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Justiça, Política

A história na chapa quente (25)

Solução tucana

no tribunal

(Artigo publicado no Jornal Pessoal 246, de novembro de 2000)

Para escolher o advogado Geraldo Lima como novo desembargador, o último no colégio de 30 integrantes do Tribunal de Justiça do Estado, o governador Almir Gabriel teve que resistir a dois grupos de pressão. O mais forte era o do próprio tribunal: os desembargadores queriam que seu novo par fosse Edmundo Oliveira, que ficou no terceiro lugar na votação feita pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil/Seção Pará) para a composição da lista sêxtupla e passou para a cabeça da lista tríplice remetida pelo TJE ao governador. A outra pressão era da Igreja, ou especificamente do arcebispo de Belém, d. Vicente Zico, que trabalhou em favor de João Maroja, o terceiro da lista submetida a Almir Gabriel.

O governador preferiu Geraldo Lima não exatamente por um critério salomônico, escolhendo quem estava entre os dois – digamos assim – favoritos. O TJE colocou Geraldo em sua lista para poder excluir o candidato que tinha a preferência pessoal do governador, Haroldo Guilherme Pinheiro da Silva. Geraldo passou a ter boa cotação quando deixou o PT, rompido com o prefeito Edmilson Rodrigues, de cuja administração foi o primeiro secretário de finanças, e assumiu o comando jurídico da campanha de Zenaldo Coutinho, o derrotado candidato tucano à prefeitura de Belém, servindo aos interesses políticos do governador. Mas os desembargadores não pareciam acreditar que o governador levaria a gratidão a ponto de optar pelo ex-petista.

Almir parece ter agido exatamente assim para mandar sua mensagem de desagrado aos desembargadores, repetindo o que Jader Barbalho fez em 1992, quando respondeu ao tribunal escolhendo uma zebra,  que havia entrado na lista tríplice para permitir o expurgo do favorito, no caso, o ex-consultor geral do Estado, João Roberto Cavaleiro de Macedo.

Almir já havia mandado recados contra a indicação de Edmundo, um contraparente de Jader Barbalho (ao menos enquanto ele foi casado com Elcione Barbalho). Seus maiores serviços foram prestados a partir de Miami, onde exercia uma assessoria do Ministério Público estadual, promovendo cursos e visitas para integrantes do MP e da magistratura nos Estados Unidos (e que pretendia usar o desembargo para alcançar a corte internacional de Haia).

Assim, Geraldo Lima foi um autêntico azarão. Assumindo o alto posto que conquistou, cabe-lhe agora reafirmar sua independência, decidindo conforme a letra da lei e o seu contexto, mas não suas circunstâncias e condicionantes.

  • Geraldo Lima já faleceu.

Discussão

3 comentários sobre “A história na chapa quente (25)

  1. Interessante que a posição é tão disputada que até a igreja interfere. Qual a razão?

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    Publicado por José Silva | 26 de dezembro de 2016, 22:13
  2. E ainda há quem creia que pinto novo regala-se no lixo mais que galo velho.

    Curtir

    Publicado por Luiz Mário de Melo e Silva | 27 de dezembro de 2016, 18:16

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