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Cultura

Brasileiro: mais conservador?

A cada ano, está se tornando mais conservador. É o que diz pesquisa realizada pelo Ibope a partir de um índice que o instituto medir o estado do conservadorismo no Brasil. As informações foram divulgadas com exclusividade por José Roberto de Toledo, em O Estado de S. Paulo. Elas revelam que o  medo é a principal razão do aumento do conservadorismo no século 21, tano no Brasil como no mundo.

Um resumo dos dados

O índice de medição do conservadorismo criado pelo Ibope vai de zero a 10. Quanto maior o índice, mais conservador é o cidadão.

Na média, o brasileiro marcou 0,686, numero que tem crescido nos últimos seis anos. Hoje, 54% dos brasileiros estão num índice igual ou acima de 0,7.Em 2010 eram 49%. Outros 41% têm entre 0,4 e 0,6, o chamado conservadorismo médio. Somente 5% estiveram no baixo conservadorismo.

A pesquisa avalia as opiniões dos brasileiros sobre temas polêmicos que costumam dividir os liberais dos conservadores – legalização do aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, pena de morte, prisão perpétua e redução da maioridade penal.

Três questões ajudaram muito no crescimento do conservadorismo. O apoio à pena de morte pulou de 31% para 49% nos últimos seis anos. As pessoas que são a favor da redução da maioridade penal cresceram de 63% para 78%. E a defesa da prisão perpétua para crimes hediondos aumentou de 66% para 78% desde 2010.

Não houve um crescimento nas questões comportamentais. Os mesmos 78% de 2010 continuam a se declarar contrários à legalização do aborto, mas a taxa dos favoráveis cresceu de 10% para 17%. Os “nem contra nem a favor” caíram de 10% para 4%. Aumentou significativamente a aceitação do casamento entre pessoas do mesmo sexo: de 25% para 42%. E agora há um empate técnico entre os que aceitam e os que são contrários: estes caíram de 54% para 44%.

Os segmentos da população brasileira mais conservadores são os evangélicos (0,717 e continuam crescendo), os homens (0,706, também em alta) e os menos escolarizados (0,701).

Na outra ponta estão os que não são católicos nem evangélicos (0,649) e quem fez faculdade: 0,650. Este é um dos raros estratos onde o conservadorismo diminuiu.

Discussão

17 comentários sobre “Brasileiro: mais conservador?

  1. Caro Lúcio, quando se fala em aborto ( interrupção da gravidez até 5º mes) é preciso que se saiba que próximo de 20% de todas as gravidezes são interrompidas naturalmente (pela natureza) e isto é universal. Sem falar nos óvulos fertilizados que se perdem antes da implantação no endométrio.Muitos que se dizem contrários ao aborto já o patrocinaram!!!! E o paradoxo: onde o aborto é permitido legalmente é onde menos ele ocorre. É claro que existe aí fatores sócio econômicos, culturais , acesso fácil a meios para prevenir a gravidez não desejada, escolaridade, etc. Aborto clandestino é a 4ª causa de morte de mulheres na idade fértil no Brasil. Nenhuma mulher tem satisfação quanto ao aborto.

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    Publicado por Helio Franco de Macedo Jr | 23 de dezembro de 2016, 09:30
    • Oi Helio, muito esclarecido e esclarecedor o seu comentário. Obrigada.
      O aborto é prática comum no nosso país, para as mulheres ricas ele é possível de forma excelente (no que diz respeito à técnica, à higiene e sensibilidade do médico/médica) por mais ou menos quatro mil e quinhentos reais hoje. Para as mulheres pobres restam os famosos açougueiros. Legalizar o aborto significa apenas garantir a vida e sobrevida dessas mulheres, a discussão moral sobre isso é outra história, precisa ser feita cotidianamente nas escolas, nos espaços de vivência cultural, no seio da própria instituição familiar; é preciso, portanto, separar a moral da política. Ademais, é sempre bom lembrar que a legalização do aborto não obrigada as mulheres a abortar, quem é contra pode continuar sendo contra, quem precisa fazer o procedimento terá direito a ele gratuitamente. Você está certíssimo, nenhuma mulher tem satisfação quanto ao aborto, a questão nem mesmo se faz nessas aldeias subjetivas, a questão é social.

      Abraços,

      Paloma

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      Publicado por Paloma Franca Amorim | 23 de dezembro de 2016, 11:49
    • Diz uma amiga, especialista no assunto, que conhece a mulher que já abortou quando ela chega à sua clínica. É um instinto que a experiência desenvolve. Fica uma marca, mesmo que inconsciente, mesmo que seja superada e mesmo que tenha sido necessário praticar o aborto, mesmo o natural. É um dos problemas mais sérios para a mulher, que precisa de apoio, compreensão e ajuda.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 23 de dezembro de 2016, 12:01
      • Com certeza, imagino que deva ser uma marca profunda e indelével. Essas mulheres precisam de suporte e acolhimento, independentemente do que as levou a fazer essa escolha. Esse apoio deve ser legalizado e viabilizado pelo poder público.

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        Publicado por Paloma Franca Amorim | 23 de dezembro de 2016, 14:44
  2. Enquanto persistir a ideia do macho divino que pariu o mundo, retroalimentado pela fantasia de outro macho que morreu, mas ressuscitou, reforçando a mentalidade de que o macho é imortal – e portanto -, o centro de tudo, haverá o conservadorismo. Como, aliás, é a prática neste país.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 23 de dezembro de 2016, 09:43
  3. Brasileiro é mesmo conservador, basta ver que a gente conserva os mesmos políticos por tanto tempo, conserva os múltiplos benefícios para poucos, conserva a mesma mentalidade de fronteira que domina o nosso desenvolvimento econômico e conserva o nosso messianismo latente, pois estamos sempre atras de um salvador da pátria para redimir os nossos pecados.

    Em relação à pesquisa, creio que o resultado é uma uma resposta da sociedade a escalada da violência no Brasil nas últimas décadas. Como os governos não reagem e a sociedade se sente desprotegida, a tendência normal da população é se identificar com soluções curtas e radicais para o problema, tal como pena de morte, etc. Adoramos soluções de curto prazo, pois queremos tudo ao mesmo tempo o mais rápido possível. Faz parte do nosso DNA.

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    Publicado por José Silva | 23 de dezembro de 2016, 09:45
    • Por isso que não se deve subestimar o Bolsonaro.

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      Publicado por Jonathan | 23 de dezembro de 2016, 17:40
      • Ainda acredito que ele não é viável. Lembra do Caiado? Veio com o mesmo discurso e não vingou. Nos últimos anos tivemos vários extremistas candidatos, mas ninguém vingou. Brasileiro é conservador de centro, o que faz sentido, kkkkkk. Falta criar um partido igual só dos argentinos (União Cívica Radical): radical de centro.

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        Publicado por José Silva | 23 de dezembro de 2016, 19:19
      • Deus lhe ouça.

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        Publicado por Jonathan | 23 de dezembro de 2016, 22:14
  4. Belo exemplo da mentalidade religiosa a serviço da tradicional família brasileira e seus bons costumes….que se assiste.

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    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 23 de dezembro de 2016, 18:54
  5. Em 1996 instalamos na Santa Casa, e funciona até hoje, o serviço do aborto legal ( o previsto em lei no código penal). Aquele decorrente de risco de vida para a mãe ou no caso da gestação decorrente de estupro.. Houve muita resistência e criticas. Lembro de um famoso monsenhor, ainda vivo que escreveu um artigo no jornal “O Liberal” e cujo título era: Santa Casa não tão santa! Muitos diziam que iria haver um grande número de mulheres dizendo estupradas. Para desconforto destes não houve nada disso. Até porque o arsenal diagnostico dos dias d hoje dá pra verificar nexo causal entre a informação dada e o encontrado. Sem falar na competência da equipe formada pela Dra Neila Dahas Rocha. Não foi fácil formar a equipe!!!. Vários procedimentos seguros te.m sido feitos cumprindo um rigoroso protocolo. Muitos casos de gravidezes em crianças e adolescentes com deficiências e mesmo em adultas com sofrimento mental. É referência para todo o estado, até porque houve e há muita pressão religiosa nos municipios do interior

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    Publicado por Helio Franco de Macedo Jr | 24 de dezembro de 2016, 07:46
    • A Santa Casa é o melhor local de Belém para selecionar bons médicos. Os que não são bons dificilmente resistem aos desafios e dificuldades que o exercício profissional consciencioso requer no local, diante da enorme e diversificada demanda humana. Alguns dos melhores médicos do Pará passaram por lá – e não foi por uma chuva. O Hélio Franco é prova inconteste do que afirmo. Além de bons profissionais e pessoas admiráveis, geralmente esses médicos são discretos. Uma homenagem que lhes faço porque eles merecem.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 24 de dezembro de 2016, 10:14
      • Isso é verdade. Para selecionar bons profissionais, é melhor ir nos lugares onde os desafios diários são maiores. São nesses desafios que se forja a honestidade e a competência. Parabéns Helio,

        Lembro-me que em uma universidade eu tive que brigar com o reitor porque ele queria que todos os alunos de licenciatura fossem para o colégio de aplicação da universidade, cuja clientela era somente alunos de classe social alta. Eu disse que eu queria meus alunos nas escolas públicas, quanto mais pobres melhor, para eles entenderem de verdade o desafio de ser educador. Eu ganhei, mas deu um trabalho desgracado.

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        Publicado por José Silva | 24 de dezembro de 2016, 12:34
      • Quanto a isso nenhuma dúvida.

        Tenho a maior admiração pelos profissionais que “militaram / militam” na Santa Casa, essa sim verdadeira escola para a área de saúde.

        ” ….Além de bons profissionais e pessoas admiráveis, geralmente esses médicos são discretos. Uma homenagem que lhes faço porque eles merecem…”

        Chancelo suas palavras Lúcio. E sendo assim tomo a liberdade de citar outro nome:

        Dr. Manoel Coimbra.

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        Publicado por Sou daqui. | 24 de dezembro de 2016, 15:23
      • Quem quiser, poderá fazer também sua homenagem. Os bons médicos precisam ser destacados sem precisar fazer relações públicas nem pagar por títulos ou medalhas no mercado das ofertas.

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        Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 24 de dezembro de 2016, 16:41
      • Lucio,

        Voce tocou em uma coisa importante: a indústria de prêmios que gera milhares de reais para os seus donos. O que faz com que tantos profissionais paguem por prêmios que pouco valem? Pura vaidade ou interesses comerciais?

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        Publicado por José Silva | 25 de dezembro de 2016, 09:04

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