção, realizada por auditores por encomenda do Ministério Público, “revelou sobrepreço de R$ 3,3 bilhões. É o produto da soma de R$ 2,9 bilhões na cobrança de preços acima do mercado e de R$ 400 milhões em despesas sem fundamento, inconsistentes ou simplesmente injustificadas”, registra a reportagem.

Os valores foram apurados durante o exame de apenas 53% dos contratos de obras civis, nos quais foram gastos R$ 7,7 bilhões. Os auditores não conseguiram ir além porque aEletrobrás (dono de 49,9% do empreendimento) e a Norte Energia (concessionária que funciona com 95% de capital público), “impuseram toda espécie de dificuldades” à fiscalização — da entrega de arquivos eletrônicos bloqueados à sonegação de informações, segundo o Tribunal de Contas da União.

Ainda assim, somente com essa primeira perícia, já foi apurado a um volume de desvios de dinheiro equivalente à metade dos prejuízos com corrupção declaradas pela Petrobras no balanço contábil de 2014, divulgado em abril do ano passado, no valor de R$ 6,2 bilhões

O caso da hidrelétrica de Belo Monte sugere a probabilidade de o setor elétrico estatal “vir a superar os limites já conhecidos da criatividade em trapaças com dinheiro público, sob cegueira deliberada — ou consentida — de líderes políticos, beneficiários diretos ou indiretos nas planilhas empresariais de financiamento eleitoral”, acrescenta Casado.

Depoimentos de executivos das empreiteiras que integram o consórcio construtor (Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia e OAS) indicam que em Belo Monte foi aplicada cobrança de propina numa base percentual de 1% a 1,5% sobre contratos de obras e de equipamentos. Metade foi coletada para o Partido dos Trabalhadores e outra metade recolhida para o PMDB.

Essa partilha de subornos foi negociada por Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa Civil de Dilma, segundo executivos responsáveis pelos pagamentos das empreiteiras. O objetivo era financiar campanhas eleitorais de 2010 e de 2014. A matéria não faz referência a Jader Barbalho, apontado em outras reportagens como beneficiário do esquema.

Discussão

11 comentários sobre “Belo Monte: o maior rombo

  1. Materializa-se os detalhes da corrupção amplamente debatida e veiculada em seu blog, Lúcio.

    A vantagem destas revelações é que contempla respostas à suas perguntas, sobre a justificativa da construção desta mega obra: servir de “propinohidroduto”.

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    Publicado por Thirson Rodrigues de Medina | 21 de dezembro de 2016, 11:09
  2. Onde estavam os órgãos de fiscalização enquanto a obra estava em andamento? Por que só agora encontram tantas aberrações , mesmo sob boicote de informações? Onde estavam as auditorias externas multinacionais contratadas a peso de ouro na Petrobrás, que avalizavam as contas inchadas por tantos desvios?
    Pouco ou nada se fala disso!!

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    Publicado por Osório Jr | 21 de dezembro de 2016, 14:09
  3. Lúcio,

    Já desconfiávamos que essas obras todas eram ligadas de alguma forma com o propinoduto que mantinha a coligação PT-PMDB no poder. Agora finalmente a trama está sendo revelada.

    O mais interessante dessa história toda é que teve muita gente que combateu muito Tucurui, construida pelos militares com tanta corrupção como as atuais, mas que não teve a mesma posição combativa e proativa em relação as hidroelétricas construídas pelo PT-PMDB. Como explicar isso?

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    Publicado por Jose Silva | 21 de dezembro de 2016, 15:28
  4. Só bons-moços, filhos da tradicional família brasileira e seus bons costumes.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 21 de dezembro de 2016, 15:46
  5. Um museu de grandes novidades….

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    Publicado por Sou daqui. | 21 de dezembro de 2016, 16:38

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  1. Pingback: Belo Monte: o maior rombo | LIVRE IMPRENSA - 23 de dezembro de 2016

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