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Cultura

Tragicomédias à Hollywood

Eu ainda usava calças curtas quando me tornei fã das duas louras de exportação dos Estados Unidos através de Hollywood: Doris Day e Debbie Reynolds.A indústria do cinema vendia as duas atrizes como puras, simples e assexuadas. Era a imagem de que precisávamos numa época em que o cinema era “a maior diversão”, conforme os anúncios da propaganda massiva.

Continuei a acompanhar Doris Day na vida adulta. Ela era uma atriz correta e uma cantora de primeira. Mas o enredo hollywoodiano não cabia na vida dela. Acabou sozinha, melancólica, mas, aparentemente, para quem tinha notícias distantes, em paz. Foi assim que morreu.

A vitrine de Debbie Reynolds se quebrou quando seu marido, o parceiro do cinematográfico par perfeito, a trocou por Elizabeth Taylor. Já foi numa época em que se tornou impossível negligenciar as “destruidoras de lares”, como Ela Soares para Garrincha e Guiomar para Didi, no universo futebolístico.

Fisher não tinha punch para Elizabeth. Tentou imitar o marido anterior dela, que colecionou pares, o fortudo Mike Todd. Colocou-a no colo e começou a subir uma íngreme e extensa escada. Ficou pelo meio do caminho. Ficou mesmo. Em seguida, “la” Taylor o abandonou pelo amor tumultuado da sua vida, o irlandês Richard Burton, com o qual casou duas vezes.

Debbie volta à minha atenção pela morte da filha, também atriz, uma famosa já não mais ao meu alcance do meu interesse, e a dela própria, 24 horas depois. A mãe sofreu um derrame, ontem, enquanto cuidava do funeral da filha, 24 anos mais nova (Debbie com 84 e Carrie Fisher com 60).

A mocinha da série Star Wars em nada lembrava a mãe: bipolar, viciada em drogas de vários tipos, alcoólatra – e brilhante e escritora, além de atriz. Sua sinceridade e capacidade descritiva sensibilizaram milhares e milhares de leitores.

Quantas histórias! Que vidas!

Discussão

3 comentários sobre “Tragicomédias à Hollywood

  1. Segundo um famoso ator de Hollywood me confidenciou, eles não tem vida. Precisam representar o tempo todo, pois não podem ser eles mesmos. Não é a toa que muitos morrem depois de anos abusando de drogas, lícitas e ilícitas.

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    Publicado por José Silva | 29 de dezembro de 2016, 18:21
  2. Lúcio, a notícia da morte da Doris foi boato. Continua vivinha para, quem sabe, alcançar a – até agora – marca do Kirk Douglas que completou cem anos. O casamento da Debbie com o Fischer pouco durou: 4 anos. Realmente, ele não tinha pulso nem chance de domar a fera da Liz. Ali só o Burton, entre tapas, beijos e diamantes. Depois do Fischer ainda casou duas vezes e sua carreira não sofreu abalos trabalhou intensamente no cinema e tv. No tempo em que cinema “era a maior diversão” fui fã da primeira como cantora, muito boa, e quase fã da segunda como atriz.

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    Publicado por ALCIDES | 29 de dezembro de 2016, 23:27
    • Obrigado, Alcides. Fui vítima da internet. Ainda bem que a mãe sobreviveu à filha, o que é uma das experiências mais dolorosas da vida.
      Ah, sim: se a internet não me ludibriou de novo, a Zsa-Zsa Gabor, a voluptuosa quase-atriz, morreu aos 99 anos, anteontem, ao saber da morte do jovem e furioso filho adotivo, com menos da metade da idade dela.

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      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 30 de dezembro de 2016, 07:58

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